Segunda Aula Aberta do João Freire Sobre o Jogo

Por: e .
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COOPERATIVA DE CONHECIMENTOS
SEGUNDA AULA ABERTA NO FACEBOOK
8 de dezembro de 2011
Das 20 às 21 horas
Tema: O Jogo

Obs.: procuramos manter as falas dos participantes na íntegra. A transcrição e análise só foi possível graças à colaboração de Eduardo Tega e András Voros.
A aula foi iniciada pelo moderador João Batista Freire, que explicou que essa aula seria uma homenagem ao ex-jogador de futebol Sócrates, falecido recentemente, por sua luta pela democracia, no tempo da ditadura, e sem empenho a favor das iniciativas educacionais a favor de um Brasil melhor. O moderador explicou que a aula começaria com uma pequena palestra sobre o jogo. Os participantes deveriam aguardar o término da palestra para começar a fazer suas intervenções. A seguir, a palestra proferida por João Batista Freire
"Li, certa vez, uma entrevista com o Sócrates em que ele dizia não compreender como os jovens jogadores de hoje podem se queixar tanto de cansaço por jogarem, por exemplo, duas partidas na semana. Ele dizia que, em seu tempo, ele gostava tanto de jogar que, às vezes, no Corinthians, chegavam cansados de uma viagem ao exterior e, logo em seguida entravam em campo para um jogo do Campeonato Paulista, e, ainda assim, ele rendia muito.
Talvez essa disposição de Sócrates deva-se ao fato de que ele gostava muito de jogar futebol. Esse fazer por gostar, sem outra recompensa que não seja o próprio jogo, é uma das características do jogo. As crianças também são assim. Em suas brincadeiras às vezes se movimentam até suar, ficar vermelhas, os pais se preocupam, mas elas não querem parar de brincar. Mas se lhes damos uma obrigação chata, em seguida, alegam não agüentar o cansaço. Talvez as crianças nunca ficassem cansadas com as tarefas escolares se achassem que estivessem brincando e não apenas cumprindo tarefas. Se as atividades escolares não fossem chatas, mas fossem um jogo, é possível que o rendimento das crianças na escola fosse muito grande.
Sempre que realizamos voluntariamente um trabalho, porque gostamos e não porque nos obrigam, o rendimento é enorme. Vejo isso nas Caravanas do Esporte, quando passo três dias de trabalhos duríssimos. Pouco me canso e ainda encontro disposição para correr com os amigos no final do dia de trabalho. Os verdadeiros cientistas costumam entregar-se inteiramente ao trabalho, sem hora para terminar, apenas porque fazem daquilo o jogo de sua vida.
Arnold Gehlen fala de uma reserva especial de energia utilizada só em ocasiões especiais da vida, e uma dessas ocasiões é o ato de jogar. Segundo ele, quando jogamos, liberamos uma energia que não é liberada em outras ocasiões. O esporte mostra muito bem isso. Há esforços realizados por alguns atletas, que nenhuma pessoa conseguiria realizar, a não ser em situações extremas, como a guerra."

A seguir, as intervenções realizadas durante a Aula Aberta. Nesta aula transcreveremos as falas mantendo os nomes dos autores. Essas falas poderão ser corrigidas em relação a ortografia, concordância etc., e também comentadas pelo moderador.

Sobre a palestra, Renato Gomes Machado afirmou que concorda em número, gênero, grau, e tudo mais, pois nos ensaios da companhia de teatro e nas oficinas que realiza, quando tudo se assemelha a uma brincadeira os atores e alunos sentem mais prazer, mas quando é preciso trabalhar e como o teatro não enche o bolso de ninguém por aqui, ai então eles ficam iguaizinhos aos novos jogadores de futebol. Assim acontece com os atores também, querem a recompensa e não o prazer...
Murilo Pessoni No caso das crianças o que as leva a querer jogar e não se cansar é o prazer que sentem quando estão jogando...
Wellington Alves: O jogo pode realmente ser uma ferramenta eficiente para se educar as crianças, por esta relação íntima com a cultura infantil. Mas pra isso ele deve ser um meio para a aquisição do conhecimento e não utilizado como fim em si mesmo, o que vem ocorrendo em inúmeras aulas de educação física infantil.
João Batista Freire: Sempre achamos que as crianças não se cansam por causa do prazer que sentem ao jogar, mas parece que há algo mais.
Renata Carvalho: Gosto do jogo que é construído passo a passo com os alunos durante a aula... colocando regras diferentes.
Nesse momento da aula eu estava tentando sugerir aos participantes que o motor do jogo não é apenas o prazer, para que eles refletissem sobre outras possibilidades, como o risco, a imprevisibilidade, o mistério, o descompromisso etc.
Renato Gomes Machado: Jogar pode muito bem transmitir uma formação excelente para o desenvolvimento profissional, haja visto que o Programa O APRENDIZ usa essa proposta de JOGO para motivar o treinamento empresarial...
Renata Carvalho, completando a ideia de Renato: Fazendo com que sintam-se realmente inseridos.
Bruno Bigoni: Interessante essa visão da educação do ponto de vista do jogo. Pensar nas matérias da escola de outra forma pedagógica pode ser o avanço que falta na educação hoje.
Notem que, havendo muitos participantes da aula que são professores de Educação Física, há uma certa tendência de levar a questão do jogo para o âmbito educacional.
Vanderlei Silva Costa: é difícil fazer as crianças pararem
Elida Capelatto Mas muitas vezes minhas crianças querem o mesmo jogo.
Élida se referia à insistência das crianças para jogar de novo jogos conhecidos.
João Batista Freire: Existe o jogo como fenômeno, que não é só humano, e temos o jogo a serviço da educação, como principal conteúdo da Educação Física.
João Batista Freire: O jogo não deve ser só veículo de educação, pois o jogo em si também ensina para a vida. O jogo ensina sobre a imprevisibilidade, sobre a liberdade. O jogo ensinou Sócrates a ser um homem livre.
Thiago Mendes Castello Branco: Não dá p falar mais nada. Difícil acrescentar alguma coisa diferente dos seus comentários João Batista Freire. O lúdico, o amor ao esporte, ao que faz em qualquer situação....deixa para trás o cansaço, o stress, até mesmo qualquer limitação que você tenha, qualquer doença etc....o jogo é assim!
Elida Capelatto: Procuro modificar regras, criar novas situações
João Batista Freire: As crianças gostam de repetir o jogo, porque são conservadoras como todo organismo vivo é.
Biba Renata Barreto: As crianças sabem quando parar, simplesmente quando cansam param, "respiram", e depois voltam a brincar, não precisando que ninguém lhes diga quanto tempo precisam de descanso e/ou o que precisam parar, "pois estão cansadas".
João Batista Freire: Você mesmo Thiago, quando está numa competição, faz esforços que jamais faria na vida comum.
Eu me referia ao fato de que Thiago é atleta de alta competição e faz esforços no Atletismo que pessoas comuns jamais conseguiriam, até porque essas pessoas dificilmente em seus trabalhos terão uma energia a mais que só é liberada em situações como as que o jogo proporciona.
Junior Rossi: O jogo é uma função da vida, mas não passível de definição exata em termos lógicos, biológicos ou estéticos
Interessante notar como a questão do jogo transita, entre os participantes, entre a teoria do jogo e sua aplicação na educação.
Daniel David: Professor, boa noite a todos. Teclo do sul de Minas e creio que hoje em dia o maior problema que encontramos em relação ao que foi citado sobre Sócrates, em querer jogar, em ter prazer de jogar, é que hoje meninada reserva seu tempo para outras tarefas como internet. Ficam muito ociosos, o que nos atrapalha na tentativa em nossa aulas de vivenciar os jogos.
Biba Renata Barreto: Acredito que as aulas correm "contra o tempo", para atenderem um plano de aula que não está a serviço dos alunos, e sim, os alunos a serviço dele.
João Batista Freire Pensem nisto: - a graça do jogo, ou a graça no jogo. O que é viver em estado de graça? Fazer de graça, fazer gratuitamente, fazer sem esperar uma paga. Fazer pelo prazer de fazer. No jogo, fazemos de graça, gratuitamente, sem esperar paga. No jogo vivemos momentos de graça.
Como moderador eu procurava, volta e meia, trazer a discussão para o campo da teoria do jogo.
João Batista Freire: Biba, as aulas escolares costumam ser o anti-jogo.
Renato Gomes Machado: Vejo a repetição do jogo também como uma forma da criança sentir o prazer, falando "freudianamente", mas concordo com o Prof. João Batista Freire, o jogo não pode ser meramente canal de aprendizagem por assim dizer. Deve dar liberdade ao aluno, à criança para que estes possam crescer como cidadãos livres
Laercio Elias Pereira: Estamos aqui por causa do jogo da aula ou para falar de jogo?
Laércio também tenta trazer a discussão para o campo da teoria.
Geisa Santana: Lidar com o jogo é caminhar por um terreno em que a imaginação, o imprevisível... uma criança em um jogo simbólico vive aquilo que precisa para se inserir em uma determinada cultura. A repetição é um prazer para elas porque dessa forma elas dominam todos os elementos que estão presentes na brincadeira. Assim acontece com os filmes que eles julgam interessantes também.
Marcos Rodrigues Gomes: Jogamos para desenvolver as competências.
Vanderlei Silva Costa: ‎João Batista Freire, certa vez na escola passei um jogo para a turma da manhã e os alunos não realizaram. Aí pensei no que eu errei, e decidi mudar o jogo ... pois no periodo da tarde eu ia dar aula de novo para outros alunos do mesmo nivel de faixa etária e série, mas pensei bem e não mudei. A resposta da turma da tarde foi 100%, por que teve essa diferença de aceitação de jogo pelas turmas.
Vanderlei fala de um problema comum, quando se trata de tornar o jogo um conteúdo da Educação Física. Não é porque uma determinada brincadeira deu certo com uma turma que dará certo com todas as turmas.
Biba Renata Barreto Laercio, por que não dialogar com "o jogo" e "o jogo da aula" ?
Marcos Rodrigues Gomes: jogo é uma atividade prazerosa.
De modo geral as pessoas julgam que todo jogo confere prazer. Talvez sim, essa é uma questão em aberto ainda.
João Batista Freire: As turmas mudam Vanderlei, e as expectativas são outras. Esse é o problema de ser professor. Cada turma, cada aluno é diferente.
Elias da Silva: Será que a sensação de prazer em realizar determinadas tarefas , como jogar, não supera o cansaço do esforço da realização desta mesma tarefa?
Não é exatamente isso que o Elias pensa que Arnold Gehlen afirma, mas é algo bem parecido.
Elida Capelatto: a competição estimula a participação numa medida apropriada.
Biba Renata Barreto Não acredito no "jogo como ferramenta e/ou mediador". O jogo é a própria Educação, a Vida sendo vivida a cada "jogada", a fruição da vida é a fruição do jogo.
O que a Biba quer dizer é que, o jogo em si já é educativo, pelos elementos que ele contém. Na visão dela o jogo não deve ser meio, mas o próprio fim.
Cristina Simeoni: Alguns professores afirmam que estudar é difícil e não deve ser prazeroso.
João Batista Freire: Não é só prazer Bruno, é o fazer por fazer, o fazer desinteressado, o fazer que não precisa dar conta para alguém.

João Batista Freire: Pensem nisto: - a imprevisibilidade do jogo. Se a gente soubesse o resultado final do jogo, não teria graça. A imprevisibilidade e a graça estão ligadas. A imprevisibilidade nos provoca a entrega ao jogo. Ou seja, nos entregamos a algo que não sabemos como vai ser. Ninguém compareceria a um jogo de futebol com resultado conhecido.
Renata Carvalho Apesar de procurar apenas a brincadeira sem paga, a competição é sempre atraente...uma pitada de motivação...
Reparem que puxei o assunto para a questão da imprevisibilidade do jogo e do desinteresse. Ou seja, jogar é fazer algo sem interesse de retorno. Porém, a Renata coloca a competição como elemento de interesse.
Daniel David: Trabalho muito com as crianças a construção e mudanças nas regras dos jogos. Isso sim passa a elas um certo poder de construir os jogos.......
Michelle Flores: Acho que a conquista é o motivação ao jogo
Parece bastante difícil as pessoas admitirem que a motivação maior do jogo é o próprio jogo, porque isso é pouco visível na ação de jogar.
Renato Gomes Machado: Realmente prof. João Batista Freire, as aulas são o anti-jogo. Vejo pela experiência que fiz este mês quando minha avaliação bimestral com os alunos de ciências de 7ª serie (8º ano) do E. Fund. foi em forma de jogo da batata quente, onde os alunos tiravam as perguntas e nós as comentávamos em aula e tirávamos e corrigíamos juntos as concepções erradas. Eles esperavam que eu iria aplicar uma prova escrita e ficaram impressionados quando eu falei que a avaliação tinha sido nosso "bate bola" sobre o conteúdo.
Elida Capelatto: Vejo na minha escola vários professores em suas diferentes disciplinas utilizando-se do jogo para motivar seus alunos.
João Batista Freire: Pouco sabemos sobre o jogo. Os filósofos não se arriscam. Mas o jogo é a prova de que a vida vale à pena, de que nosso maior compromisso ético é viver.
Biba Renata Barreto: Professor João, é impossível não lembrar da Capoeira. Não falamos que vamos dançar ou lutar capoeira, e sim, JOGAR CAPOEIRA. A entrega da alma, pelo prazer do jogo.
Realmente, a Capoeira talvez seja um grande exemplo. Quando está na roda, o capoeirista parece que encontra sua motivação no próprio ato de jogar Capoeira. Claro que isso não acontece quando se realizam campeonatos de capoeira.
Wellington Alves: O jogo não é só mera ferramenta educativa. Ele pode desempenhar papel fundamental no desenvolvimento da criança através de seus simbolismos e situações imaginárias criadas. Isso porque estas situações criadas influem na compreensão da realidade. Os jogos simbólicos das crianças baseiam-se em sua realidade vivida e atuam auxiliando em sua compreensão.
João Batista Freire A Educação Física tem no jogo seu maior conteúdo e não sabe aproveitá-lo.
Diego Brandão: Podemos dizer com toda a certeza que os jogos são de fato ferramentas importantes para nossa prática em sala. Percebo isso, quando elaboro algum jogo incluindo o assunto da unidade. As participações crescem quase 100%. E o aprendizado é mais satisfatório. Só tenho apenas uma ressalva quando colocamos os jogos em sala: É importante deixar claro para os alunos, que se trata apenas de um "jogo", mesmo porque, a rivalidade e a competição quando não são trabalhadas de forma adequada, podem desencadear alguma confusão na aula. No mais, a ideia é muito válida.
Em vários momentos notamos nas intervenções um certo dualismo: de um lado o jogo pelo jogo; de outro, o jogo utilitário, o jogo como ferramenta pedagógica.
Daniela Barcelos: Quando falamos do jogo sabemos que ele não é exclusivo das crianças, mas também dos jovens e adultos, e que eles sofrem alterações de acordo com cada local. Mas a essência que é o prazer, o gostar de jogar, o não cansar, podemos ver em todas as formas. Não devemos esquecer que os esportes também fazem parte dos jogos, muitos deles são derivados.
Julio Paiva O jogo só motivará se trouxer o prazer.
Elida Capelatto: claro
Essa ideia de que o jogo só motiva pelo prazer é muito comum Na verdade, é quase uma unanimidade. Em alguns jogos, joga-se pelo sofrimento, mesmo entre crianças. Porém, deve-se considerar a hipótese do prazer no sofrimento. Porém, seria preciso vasculhar muito os jogos para saber se realmente só se joga por prazer.
Bruno Bigoni: Quando o professor diz quais as expectativas dele quando passa um jogo para sua turma, ele já "atrapalha" o fazer por fazer, pela desobrigação? Se tais expectativas não forem atingidas?
João Batista Freire: Deveríamos gastar um tempo enorme nas faculdades de Educação Física tentando compreender o fenômeno jogo. Mas gastamos quase todo o tempo medindo dobras e batendo bola.
Biba Renata Barreto: O jogo cresce com a gente... Com o passar dos anos mudamos e o jogo muda com a gente...
Geisa Santana: O que de fato as crianças jogam? Quais os elementos presentes para que os jogos possam acontecer? O que é jogo e o que é trabalho ?
A Geisa coloca bem essa questão da dicotomia entre jogo e trabalho. De um lado teríamos o jogo e de outro, seu oposto, o trabalho. Porque o trabalho exige compromisso, interesse, objetividade, prestação objetiva de contas a algo ou alguém fora de nós. De outro lado temos o jogo, cujo compromisso é com o próprio jogador, isto é, trata-se de um compromisso interno.
Renato Gomes Machado: Exato Vanderlei, o jogo entra na questão cultural, como disse a Geisa, por isso uma turma pode não gostar de um jogo mas a outra se entregar totalmente nessa aventura.
Marcos Rodrigues Gomes: jogos e brincadeiras são coisas de criança, esporte é jogo de gente adulta.
Michelle Flores: mas jogar é importante pra entender o processo jogo também, não professor?
Eu responderia à Michelle que sim, porque o entendimento não pode ser só intelectual. Há um entendimento que nasce na prática e só depois é levado ao pensamento.
Julio Paiva: E os professores que não brincaram de "jogar", será que saberão passar o jogo para seus alunos?
João Batista Freire: Isso Marcos.
Vanderlei Silva Costa: mas mesmo eles sendo de mesma faixa etária e nível de série ?
Renata Carvalho: É delicioso vivenciar com os alunos jogos tradicionais, mesmo que muitos achem infantis...revivemos, nos divertimos juntos, os alunos adoram, independente da idade.
João Batista Freire: Falem à vontade gente. Sejam livres, tenham coragem de ser livres. Todos sabemos muito sobre o jogo, pois todos fizemos do jogo nossa maior atividade infantil. Só temos que aprender a falar sobre ele.
Biba Renata Barreto Existem também os "esportes jogo" para as crianças...
Biba quis dizer que as crianças podem brincar de voleibol, de futebol, de basquetebol, porém, não estão ainda fazendo esporte, apenas estão brincando.
João Batista Freire Pensem nisto: O tempo no jogo. O jogo e o sonho têm tempos diferentes dos tempos de nosso cotidiano. Por vezes o tempo de uma tarefa parece excessivamente longo. E o tempo no jogo excessivamente curto. Quanto mais chata a tarefa, mais o tempo se arrasta; quanto mais gostoso o jogo mais o tempo se comprime.
Daniel David: Huizinga já dizia que os animais não esperaram que os homens os iniciassem na ludicidade ...eles já brincavam .....a questão não seria definir os jogos e sim manter sempre as crianças desafiadas felizes na pratica do jogo.
Realmente, o jogo não é exclusividade dos seres humanos. Pelo menos os chamados animais superiores (gatos, macacos, cachorros...) jogam.
Geisa Santana: Esporte de competição e jogo ? Se entendemos que o jogo é livre, rico em elementos que nos permitem imaginar se é aquilo que nos dá prazer, competição é jogo?
Se perguntarmos a um atleta Geisa, ele nos dirá que sim, que é jogo, que a competição lhe dá muito prazer.
Douglas Eduardo: Tenho algumas reflexões que me destabilizam e gostaria de compartilhar nesse belo momento.
João Batista Freire: Nós professores, temos mais facilidade para falar do jogo na educação. Pois falem, contem vosso cotidiano, façam disso motivo de reflexão, de pesquisa. Leiam o que a Geisa está escrevendo.
Douglas Eduardo: Em um esporte educacional mencionam alguns critérios de um bom jogo (possibilitam todos participarem, possibilita o sucesso dos participantes, permite o autogerenciamento dos jogadores, permite adaptações para as novas aprendizagens e mantém a imprevisibilidade). Isso fica claro para mim com esportes coletivos e com bolas. Pensando em outras vertentes dos esportes como podemos encaixar esses critérios para esportes individuais e sem bola? Esses critérios podem se concretizar?
Marcos Rodrigues Gomes: joguei muito no pátio da escola, mas quando isso virou competição, até sangue saiu na camisa.
Bruno Bigoni: Exatamente professor, quando nós fazemos algo de que gostamos, sempre vem a expressão de que o tempo voou!
Laercio Elias Pereira As notas aqui pararam há 9 minutos. É isso mesmo?
Vanderlei Silva Costa: não Laércio, você tem que atualizar.
João Batista Freire: Douglas, esporte é uma manifestação lúdica, ou de jogo. Portanto, qualquer esporte é jogo. Tudo que existe no esporte coletivo existe no esporte individual.
Vanderlei Silva Costa: isso mesmo professor.
Daniel David: O jogo não é tão belo assim né colegas ....se não tomarmos cuidado ele mais exclui do que socializa .....claro nos profissionais temos que orientar a meninada e desafiá-las ...através de jogos situacionais ......ente outros.
Bruno Bigoni Marcos, eu mesmo acho que o jogo chega a extremos sim, mas não confundir competição do jogo com a competição alto-rendimento, que para mim são coisas diferentes.
Pensando nessa questão do Bruno, seria difícil decidir a partir de que nível o acontecimento deixa de ser jogo para ser rendimento. Além disso, por qual motivo o alto rendimento não seria jogo?
João Batista Freire: Erramos na Educação Física quando dizemos que nossos conteúdos são Jogo, Esporte, Luta, Dança e Ginástica. Jogo é um fenômeno lúdico. Ludus e Jocus querem dizer a mesma coisa em latim. Portanto, luta, esporte, dança, ginástica, circo etc., é tudo jogo, são todos manifestações de jogo.
Renato Gomes Machado: Prof. João Batista Freire, o jogo é mal aproveitado também em outras áreas e não somente na Educação Fisica... Mas a gente chega lá.
Biba Renata Barreto: O jogo não é tão belo quando domado pelas mãos erradas...
Daniel David: boa Biba.
Renata Carvalho: Sim, Prof! Nunca me esqueço disto !!!Então quando ensino Dança, lembro que também estou ensinando a JOGAR!!!!!!rsrsr
João Batista Freire: Renato, o jogo mete medo naqueles que temem a liberdade, que temem confiar nas pessoas. O jogo é imprevisível, difícil de controlar, mas é a fonte da criação.
Geisa Santana: Com as crianças pequenas o jogo é situação privilegiada de aprendizagem, onde o desenvolvimento pode alcançar níveis mais complexos, exatamente pela possibilidade de interação entre os pares em uma situação imaginária e pela negociação de regras de convivência e de conteúdos temáticos. ( Aula das oficinas do Jogo)
Geisa fala da experiência com as Oficinas do Jogo, um tipo de pedagogia lúdica que desenvolvemos em Florianópolis.
Bruno Bigoni: Biba, o que quiz dizer com o jogo nas mãos erradas?
Cibele Venancio: O que achas da questão do jogo colocado na educação para ensinar assuntos didáticos, e que às vezes transforma algo que é prazeroso em uma função ou tarefa?
João Batista Freire: Pessoal, o jogo em si não é moral, nem bom, nem mal.
Renato Gomes Machado: Por isso o Jogo se tornou para os artistas do teatro a grande ferramenta para melhorar a atuação e a ação corporal no palco.
Biba Renata Barreto ‎"Quem foi que disse,
Que só se aprende,
Sentado em uma cadeira?
Traga o mundo para sua escola,
Transforme a aula em brincadeira"
Wellington Alves: O jogo é interessante porque pode satisfazer inúmeros objetivos, desde educacionais até os pessoais, devido à sua flexibilidade e o consentimento de participação que existe. Sendo utilizado de forma livre em busca do prazer que aquela atividade proporciona, independente da vitória ou derrota.
Junior Rossi: além de exercitar o corpo, os sentidos e as aptidões, os jogos também preparam para a vida em comum e para as relações sociais. Dessa maneira, os jogos e brincadeiras empregadas, no ambiente escolar, auxiliam na ampliação das capacidades infantis, permitindo que a criança estabeleça representações de mundo, já que "o jogo, nas mãos do educador, é um excelente meio de formar a criança
Renato Gomes Machado: pois o JOGO faz o indivíduo voltar a momentos onde fica todo o imaginário novamente diante de nós como na infância.
João Batista Freire: Sim Renato, e isso poderia ser feito na escola. Vejam o exemplo de Freinet, o exemplo da escola do Porto.
Biba Renata Barreto Vou tentar responder ao Bruno com uma pergunta. O que é mais interessante: ter uma didática lúdica ou um lúdico didatizado?
Vanderlei Silva Costa: são professores que não trabalham ou não dão atenção necessária quanto ao jogos.
Wellington Alves: Se a competição fosse tão excludente assim os jogos não seriam tão atrativos e prazerosos quanto são.
Em Educação Física a questão da competição é muito controvertida. Costumamos ter uma ideia de que jogo é algo "do bem" e a competição, para muitos, seria "do mal".
Marcos Rodrigues Gomes: é um grande jogo estar colocando aqui algumas palavras.
Marcos Rodrigues Gomes: existe construção
João Batista Freire: Boa parte do que estamos fazendo aqui é jogo.
João Batista Freire: Mas a ideia nestas aulas abertas é formarmos uma cooperativa de conhecimentos.
Daniel David: Mas nada tirará de nós a maravilha que é no final do bimestre alunos não irem a aulas normais, mas na educação física estão sempre lá.....apesar de querermos descansar hehe. O jogo é tranformador.
Marcos Rodrigues Gomes: entendo que o jogo se joga, não se disputa.
João Batista Freire: Gadamer diz que o jogador joga para si e não para os outros, para a plateia.
Elida Capelatto: E como jogo não se disputa?? Não dá pra separar.
O conceito de jogo é mal compreendido. Para muitos jogo é aquilo em que não há disputa. Ou seja, confunde-se jogo com brincadeira. Mas jogo é o fenômeno maior, que pode ser manifestado de diversas maneiras conforme as circunstâncias.
Bruno Bigoni: Não sei se compreendi bem as palavras. Lúdico didatizado acredito que seja o lúdico mas com metas e objetivos "determinados", certo?
Marcos Rodrigues Gomes: os alunos são capazes de fazer cada jogo, proponha esse desafio a eles.
Junior Rossi: no meu modo de pensar o lúdico se manifesta através do jogo, pois o jogo é privilegiado pelo lúdico.
Geisa Santana A escola se apropriou desse slogan " Aqui se aprende brincando( Jogo)
Cristina Simeoni: Uma didática lúdica!
Muitos órgãos educacionais acalentam a ideia de uma didática lúdica ou uma pedagogia lúdica. Porém, isso suporia o rompimento com tradições muito arraigadas na escola.
Michelle Flores: Eu entendi que a Biba quis dizer que se o profissional não sabe orientar o jogo para o objetivo proposto, pode ter resultados drásticos.
Geisa Santana Sera que a escola sabe o que é JOGO?
João Batista Freire: O primeiro passo para aumentar nosso conhecimento é pensar na ação prática. O segundo é falar sobre ela. Depois vem a escrita sobre isso, a pintura, a música, o teatro, o falar de novo, o escrever de novo. E é assim que o conhecimento vai sendo destilado e se tornando superior. Arrisquem-se.
Vanderlei Silva Costa: eu acho que sim Júnior, depende da sua didática.
Maisa Dias: O grande desafio é tornar o jogo um momento prazeroso, mas com outros valores envolvidos, como cooperação, comprometimento e responsabilidade ...
Cibele Venancio: Sobre a questão do tempo do jogo, já vi jogos acontecerem, ter uma vibração tão grande, e o jogo não tinha chegado ao seu objetivo,mas os alunos ficavam tão eufóricos para a resolução que uma partida chegou a durar uma aula inteira.
João Batista Freire: Júnior, lúdico e jogo querem dizer a mesma coisa.
Marcos Rodrigues Gomes: os alunos dão essa resposta.
Rachel Mesquita: E minha neta me perguntou: Sabe o que eu mais gosto no mundo? Eu respondi:Não! De brincar com você, e eu lhe perguntei o motivo. Ela, com sua segurança (de uma menina de 08 anos )se posicionou." Nossa brincadeira não tem tempo e a gente ri muito. Com você vó eu posso brincar de faz de conta e de verdade.Na escola é muito chato. A gente fica na fila e o professor manda a gente passar a bola por cima da cabeça e depois de baixo. E falou pra mim que aquilo era jogo. Isto é jogo de verdade vó?
Camila Medeiros: Cheguei!!! Vejo o jogo também como uma mini sociedade, aonde cada um tem que fazer sua parte para que a equipe alcance o objetivo. Sempre digo às crianças, especialmente nos momentos em que iniciam os conflitos, nos momentos em que começam as cobranças em cima daqueles que têm pouca habilidade, que precisamos da cooperação dos membros da equipe e questiono já que somos diferentes, onde e como cada um pode contribuir com a sua habilidade dentro daquele jogo. Depois do debate, quando retomamos o jogo, as coisas mudam e eles se dão conta dessa visão. É super válido!!
João Batista Freire: Eram modos de falar diferentes no mundo romano. Ludus era falado pelos chamados cidadãos, os cultos. Jocus era falado pelo povão.
Renata Carvalho: Sim Cibele, já tive brincadeiras em minhas aulas, que só o sinal fazia acabar.
Biba Renata Barreto: ‎(Bruno, estou começando a escrever sobre isso): É quando o professor se apropria de uma brincadeira/jogo de uma criança/educando e muitas vezes "indevidamente" o jogo passa por uma GRANDE transformação (mutação) e o professor o devolve com a referência de "Bom jogo", "educativo" por sinal, (na visão do adulto/professor), querendo que as crianças/educandos se apropriem, criem, joguem e sintam o mesmo prazer de antes...
Geisa Santana: O que nós professores temos como formação e leitura sobre o que é JOGO e como utilizá-lo na escola? Ou lidamos com os nossos conhecimentos baseados em conhecimento popular e no famoso " achismo"? O Jogo ainda é uma grande dúvida para os profissionais da educação.
Elida Capelatto: Para muitos o jogo cria problemas...conflitos, e já ouvi besteiras a respeito e eu acho que são oportunidades de aprendizagem.
Rachel Mesquita Com certeza aquilo não era jogo. E o pior, o professor, possivelmente, pensava ser.
Elida Capelatto: Devemos, através do jogo competição e cooperação, ter uma medida, um bom senso.
João Batista Freire: Rachel querida, quando você era neta já sabia muito, agora que é vó, nem se fala. Sobre o jogo você foi minha professora.
João Batista Freire: Apesar de ser muito mais jovem.
Renata Carvalho: Lembra Profa. Rachel Mesquita, sobre definir Dança como Jogo? Era do Prof. João!!!Saudade!!
João Batista Freire: Sabe Camila, o trabalho de fazer as crianças socializarem suas ações, quando são muito novas, é tarefa difícil, que os bons professores conseguem realizar com muita paciência.
Douglas Eduardo: já que tudo é jogo é mais fácil saber o que não é jogo. O que não é jogo?
De modo geral, as pessoas se preocupam em definir as coisas. Provavelmente todo mundo sabe o que é jogo, mas não sabe como definir o jogo, isto é, traduzir aquilo que sabe em palavras faladas ou escritas.
Elida Capelatto: Quando danço sei que estou jogando comigo mesmo...me superando.
Marcos Rodrigues Gomes: trabalhar jogos de crianças para crianças dá muito certo.
Cristina Simeoni: Acredito que ensinar e aprender é um jogo...
Cibele Venancio: Por que será que a Escola trata com tanto Melindre a questão do jogo? Porque dá trabalho? Por que é complexo?
A escola não foi criada para servir de palco ao jogo. Foi inventada para ser coisa seria, trabalho, suor do rosto. O jogo seria seu oposto.
João Batista Freire: Douglas, não é jogo a coisa objetiva, a tarefa que temos que cumprir com prazos, com cobrança, a coisa chata.
Biba Renata Barreto: Capoeira é um jogo... jogo de perguntas e respostas de corpos...
João Batista Freire Pensem nisto: definição de jogo. O jogo não pode ser definido. Geralmente jogo é aquilo que minha percepção disser que é jogo. Quando percebo algo como jogo, por exemplo, crianças brincando, já me envolvi com o jogo.
Renato Gomes Machado: Então o jogo faz diferenciais quando damos às crianças a oportunidade de jogar. E falo mais: as crianças têm habilidades fantásticas de criar e recriar o jogo.
Vanderlei Silva Costa: é isso ai mano.
Marcos Rodrigues Gomes: isso mesmo
João Batista Freire: Capoeira é o jogo mais brasileiro que existe. Mais que futebol.
Cibele Venancio: Sempre Renato Gomes, elas têm ideias surpreendentes, análises que você nem visualizou.
Bruno Bigoni: Muito interessante o comentário da Rachel Mesquita, mas fico com uma dúvida (não sou professor ainda, primeiro ano de Ed. Física!): em uma aula em que você queria desenvolver certas ações com seus alunos, como não bater de frente com a obrigação de fazer, sem transformar essa atividade numa coisa chata? Ou vocês acreditam que para educar tem que haver esse lado chato também?
João Batista Freire: Já que vocês gostam de falar de prazer, o que acham dos jogos sadomasoquistas, tão prazerosos para alguns? Há prazer no sofrimento?
Renata Carvalho: Amo Capoeira!
Marcos Rodrigues Gomes: muito legal fazermos parte do jogo
Renata Carvalho E Dança!!!!!heheh
Durante a aula aberta, os participantes liam os comentários em tempos diferentes, por isso, muitos deles parecem desconectados das mensagens mais próximas.
Wellington Alves: As aulas têm que ser motivadoras e atraírem os alunos para si, pois o jogo é consentido, não obriga ninguém à sua participação.
Renato Gomes Machado: Olga Reverbel fala dos jogos para o teatro, mas indico-a para os professores de educação física também.
Vanderlei Silva Costa: mas luta não é uma arte marcial? Então arte marcial também é um jogo???
Douglas Eduardo: opa os esportes radicais se encaixam ai?...kk...kkk...
Cibele Venancio: Prazer no sofrimento só pra quem gosta de sofrer e de dor!!
Renato Gomes Machado JOGOS SADOMAZOQUISTAS!!!!! ADOROOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!
Biba Renata Barreto: Talvez, há algumas bons anos no passado, a palavra/código que conhecemos como "viver" e todos os seus mais diversos significados era conhecida/chamado de "jogar". Só poeticamente para entender "O Jogo".
Renato Gomes Machado: kkkkkkkkkkkkkkk
Camila Medeiros: Percebo nos mais novos uma ansiedade muito grande em expor sua opinião, às vezes fica difícil entrarmos num consenso, fazemos votação para resolver os obstáculos encontrados no jogo, às vezes dá certo, quando não dá certo, paramos de novo e refazemos as regras. Mas isso leva tempo de aula, especialmente com pré e 1º ano, às vezes temos pouco tempo para jogar efetivamente. Professores, o que posso fazer para equilibrar o tempo de ajustes e o tempo de jogo???
Quando a Camila diz isso, ela traduz uma coisa interessante na pedagogia: todo esse processo que ela vive com os alunos para administrar os conflitos que aparecem durante o jogo, não é computado como tempo de aula, mas apenas a realização do conteúdo planejado. Porém, aula é tudo isso. O conflito ensina muito.
Renata Carvalho: Gostar de sofrer? Ai já é caso pra psicologo...kkkkkkkkkkk
Bruno Bigoni: O prazer é totalmente individual. Tem gente que sente prazer assistindo um filme com a namorada e tem gente que gosta de sadomasoquismo. Essa é a individualidade.
Marcos Rodrigues Gomes: mas existe essa resistência mesmo Camila.
Cibele Venancio: Camila Medeiros, às vezes pode ter aulas em que você vá intervir menos, e outras, principalmente para jogos de regras desconhecidas, aí vai ter uma maior interferência com certeza!
Wellington Alves: Existem pessoas que sentem prazer nesta dor. Deste modo, para estas pessoas, estes são jogos cogitáveis . É uma concepção muito individual esta.
Vanderlei Silva Costa o que é sadomasoquismo?
Marcos Rodrigues Gomes: sofrer faz parte da vida às vezes.
Os participantes se mostraram bastante cautelosos quando levantei a questão dos jogos que causam dor e sofrimento.
João Batista Freire: Camila, ainda teremos uma aula aberta só sobre o jogo na educação.
Eduardo Abud: sentir prazer na dor!
Daniel David: O que hoje vem prejudicando um pouco o jogar ....porque hoje não temos mais nossas crianças brincando nas ruas .....eu fui criado na rua brincando ...hoje em dia devido a vários fatores ...(violência..computadores ..videogames...) esse paradigma tem que ser quebrado .......olhe hoje no Barcelona o modelo que seguem trabalha jogos situacionais.....realidades do jogo estimulam e formam jogadores inteligentes......
João Batista Freire: Eu falei do sadomasoquismo só para vocês verem que também há sofrimento no jogo.
Biba Renata Barreto Renata: discordo de você. Referenciou com Tizuko; O que é jogo para um, não necessariamente será jogo para outros. "Arco e Flecha: Objeto que pode ser utilizado como brinquedo em uma cultura, mas em outra cultura é um objeto no qual se prepara às crianças para a caça e a pesca visando à sobrevivência."
João Batista Freire: O que vocês acham do sofrimento do atleta durante a prova?
Marcos Rodrigues Gomes é grande professor
Biba Renata Barreto durante, antes e depois...
Eduardo Abud: é uma superação
Vanderlei Silva Costa: depende da superação Eduardo
José Luiz Costa: Existe diferença entre a delimitação de um espaço para fins sagrados ou para fins de simples jogo?
Renato Gomes Machado: Bom se ele tem objetivo com esse sofrimento, então Prof. João Batista Freire, não posso contrariar, mas isso só vemos hoje quando realmente encontramos, atletas como nosso saudoso Dr. Sócrates.
Cibele Venancio: se o para o atleta aquele jogo é uma obrigação, pode ser que pra ele seja um sofrimento fazer aquilo, como não temos prazer em fazer um relatório.. e sim a ação de dar aula é mais prazerosa!!
João Batista Freire: Pensem nisto: no jogo, repetimos o que já sabemos fazer. O que já sabemos se consolida, se aperfeiçoa, desafia novas aprendizagens.
Biba Renata Barreto ‎"Todo ponto de vista é visto por um ponto." Leonardo Boff
Bruno Bigoni: Não acho que o sofrimento é superação. Como atleta, para mim o sofrimento é uma situação em que estou disposto a passar para atingir meus objetivos. Não sinto prazer nele, mas se é um mal necessário.
Maisa Dias: Às vezes o que é jogo p/ mim, pode não ser pros outros. Nesse caso, o que vale é a intenção.
Cristina Simeoni: É masoquismo?
João Batista Freire: Quem conheceu Sócrates como conheci nas Caravanas do Esporte, sabe que ele sabia o que era jogo e como era importante viver jogando.
João Batista Freire: Esta aula é uma homenagem ao Dr. Sócrates, o rei da liberdade.
Vanderlei Silva Costa Bruno: se você tem que passar por um sofrimento para alcançar seu objetivo não deixa de ser uma superação...
João Paulo Ramos Oliveira: O sofrimento de um atleta pode trazer prazer ao alcançar o seu objetivo.
Daniel David: acho que estamos fugindo do foco.
Vanessa Monteiro: acredito que nem sempre esse prazer pelo jogo seja espontâneo, prazer momentâneo...
Cibele Venancio: Jogo é liberdade... é se sentir livre, no prazer... sem dor rsrs
João Batista Freire: Pensem nisto: o jogo e a imaginação. O jogo é uma fábrica de imagens. A imaginação é o mais forte atributo humano.
Douglas Eduardo: o que nos causa desequilíbrio já nos causa dor, pois nos tira da zona de conforto....
Renato Gomes Machado: meu sofrimento me leva a ser mais humano e mais amável com meus irmãos, e com o mundo.
A questão do sofrimento e da dor no jogo abriu uma brecha para discutir o jogo sob outras perspectivas.
Geisa Santana: Quando Camila escreve sobre como equilibrar o tempo do jogo com o tempo da aula isso mostra que a escola ainda é formatada com o tempo do relógio e as crianças são organizadas em cima do tempo da vida. Como mudar isso e fazer com que esse tempo da criança seja respeitado?
Biba Renata Barreto: Quiçá, o nome "jogo" surgiu quando as pessoas já estavam cansadas de "viver" e no que esse viver se transformou... Eles queriam uma palavra que representasse toda a felicidade da infância e que pudesse acompanhar ao longo de sua vida... para o "viver" não podia mais, o "jogar" foi criado.
Iurandi Lima Costa: Concordo com você Bruno, apenas discordo da maneira como finalizou. Não sinto prazer no sofrimento, mas se for necessário passar por ele para atingir algo que me trará um enorme prazer, o farei e com menos sofrimento.
Bruno Bigoni: Sim, é uma superação, mas não apenas isso, mas agora entendi o que tinha falado.
João Batista Freire: Não se preocupem, que numa discussão sobre o jogo nunca fugimos do assunto. O jogo é um sugadouro, ele nos atrai, nos puxa. Se bobearmos, somos jogados pelo jogo.
Douglas Eduardo: o jogo nos desperta a criatividade
Renata Carvalho Biba: entendi seu raciocínio, mas mesmo mudando o objetivo não deixa de ser jogo.
Biba Renata Barreto: Tudo que fazemos é jogo.
Marcos Rodrigues Gomes pode ser jogo do dia, da semana, do .
Rachel Mesquita: E na ação pedagógica somente as propostas mais abertas de ensino favorecerão o jogar e as múltiplas dimensões do jogo. Com as permissões que estas propostas de ação trazem implícitas favorecerão, em muito, o tempo prazeroso que a criança precisa para suas descobertas, suas conquistas corporais no sentido mais amplo possível.
João Batista Freire Pensem nisto: a descoberta de cada um. No jogo nos voltamos para dentro, para nós mesmos. No jogo podemos nos ver, porque nos observamos.
Renato Gomes Machado: Amar é sofrer. Para evitar sofrer, não se pode amar. Mas, então, sofre-se por não se amar.
Camila Medeiros: Boa pergunta, Geisa Santana!!! Imaginar é construir...
Biba Renata Barreto: Até um simples beber água. Às vezes eu "jogo comigo": Coloco o copo para encher e tento fazer alguma coisa antes que derrame a água. Às vezes perco, às vezes ganho...
Biba Renata Barreto: Imaginar também pode ser destruir...
Renata Carvalho: kkkk Boa Biba
Daniel David: a vida é um jogo desde o nascimento até o casamento.
Renata Carvalho: Gosto de brincar com uma ampulhetinha e fazer túnel no tempo kkkkkkkkk.
João Batista Freire: Renato, a primeira aula aberta já está disponível no CEV (Centro Esportivo Virtual), na biblioteca. Está, em uns 10 dias também estará.
João Batista Freire: A aula se aproxima do final. Deixarei algumas referências bibliográficas.
Wellington Alves: Acerca da imaginação presente no jogo professor, ela destaca seu importante papel como instrumento de controle afetivo e também por conceder às crianças o poder que lhes falta da realidade, mesmo que de forma imaginária.
João Batista Freire:
Brougère, Gilles. Jogo e educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
Buytendijk, Utrecht F. J. J. "O jogo humano", In: Gadamer, H.G & Vogler, P. Nova Antropologia, São Paulo: EPU/Edusp, vol. 4, 1974.
Cailois, Roger. Os jogos e os homens: a máscara e a vertigem. Lisboa: Cotovia, 1990.

Iurandi Lima Costa: Como disse o professor, o jogo ser um momento introspectivo. Em uma simples corrida solitária, jogamos com nós mesmos enquanto corremos, refletindo a cada passo, a cada momento.
José Luiz Costa a ideia de ganhar está estreitamente relacionada com o jogo?
Bruno Bigoni: Bom, é que simplifiquei demais meu entendimento sobre o que é sofrimento quando li e escrevi! As pessoas muitas vezes acham que o atleta sofreu muito para chegar onde está, mas baseado no que a mídia fala, vendo o atleta como aquele menino pobre que passou por tudo e venceu na vida pelo esporte. Duvido muito que ele sofreu dentro do esporte se ele gostava daquilo, pois como o professor João Batista Freire disse logo no início no caso do Sócrates, ele não se cansava para jogar.

Cibele Venancio Link do resumo da ultima aula para quem perdeu
http://cev.org.br/arquivo/biblioteca/cooperacao-competicao-aula-aberta-joao-freire.pdf
João Batista Freire Biba: o jogo é ligado à palavra "desinteresse". É jogo aquilo que fazemos desinteressadamente, sem querer nada em troca a não ser o próprio jogo.

João Batista Freire:
Chateau, Jean. O jogo e a criança. São Paulo: Summus, 1987.
Dantas, Heloísa. "Brincar e trabalhar". In: Kishimoto, Tizuko Morchida (org.). O brincar e suas teorias. São Paulo: Pioneira, 1998.
De Mais, Domenico. O ócio criativo. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.

Vanessa Monteiro: o jogo, apesar de criar diferentes possibilidades e significados, nada mais é que um resgate de nós mesmos com perspectiva de movimentos e reconhecimento do próprio corpo.
Daniel David: O Futebol e as brincadeiras de bola?????? bom?
Douglas Eduardo O jogo é uma palavra que tem 4 letras, sendo 2 vogais (O, O) e 2 consoantes (J, G), porém com uma infinidade de significados de difícil compreensão.

João Batista Freire:
Duflo, Colas. O jogo: de Pascal a Schiller. Porto Alegre, Artmed, 1999.
Ende, Michael. A história sem fim. São Paulo: Martins Fontes/Presença, 1985.
Freire, João Batista. O jogo, entre o riso e o choro. Campinas: Autores Associados, 2002.
Hess, Herman. O jogo das contas de vidro. São Paulo: Brasiliense, 1969.
Huizinga, Johan. Homo Ludens. São Paulo: Perspectiva, 1999.

João Batista Freire:
Maturana, Humberto R. & Verden-Zoller, Gerda. Amor y juego: fundamentos olvidados de lo humano. Santiago: Editorial Instituto de Terapia Cognitiva, 1994.
Piaget, Jean. A formação do símbolo na criança: imitação, jogo e sonhos. Imagem e representação. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

João Batista Freire:
Schiller, Friedrich. A educação estética do homem. Numa série de cartas. São Paulo: Iluminuras, 1995.

Wellington Alves: As aulas de EAD existentes em algumas faculdades deveriam ser assim.
Geisa Santana: Perguntem a uma criança de até 8 anos o que é Jogo, ela irá responder. As crianças sabem o que é jogo e nos também sabíamos, mas o tempo do relógio nos fez esquecer. Beijos e abraços a todos adorei....
Biba Renata Barreto Schiller, Friedrich. A educação estética do homem. Numa série de cartas. São Paulo: Iluminuras, 1995. Esse livro tem cara de ler maravilhoso!!!!
João Batista Freire: Renata, não se preocupe, a aula aberta não é para dar certezas, mas para produzir dúvidas.
Marcos Rodrigues Gomes: uma coisa que fazemos muito bem torneio inter-classes para melhorar valores dos alunos.
João Paulo Ramos Oliveira: Obrigado a todos uma boa noite, em especial para os meus amigos Cibele e Douglas.
Bruno Bigoni: Gente, até mais! Foi bem legal!
João Batista Freire Obrigado Dr. Sócrates, pelos momentos lúdicos, tão felizes, que você nos proporcionou.
Biba Renata Barreto Só me encontro, quando me perco.
Iurandi Lima: Costa Abraços
Renato Gomes Machado: abraços a todos.
Biba Renata Barreto: Só aprendo, quando me desequilíbrio.
Renata Carvalho: Epa!!!Agora que tava ficando bom!!!!
Vanessa Monteiro: boa noite pessoal, foi muito produtiva esta aula!!!!!
Daniel David: Obrigado Professor ......e recomendo a todos o livro que comprei em 1998, Pedagogia do Futebol. ainda hoje é muito atual ....e gente temos que quebrar paradigmas ......antigos ...e trabalhar num modelo Interacionista ! abraço.
Renata Carvalho: Primeiro a tempestade de ideias...agora podemos continuar...
João Batista Freire Gente, obrigado. O que vocês sabem sobre jogo dá uma biblioteca.
Geisa Santana: Professor João, saudades....preciso dessas discussões, dúvidas...para continuar a trajetória de ensinar. Obrigada!!!

Renata Carvalho: Obrigada Professor!!!Vamos continuar outro dia?
José Luiz Costa: indico a leiteura: Homo Ludens... Johan Huizinga... O autor versa sobre o instinto do jogo.
João Batista Freire: Vanderlei, coloque Centro Esportivo Virtual no google e depois vá à biblioteca.
Camila Medeiros: Valeu gente!!! Até a próxima!!!
Eduardo Do Nascimento: Galera, não participei efetivamente, mas acompanhei todo tempo...meu jogo foi de observação e foi muito bom e prazeroso...abraços à todos.
Marcos Rodrigues Gomes: obrigado por ter compartilhado esse jogo de idéias
Cibele Venancio: Tá bom João.. Um beijo.. Obrigado pelas trocas e conversas de sempre..
Tio Chambinho: Perdi essa troca magnífica de conhecimentos. Vou ler e na próxima espero contribuir. Grande iniciativa.

Os números abaixo correspondem quase exatamente às participações durante a aula aberta. Um ou outro comentário foi cortado por estar ilegível. Outros por serem apenas exclamações ou despedidas etc. O András Voros foi o colaborador que enviou essa tabela.
Nome postagens
1 João Batista Freire 78
2 Biba 26
3 Vanderlei Silva Costa 24
4 Marcos Rodrigues 21
5 Renata Carvalho 21
6 Renato Gomes Machado 20
7 Cibele Venâncio 17
8 Bruno Bigoni 14
9 Daniel Davi 14
10 Élida Capellato 11 11
11 Douglas Eduardo 10
12 Geisa Santana 10 10
13 Wellington Alves 8
14 Cristina Simeoni 5
15 Michelle Flores 5
16 Camila Mdeiros 4
17 Julio Paiva 4
18 Eduardo Abud 3
19 Iurandi Lima 3
20 José Luiz Costa 3
21 Junior Rossi 3
22 Laércio 3
23 Raquel Mesquita 3
24 Eduardo do Nascimento 2
25 João Paulo Ramos 2
26 Maisa Dias 2
27 Vanessa Monteiro 2
28 András 1
29 Daniela Barcelos 1
30 Diego Brandão 1
31 Dionisio Dizzy 1
32 Elia da Silva 1
33 Luiza Ballestero 1
34 Murilo Pessoni 1
35 Thiago Mendes
Castelo Branco 1
36 Vini Zeilmann 1
total ........ 327

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