Sexualidade na Terceira Idade: Estudo de Caso das Idosas do Sesc/am

Por: Sarah Lys Mar.

59ª Reunião Anual da SBPC

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INTRODUÇÃO:

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que em 2025 o planeta terá uma população de 1,2 bilhões de pessoas com mais de 60 anos, sendo que os maiores de 80 anos comporão o grupo de maior crescimento. Por isso, a terceira idade passou a ser um grupo específico de pesquisas nas áreas médica e social. Os estudos sobre envelhecimento bem sucedido apontam o próprio idoso como regulador de sua qualidade de vida (QV), pois ao traçar objetivos e lutar para atingi-los, acumula os recursos úteis para as mudanças e manutenção do bem estar. A QV envolve aspectos como satisfação com a vida, bem-estar social, independência, controle, competências sociais e cognitivas. Assim, QV está associada à sexualidade; entendida como a maneira como homens e mulheres expressam o "ser homem" e o "ser mulher". Na terceira idade a sexualidade é muito vista e baseada em velhos estigmas privados de significados e relacionada a disfunção ou insatisfação. A idéia de que pessoas idosas não são atraentes fisicamente, não se interessam por sexo ou já não são capazes de sentir algum estimulo sexual ainda é muito difundida; idéias que são alimentadas pela natural diminuição de respostas aos estímulos (envelhecimento). Aceitar este fato é o caminho para a relação prazerosa, mesmo com a passagem dos anos.

METODOLOGIA:

A pesquisa foi desenvolvida com o grupo feminino da terceira idade do Serviço Social do Comércio (SESC/AM). Participaram 30 mulheres voluntárias, entre 57 e 84 anos. Como instrumentos de coleta de dados foram elaborados uma entrevista semi-estruturada com cinco questões abertas e um questionário com 17 questões fechadas, aplicados individualmente pelas autoras durante as reuniões periódicas do grupo. Para a análise de dados foram adotados alguns critérios: as respostas às questões fechadas, com aspectos sócio-econômicos, foram tabuladas e calculadas as percentagens, e, para as questões abertas foi criada uma escala qualitativa de valores (Muito importante, Importante, Pouco importante, Nada importante), para os diferentes tópicos expressados pelas entrevistadas.

RESULTADOS:

As entrevistadas tinham entre 57 e 84 anos (Média= 66,6 e Moda= 67). 3% eram solteiras, 10% divorciadas, 37% viúvas e 50% casadas. O grupo pode ser caracterizado como de classe média, onde 30% tinham renda mensal de 3 a 5 salários mínimos e 50% superior a 5 salários mínimos. Quanto ao grau de instrução, a amostra teve prevalência no ensino superior (37%). A maioria das senhoras participa do grupo há mais de dois anos (90%). Do total de senhoras, 67% possuem parceiro e para 57% delas, a melhor fase de sua sexualidade aconteceu entre os 35 e os 59 anos. 40% não possuem vida sexual regular. Todas sabem diferenciar sexualidade de vida sexual e identificam a sexualidade como aspecto importante (27%) ou muito importante (73%) em suas vidas. Quanto à importância da vida sexual, 37% acham que é um fator importante e 33% muito importante. Apenas para 3% das senhoras as fases preliminares da relação sexual não são importantes. Os motivos pelos quais as entrevistadas ingressaram no grupo vão desde depressão, forma de ocupação do tempo, busca de melhor QV até desenvolvimento de suas potencialidades. Surgimento de novas amizades, descoberta de talentos, o fato de se sentirem dispostas para viver e a possibilidade de encontro com um parceiro, foram alguns dos benefícios citados pelas mesmas.

CONCLUSÕES:

O grupo caracterizou-se pelo alto grau de instrução e boa situação econômica. Trata-se, portanto, de um grupo esclarecido e informado que consegue diferenciar claramente sexualidade de vida sexual, assumindo-as de forma prazerosa, com ou sem parceiro e, sobretudo, reconhecendo as limitações próprias da idade e da vida social em que estão inseridas. São idosas que ao se encontrarem diante de várias situações de conflitos emocionais e que ao passarem a conviver com outras senhoras, encontraram o caminho para uma melhor QV, mesmo estando em uma idade avançada. Todas identificaram a prática de atividades físicas, como elemento fundamental para o melhoramento da QV, já que estas lhes permitem suprir carências causadas pelas mudanças fisiológicas. Práticas como hidroginástica, caminhadas e dança, são constantes na vida dessas senhoras e consideradas pelas mesmas como essenciais para um envelhecimento harmonioso e uma vida sexual satisfatória. Para o grupo de mulheres pesquisadas, a sexualidade é algo muito claro em suas vidas, notando-se ainda, que aquelas que possuem parceiro gozam de uma vida sexual saudável e prazerosa, contrariando ainda alguns estudos que apontam o incômodo durante a penetração como uma das dificuldades para uma vida sexual regular das idosas.

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