TQR e TRIMP Como Estimadores do Estado de Recuperação de Atletas Após Uma Partida de Futebol

Por: J. H. S. Conde, L. F. Novack, P. L. Franceschi, R. Osiecki e T. B. G. Rubio.

IX Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana XV Simpósio Paulista de Educação Física

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Resumo

O futebol possui ações técnicas envolvem sprints, arranques, paradas bruscas e constantes mudanças de direção. Nesse sentido, o trabalho muscular realizado pelos atletas é alto, gerando um impacto significativo sobre esse sistema. Adicionalmente, o futebol praticado em alto nível tem um calendário de jogos intenso, nos quais os times geralmente jogam a cada 3 dias. Dessa forma é necessário que o atleta tenha um tempo de recuperação adequado e que os treinadores tenham ferramentas capazes de fornecer informações sobre o estado de recuperação de seus jogadores. A enzima creatina quinase (CK) está presente no músculo esquelético; com o trabalho muscular há extravasamento desse metabólito para o sangue, sendo utilizada como parâmetro de dano muscular e recuperação após o exercício. Contudo o método supracitado é invasivo e caro; por outro lado, escalas de esforço percebido, tais como a Total Quality Recovery Scale (TQR) e a multiplicação da Percepção Subjetiva de Esforço (PSE) da sessão pelo tempo de exercício (TRIMP) parecem ser uma alternativa. De nosso conhecimento, ainda não foi estudada uma possível correlação entre biomarcadores de dano muscular e escalas de esforço percebido com a finalidade de avaliar o estado de recuperação e prevenir o over-training de atletas profissionais após uma partida de futebol. Sendo assim, de acordo com o exposto acima, o objetivo do presente estudo foi correlacionar o TRIMP e a TQR com os níveis de CK em atletas de futebol profissional. Dez atletas profissionais (massa corporal 76.1 ± 7.9 kg, altura 1.75 ± 0.07 m, idade 26.6 ± 4.5 anos, IMC 21.66 ± 1.58 kg"m-2), participaram de uma partida válida pelo campeonato brasileiro de futebol. Foram excluídos da amostra o goleiro e três jogadores que vieram do banco de reservas durante o segundo tempo de jogo. A PSE da sessão foi coletada 30 minutos após a partida através da escala CR- 10 de Borg (1982) adaptada por Foster et al., (2001), 24h após a partida foi coletado sangue dos atletas e aplicada a escala TQR proposta por Kenttä e Hasmén (2002). Posteriormente, os níveis de CK foram analisados pelo sistema ReflotronSprint® (F. Hoffmann-La Roche Ltd, Switzerland). A normalidade dos dados foi testada e aceita pelo teste de Shapiro-Wilk, os dados expressos em média e desvio padrão. Para a correlação entre variáveis foi utilizada a correlação simples de Pearson e o nível de significância adotado foi P<0.05. Foram encontradas correlações significativas entre a CK e a TQR (r = -0.74, P = 0.01328) e entre a CK e o TRIMP (r = 0.72, P = 0.01744). Os valores médios para o tempo de partida, PSE da sessão, concentração de CK sanguínea, escores na escala TQR e TRIMP foram, respectivamente, 86.6 ± 7.5 min, 6.7 ± 1.9, unidades 1191±871.2 U/L-1, 12.1±2.8 unidades e 578.8 ± 177.1 u.a. De acordo com nossos resultados, tanto a TQR quanto o TRIMP parecem ser ferramentas que podem ser usadas para estimar o nível de recuperação de atletas profissionais de futebol após uma partida.

Endereço: http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/view/10060/10060

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