Trajetórias e Percepções no Judô Feminino Brasileiro de Alto Rendimento

Por: Gabriela Conceição de Souza.

173 páginas. 2016 22/08/2016

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Resumo

Esta tese tem como objetivo analisar percepções de integrantes do judô feminino brasileiro de alto rendimento sobre este esporte. Através de entrevistas de elite com atletas do judô feminino de alto rendimento, desenvolvi três capítulos. As análises realizadas, a partir das entrevistas, têm a intenção de preencher a lacuna sobre a visibilidade e voz das mulheres empoderadas deste esporte. No primeiro capítulo, relato a história de vida da técnica Rosicleia Campos, desde sua transição para técnica em 2000 até 2012. Os objetivos deste capítulo são identificar e interpretar as percepções da técnica da seleção brasileira de judô feminino, desde sua chegada à Seleção Brasileira, em 2000, até a conquista do ouro olímpico, em 2012. Rosicleia Campos foi entrevistada e falou sobre sua transição de atleta para técnica, sobre suas dificuldades em permanecer no cargo, e sobre como concilia a vida pessoal com a profissional. As categorias analíticas são “dificuldades enfrentadas”, “alternativas disponíveis” e “decisões tomadas”. O estudo constata que Rosicleia Campos rompeu o “teto de vidro”, que dificulta às mulheres galgar posições de comando no esporte. No segundo capítulo, relato a história de vida de Edinanci Silva, desde sua chegada ao alto rendimento em 1994, até sua ultima participação em Jogos Olímpicos em 2008. O objetivo é interpretar sua contribuição para o esporte como atleta e sua trajetória identitária. Em entrevista, Edinanci retratou sua chegada ao alto rendimento e os preconceitos que sofreu ao integrar a Seleção Brasileira de Judô Feminino. As categorias “dificuldades”, “oportunidades” e “treinamentos” foram selecionadas para a análise. Edinanci Silva passou por situações de preconceitos dentro e fora dos tatames, mas sua capacidade de superação a tornou a atleta do judô feminino com o maior número de Jogos Olímpicos e participações em campeonatos internacionais. O terceiro capítulo teve como objetivo analisar as percepções de atletas da Seleção Brasileira de Judô sobre sua feminilidade. Foi realizada entrevista com dez atletas da Seleção Brasileira de Judô. Além das entrevistas, foram observados quatro treinamentos da Seleção Brasileira no centro de treinamento da Confederação Brasileira de Judô no Rio de Janeiro. As atletas mostraram que existe uma ressignificação de suas percepções de feminilidade, sobretudo quando levando em consideração a necessidade de uma compleição corporal que questiona os valores sociais do “ser feminina”. Os resultados desta tese indicam que o judô feminino de alto rendimento vem avançando. Entretanto, as dificuldades apresentadas por Rosicleia Campos, Edinanci Silva e as atletas da Seleção Brasileira demonstraram que não há uma legitimidade e que é preciso verificar até que ponto os avanços na participação feminina no judô são decorrentes de ações individuais das protagonistas deste esporte, e quais são os preços sociais que as atletas pagam para fazer a própria carreira.
 

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