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Nos anos 80, a Secretaria de Educação do Estado do Maranhão lançou o Projeto de Monografias Municipais visando colher informações básicas sobre os municípios, a serem aplicadas no ensino dos Estudos Sociais. Trabalho iniciado em 1981 pelo Projeto de Coordenação e Assistência Técnica ao Ensino Municipal implantado no estado em 1977, para atender somente aos municípios da Baixada Maranhense, e posteriormente estendendo sua atuação a outros. São dessas monografias que tiramos as informações sobre os esportes e a recreação desses municípios.

Além das monografias, está-se utilizando livros lançados sobre as histórias das diversas comunidades maranhenses. As fontes, estão indicadas quando da utilização de uma ou outra obra.

Ainda, alguns levantamentos foram feitos por alunos do CEFET-MA, do curso de Licenciatura em Biologia, disciplina Educação Física, naquelas cidades em que ministrei aulas e/ou por alunos do Curso Seqüencial de Educação Física da UEMA, da disciplina História da Educação Física e dos Esportes. Nesses casos, os pesquisadores estão citados nos seus respectivos levantamentos da memória de suas cidades.

Onde não estão indicados, é de minha autoria...

Atualmente (2006) o Estado do Maranhão possui 217 (duzentos e dezessete) municípios.

1613 - A história da ocupação da hoje denominada região do Médio Mearim tem inicio ainda ao tempo da Invasão Francesa – 1612/15 -, com Daniel de LaTouche, senhor de LaRaverdiére; em 1613, mandou ao Rio Mearim 40 (quarenta) franceses buscar os Tabajaras, que estavam a duzentas léguas da Ilha de São Luís. LaTouche autorizou ainda mais quatro viagens às cabeceiras desse rio, conseguindo trazer para a Ilha de Upaon-Açú os aguerridos Tupinambás.

1750 – Por ordem do Rei de Portugal o Governador Francisco Pedro de Mendonça Gurjão (1757/1751) organizou expedições exploratórias às cabeceiras desse rio Mearim; essas expedições forma acompanhadas por padres jesuítas.

SÉCULO XIX - No início desse Século, a nação Timbira, que habitava as Campinas do sul do Maranhão, teve seu território invadido por sertanejos nordestinos que com seus rebanhos bovinos apossaram-se das áreas de pastagem nativas apropriadas para a criação de gado. Diante da expropriação de seus territórios os índios passaram a viver sem lugar fixo, mas onde quer que se instalassem, logo em seguida vinham em encalço de seus perseguidores. Os Timbiras trouxeram, então, insegurança e transtorno para os colonizadores, que aqui já se encontravam vivendo da lavoura do algodão, milho, arroz, mandioca e mamona.

1839 – Instala-se as margens do Mearim o sr. José Machado, iniciando-se um povoado que seria conhecido como “localidade Machado”, depois “Vila Velha”, hoje, São Luís Gonzaga. Entre uma e outra, chamou-se “Ipixuna”. João Machado foi quem fundou o primeiro porto de navegação da cidade, denominado popularmente de “Porto do Machado”. Esse ano é dado como o da fundação da Freguesia (hoje) de São Luís Gonzaga.

- pela Lei no. 85, de 02 de julho, o Governador Manoel Felisberto de Sousa e Melo criou três “Missões” ou aldeias indígenas.

1844 – é criada a freguesia de São Luís Gonzaga do Alto Mearim, pela Lei Provincial 196 de 29 de agosto.

1854 – elevada a categoria de Vila pela Lei 349, de 12 de junho.

– O presidente da Província, Eduardo Olímpio Machado, delibera sobre a situação dos índios Timbiras, que deixavam as cabeceiras dos rios Mearim e Grajaú e se arriscavam nas fazendas localizadas nas margens desses rios. Nomeia para diretor da Colônia Leopoldina uma pessoa de sua inteira confiança, que era o subdelegado do distrito de Bacabal, sr. Lourenço Vieira (sic), depois condecorado como coronel da Guarda Nacional, que mais tarde tornara-se fundador da Vila de Bacabal. A instalação da Colônia Leopoldina, deu-se em função de atos hostis praticados pelos indígenas na fazenda do tenente-coronel José Caetano Vaz Júnior, conforme descrito em “A habitação dos Timbiras”, do indigenista Curt Nimeundaju, publicado em 1944.

Existiam bem próximo à Vila Velha, do Machado, algumas tribos indígenas, como sendo Carauzés, Pobeges, e Timbiras, e uma colônia de silvícolas, - a Colônia Leopoldina – situado no povoado Matão, próximo a paragem Bacabal.,

1857 – A Colônia Leopoldina, regida pelo Regulamento Provincial de 11 de abril de 1854, destinada ao aldeamento de índios Crenzés (Carauzés) e Pobés (Pobeges), foi dirigida pelo padre alemão Carlos Winkler. Em um seu relatório, esse padre afirmava que a colonização dos índios, como vinha sendo feita, causava muitos prejuízos. Propôs a sua substituição pela colonização estrangeira.

1867 - Relatório indicava a existência de 671 índios no alto Mearim (hoje, Médio Mearim).

1938 – aprovação da Lei 269, criando o Município de São Luís Gonzaga, a 31 de dezembro.

1943 – em 30 de dezembro, pelo Decreto-Lei 820, dando nova divisão administrativa ao estado, passa a condição de cidade, com a denominação de Ipixuna.

Década de 1950 - O futebol é a atividade esportiva preferida da população. Lembrança dos anos 50,60, e 70, que se constituem na fase brilhante do esporte na região, quando personagens históricos como Ferro Ramos, seu A., e mais tarde Lamba Ramos registraram seus relevantes feitos prestados ao esporte local.

1956 – a seleção ipixuense chegou às semifinais do Torneio Intermunicipal, desclassifica por Anajatuba pelo placar de 2x1

1958 – conquistou o titulo de vice-campeão do Torneio Intermunicipal, perdendo a final para a seleção de Cururupu; a seleção possuía como base o destacado time do Palmeiras Futebol Clube, e contava com Walter bandeira, Santo Reis como seus colaboradores; quando em São Luís, contava com a ajuda substancial do empresário César Aboud (Moto Clube de São Luís). Alguns destaques do Palmeiras que atuavam na seleção gonzaguense: goleiro: Pingüim; zagueiros: Zé Catita, Lamba, Albino, Seu A., Alcides, Salu, Humberto, Cabaça; atacantes: Cabo Neves, Alemão, Vavá, Ernildo, Seu Bé, Zé Pretinho.

Década de 60 – um desentendimento entre Ferro Ramos e Lamba, contra os irmãos Seu A e Seu Bé resultou na dissidência destes últimos, do clube do Palmeiras; juntaram-se a outros jogadores criando o Floresta Futebol Clube. Em sua primeira formação, o Floresta era dirigido por Seu A, Damião, Leontino, Antonio Carlos de Nilza e Genésio Caetano; era composto pelos jogadores: Zé Aquino (o Gago), Seu A, Frank, Seu Bé, João de Chica, Leontino, José de Salmato, Genésio Caetano, Maçaranduba, Raimundo Bezerra, Raimundo Nanem, Zé de Neco, Essias, Raimundo, Tontonho, João Baixinho, João Mandi.

Década de 70 – no início, após ter desaparecido dos torneios e campeonatos municipais, ressurge o esquadrão do Floresta, com o seguinte elenco: Nova Vida, Tonico, Rito de Cristina,Luís Ivan, Cachimbinho, Frank, Tote, Lamba, Nonato Barrão, Tijubu, e Seu A.

- os esportistas Coló, Ferro Ramos, Lamba, Francisco e Hercílio e Chico Tripa ,lançando mãos de jovens talentos da terra, criaram o “11 Amigos”, considerado o melhor time de futebol existente na cidade nos tempos modernos; tinha comolocal de treinamento o campo da trizidela denominado Estádio Manoel Alves de Abreu, destacando-se Nascimento e Cacunda – goleiros; Herberth, Carrumbé, Tonico, Carrinho Estrela, Betinho, Chico Tripa, Toinho – zagueiros; Nego Judá, João de Tote, Chico Coletor, Antonio Sales, Didô,Pichará, Teodoro, Timóteo, Tijubu – atacantes. rivalizava-se com o Floresta Futebol Clube,organizado por Roberto da Emater, Aurino dos Santos e Francisco Floriano; seu técnico e jogador era Frank Moraes; o verdão da Pitombeira tinha comom estádio o campo do Bairro Pitombeira e contava com os talentos de João José e Moreira – goleiros; Leriano, Frank Moraes, Viana (zagueiros); Zé de Antéia, Didô (que deixara o 11 Amigos), Nonato Barrão, Nego Matias, Cachimbinho (atacantes.

- com um futebol pujante na década de 70, tinha várias agremiações interioranas que se destacavam: Nova Vida, Santo Américo, Maçaranduba, Coque, Potó Velho, Limeira, etc. Na sede surgiram times de bases inferiores, formados por garotos de 12 a 16 anos, destacando-se entre estes o Botafogo, organizado por José Fausto (o cantor Di Fausto), basicamente formado por Tuvina, Zeca Pinheiro, Sérgio de Colo, Chico de nenê,Walber de Adélia, Tontonho, Filho de Dárcia, Hilton Morais, Jarbas Morais, Binha Miolo, Remador, Caluca, Kleiton, Luizinho, cláudio Lambança, Josafá Bonfim; seu rival era o Ájax , time da Rua de Baixo,oreganizado por Seu Louro, e sua base eram os atletas Iratan,  Cabêla, Biton, Bela, Orlando de lamba, Nelore, Chamurro, Nonatinho, Patia, Deca, Seu Lia, Bira...

1971 – em 14 de outurbo, através da lei 3178, a cidade recupera seu nome inicial, São Luís Gonzaga.

Décadas de 80 e 90 – desaparecimento dos clubes mencionados, outros surgiram, nas décadas de 80 e 90, podendo ser citados:

- Cruzierinho Esporte Clube – organizado pelo ex-vereador Ivaldo da Silva Ribeiuro, Antonio Flor e Domingos Sousa. Joadores: Ivan,robson, Zé manacá, Iomar, Airton,Zezinho, Alyemir Filho, Gilmar, Boréu, Gonzaga, Adelino Caluca;

- Guarany Esporte Club – dirigentes: Aurino dos Santos, Francsico das Chagas Santos; jogadores: Bacabal, Edílson, Luzimar, Jairton, Chico de Lili, Chaguinha, José Wilson, Das Chagas e Pedão;

- Boa Vontade Futebol Clube – organiadopor Lamba Ramos e tinha como atletas: Chega-Chega, Bastico, Carrumbé, Orlando, Leriano, Tijubu, Nilson, baixinho, Riba Burrego, Reizinho, Tuvina;

 Sucata Futebol Club – foi o time que mais durou no futebol gonzaguense – dez anos (1986-1996). Dirigentes: Zé Nóbio, Hilton Morais e Almeida, técnico era Lambá; Ganhou treze campeonatos em toda a sua história. Seus jogadores: Almir Soldado, Bastico, Valdir, Almeida, Biton, Orlando, Zé Nóbio, Salazar, Tuvina, Gilmar, Fernando Laguaçu, Toinho Sacy, Claudino, Cadica, Jairo, Walber, Fernando Freitas, Nonato, Filho, Popó. Esse clube surgiu da dissidência de alguns jogadores da seleção gonzaguense, no Intermunicipal de 1986, quando seus organizadores optaram por criar um time independente. Na época a liga de Futebol Gonzaguense era representada por Zé Nóbio, João José, Lamba e Antonio Flor.

- No futebol de salão, o destaque foi o time Loghan, cujo nome era formado pelas iniciais dos atletas que o compunham: Luizinho, Orlando, Gilmar, Hilton, Antonio (Tonico) e Nilson.

- VAVÁ é considerado o maior atleta do futebol gonzaguense, tendo se destacado também no futebol de São Luís; além do futebol, era cantor.. Walter Santos nasceu no povoado Cancelar; seus avós maternos foram escravos da Fazenda cancelar, de propriedade da família Guilhon. Filho de Luís dos Santos e Maria Mora Santos, foi criado pelos tios Pedro Celestino dos Santos e Izolete Sousa Santos. Faleceu em 23 de outubro de 1978, aos 45 anos de idade.

2004 - Secretaria de Esporte e Lazer – criada a alguns anos, não cumpre seus objetivos, de oferecer a população cultura, esportes e lazer, sem deixar de lado a formação da criança, e do jovem para a vida.; não se tem conhecimento de qualquer programa importante operacionalizado nesse setor no município; suas atividades restringem-se a promoção de eventos ocasionais de natureza recreativa. A sede do município não dispõe de praças esportivas com infra-estrutura, excetuando-se uma quadra de esportes construída de há muito; tampouco possui estádio de futebol, sua prática e feita em campos de várzea.

Fonte: BONFIM, Josafá. “SANZAGA” – resgate de uma história. São Luís: Lithograf, 2004

 

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1963 – “O Tiroteio” – Raimundo Nonato Carvalho – Bobinho – “letrado professor e ativista político de ideologia subversiva”, simpatizante fervoroso da facção política comandada por Natinho Vieira e Alceu Martins, da cidade de São Luís Gonzaga, organiza um time de futebol formado por jogadores da região - de Bacabal, Alto Alegre e São Luís Gonzaga - sediado nesta última cidade. Após a recusa do prefeito Nonato Veloso para apadrinhar a nova agremiação esportiva, Bobinho procurou Alceu, que aceitou o convite. Com o time estruturado, seu idealizador organizou os preparativos com vistas à partida de futebol inaugural. Para tanto foi convidada uma equipe de Bacabal organizada por Raimundinho Gangá, para promover o evento futebolístico. Acreditando que aquela partida não teria apenas caráter esportivo, o prefeito Nonato Veloso resolveu não autorizar a sua realização no campo municipal, embora tenha havido pedido do deputado estadual por Bacabal, Frederico Leda. Após algumas ponderações feitas pelo empresário e líder político Alceu Martins, antevendo um eminente impasse, o prefeito sinalizou com a possibilidade de voltar atrás. Entrementes, não se sabe movido a que, acionou o aparato policial do município – Polícia Militar e milícia municipal -, mandando estender uma corda na rua do Xerém (hoje, Manoel Carlos Godinho), de um lado a outro, impedindo a passagem de que se aventurasse subir a rua com destino ao bairro da Pitombeira, onde se localizava o campo de futebol. Estava criado o impasse.

Pouco mais das quatro horas da tarde, os “cabras” de Natinho e Dedeus – como eram denominados na época aos que trabalhavam em qualquer função para estes empresários – estavam a postos na cidade, em atitude de espreita, aguardando os acontecimentos. Nas proximidades da corda de contenção, criou-se um tumulto, com os soldados tentando apreender uma faca do vaqueiro Artinésio Bonfim. O comerciante Mundico Coutinho, muito conceituado na cidade, interveio, e ficou de apresentar o vaqueiro na Delegacia em seguida. Novamente outro tumulto, desta vez com o cearense Zé Teixeira, homem de confiança de Natinho e Dedeus, assim como Artinésio, montado em uma lambreta ultrapassou a corda, subindo a Rua do Xerém, indo e voltando, e teve a traseira da lambreta chutada pelo cabo Mandu. Teixeira saca de seu revólver e, ainda montado na lambreta, dispara um tiro que atinge a perna do guarda municipal José Rodrigues. Ao tentar fugir, é alvejado por um tiro de fuzil disparado pelo soldado PM Sousa, que o perseguia correndo a pé. Estava aceso o estopim do mais longo e alucinante conflito armado ocorrido na cidade de São Luís Gonzaga, em todos os tempos. Durou mais de 12 horas, envolvendo os partidários do prefeito e os da oposição. Enquanto durou o lendário tiroteio, o mentor da malfadada partida de futebol permaneceu “amoitado”. Raimundo Nonato Carvalho (o Bobinho) ativista político que atuava na militância de esquerda desde os tempos do Grêmio Estudantil da Escola Técnica Federal do Maranhão (hoje, CEFET-MA), onde estudou e desenvolveu grande liderança, era simpatizante da ala comandada por Natinho. Passou a ser acusado como o verdadeiro responsável pelo confronto, instigando a resposta à ação da guarda de Nonato Veloso.

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