Sentido Científico da Educação Física Brasileira na Imprensa Periódica de Ensino e de Técnicas (1932-1960)

Por: , , Lucas Oliveira Rodrigues de Carvalho e Wagner dos Santos.

XV Congresso de História do Esporte, Lazer e Educação Física - CHELEF

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Resumo

Este trabalho se configura como desdobramento da tese de doutorado (CASSANI, 2018), que analisa as orientações para a prática dos professores de Educação Física (EF), publicadas na imprensa periódica de ensino e de técnicas (1932-1960). A tese se insere no conjunto de estudos desenvolvidos no Proteoria/Ufes, que visam a compreender a Constituição das Teorias da EF no Brasil, analisando o itinerário de sistematização da(s) teoria(s) da EF no século XX. Assim, o objetivo deste estudo é dar visibilidade às teorias que ofereceram suporte para o processo de escolarização dessa disciplina, veiculadas nesses impressos (1932-1960). Ele toma como referência os pressupostos teórico-metodológicos da História Cultural (CHARTIER, 1990) e assume, como fonte, a imprensa periódica de ensino e de técnicas da EF (1932-1960). O corpus documental foi delimitado pela leitura prévia do título dos artigos presentes no Catálogo de periódicos de EF e desportos (FEREIRA NETO et. al., 2002) e da leitura na íntegra de todos os textos. Dos 1.783 artigos mapeados, selecionamos, para este trabalho, aqueles relacionados com os fundamentos teóricos da EF (387). Dentre os articulistas que buscam constituir uma unidade teórica para a EF, o major João Ribeiro Pinheiro se debruça à Pedagogia como ciência que compreende o ser humano como ele é e como ele deve ser. Em sua perspectiva, para que a obra educativa da EF fosse completa e realizada com o máximo de rendimento, era preciso se apoiar na Psicologia e Biologia, isto é, em conhecimentos que auxiliariam na compreensão da realidade, naquilo que o homem é. Da mesma maneira, essa disciplina deveria se fundamentar na ética e na Filosofia, “[...] não filosofia no sentido teórico e altamente cultural, mas ampla concepção e experiência do mundo e da vida” (PINHEIRO, 1933b, s. p.). A veiculação de um arcabouço teórico que constituísse as “matérias fundamentaes ou subsidiarias da educação physica”, no caso, a Pedagogia, Psicologia e Biologia, permitiriam aos seus leitores compreender as crianças e suas particularidades, a fim de “[...] determinar e dirigir suas aptidões e organizar sãmente o programma, que por sua vez deve ajustar-se a um systema uniforme e gradual” (AZEVEDO, 1937, p. 16). De acordo com Azevedo (1937, p. 17), os referenciais teóricos da “[...] physio-psycologia e de todas as sciencias, que formam o substractum scientifico da pedagogia, [...] e da anatomia” orientariam os professores a elaborar os seus programas. Ao veicularem artigos que tinham como objetivo lançar as bases teóricas para o ensino da EF, as revistas veem em si um canal para a formação dos professores, mantendo-os atualizados em relação aos preceitos das ciências e da Filosofia que sustentavam a EF, garantindo-lhes a formação necessária. Ou seja, era imperioso recorrer aos periódicos como uma maneira de conferir à sua prática docente um estatuto cientificista, sem “autodidatismos” (MARINHO, 1945).

Referências

AZEVEDO, Fernando de. O papel do professor moderno de educação physica. Educação Physica, Rio de Janeiro, n. 8, p. 15-17, fev. 1937.

CHARTIER, Roger. História cultural: entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 1990.

FERREIRA NETO, A. et al. Catálogo de periódicos de educação física e esportes (1930- 2000). Vitória: Proteoria, 2002.

MARINHO, Inezil Penna. Sociologia e educação física. Revista Brasileira de Educação Física, Rio de Janeiro, ano 2, n. 18, p. 12-17, jun. 1945.

PINHEIRO, João Ribeiro. A pedagogia e a educação fisica. Revista de Educação Fisica, Rio de Janeiro, ano 2, n. 6, [s. p.], mar. 1933.

Fonte de financiamento: Fundação de Amparo de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). Aprovado no Edital Universal nº 006/2014 – Projeto Individual de Pesquisa, sob o Termo de Outorga nº 541/2015 e Processo nº 67.6438.25; Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

[1] Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Ufes, membro do Instituto de Pesquisa em Educação e Educação Física (Proteoria/Ufes), e-mail: julianacassani@gmail.com

[2] Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Ufes, membro do Proteoria/Ufes, e-mail: lucasorcarvalho@gmail.com

[3] Doutor em Educação, professor do Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Ufes, pesquisador do Proteoria/Ufes, e-mail: amariliovix@gmail.com

[4] Doutor em Educação, professor do Programa de Pós-Graduação em Educação e Educação Física da Ufes, pesquisador e líder do Proteoria/Ufes, e-mail: wagnercefd@gmail.com

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