Trabalhar Gênero na Aula de Educação Física Por Meio de Esquema Corporal: Relato de Experiência

Por: Dener Thimoteo Corrêa, Ricardo Ruffoni e Vilma da Silva Correia.

XX Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte e VII CONICE - CONBRACE

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Resumo

1 INTRODUÇÃO
O engajamento dos bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) Educação Física-Temas Transversais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, proporciona aos graduandos, o desenvolvimento da prática à docência em escolas do Município de Seropédica/RJ, e possibilita debater questões como gênero e respeito nas aulas.
A falta de respeito entre meninos e meninas do I Segmento do Ensino Fundamental nas aulas de Educação Física Escolar, ocasionou uma intervenção, para discutir questões de gênero por meio de uma atividade de esquema corporal, a fim de amenizar as tensões que ocorrem entre os alunos, pontuando a importância do respeito para o bem estar entre eles, pois, o respeito é uma forma de acolher o que não está de acordo com o ‘padrão’. “A discussão sobre gênero propicia o questionamento de papéis estabelecidos a homens e mulheres na sociedade, a valorização e a flexibilização desses papéis” (BRASIL, 1997, p.35).
O trabalho teve por objetivo orientar os alunos a refletir sobre questões de gênero e respeito ao próximo.

2 METODOLOGIA 
Estudo de caráter qualitativo com características de relato de experiência, realizado em uma escola no município de Seropédica com turmas do I Segmento do Ensino Fundamental, durante uma aula de Educação Física. “A pesquisa qualitativa não pode ser expressa em números” (SILVA, 2005, p.20).
A turma foi dividida em dois grupos, sendo um composto por meninos e o outro por meninas. Uma criança de cada grupo se deitou no chão sobre uma folha de papel pardo e, foi solicitado que os componentes dos respectivos grupos fizessem o contorno do corpo na folha com uma caneta pilot. Em seguida, os grupos trocaram de lugar, e foram orientados a caracterizar o gênero oposto, permitindo avaliar os conceitos que meninos e meninas têm sobre o gênero oposto. 
Havia materiais duplicados para que os grupos pudessem caracterizar a imagem do gênero, da forma que julgasse melhor. Eles dispunham de canetinhas, (roupas masculinas e femininas, pulseiras, colares, bonés, anéis, laços, óculos escuros, etc.), confeccionados com papéis diversos e cores variadas pelos bolsistas.
Após a caracterização foi feito uma roda de conversa.

3 DISCUSSÃO
As silhuetas corporais do gênero oposto foram caracterizadas de acordo com estereótipos pré-estabelecidos pela sociedade, com roupas rosa e lacinhos para as meninas e roupas azuis e bonés para os meninos, mesmo tendo a disposição, variedades de roupas, cores e adornos. Questionados sobre os critérios de escolhas utilizados na caracterização, as turmas foram unânimes em dizer que determinadas vestimentas são de meninos e outras de meninas. Segundo Pereira e Mourão (2005, p.206-207) “É a sociedade quem cria padrões de feminilidade e masculinidade que são considerados ‘normais’ ou ‘desviantes”.
O ato de respeitar e ser respeitado devem ser hábitos rotineiros para uma boa relação social, cada indivíduo deve se sentir a vontade para usar o que quiser, praticar o esporte de sua preferência e não o que a sociedade impõe como sendo o correto. As intervenções didáticas podem propiciar experiências de respeito às diferenças e de intercâmbio [...] (BRASIL, 1997, p.84).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através da intervenção, percebeu-se que, algumas crianças desde cedo reproduzem comportamentos de discriminação contra quem não se enquadra nos padrões estereotipados pela sociedade em que vivem. Mas a atividade proposta tornou possível levá-los a refletir sobre a importância do respeito entre gênero, iniciando a desconstrução de pensamentos limitados.

Endereço: http://congressos.cbce.org.br

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