Resumo

Este estudo, de natureza qualitativa, teve por objetivo investigar e analisar (a partir de uma perspectiva Arqueológica) o discurso do jornalismo esportivo sobre as torcidas organizadas de 1969-2020. Para contemplar a este objetivo de identificação dos enunciados provenientes do jornalismo esportivo, a tese se baseou na Arqueologia de Michel Foucault (FOUCAULT, 2008), aliando assim, a pesquisa bibliográfica com a pesquisa exploratória no Arquivo construído para esta investigação. Tal Arquivo foi composto pelas produções jornalísticas que envolviam as torcidas organizadas e que foram veiculadas na fonte primária (Revista Placar) e nas secundárias (jornais “O Estado de São Paulo” e “A Folha São Paulo”). Os dados foram analisados de acordo com os procedimentos Arqueológicos, buscando identificar a regularidade discursiva em meio à dispersão. Após a realização do aspecto metodológico 2.258 produções jornalísticas de diferentes formatos (reportagem, entrevista, notícias, crônicas, colunas, etc.) foram analisadas. A análise do Arquivo identificou 3 grandes regularidades discursivas, ou seja, 3 discursos acerca das torcidas organizadas: i) fidelidade; ii) pressão, cobrança; iii) violência. Posteriormente, à identificação dos discursos destacou-se o acontecimento foucaultiano, que se configura como uma transformação na quantidade, estrutura e conteúdo das produções jornalísticas sobre torcidas organizadas. Em relação à análise do elemento da violência nestas produções jornalísticas, de modo geral, pode-se dizer que os periódicos investigados restringiam o fenômeno da violência à determinado tipo de aparição: a violência física. Por fim, destaca-se que o jornalismo esportivo deve se constituir como lócus para o debate sobre a violência no futebol e contribuir para a circulação de informações. Tal cenário pode ser positivo para a geração de uma nova identidade torcedora.

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