Um Brazuca em Shanghai (III)

Por: .

Blog do Jorge Knijnik - 2016

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A VIDA COMO ELA é EM SHANGHAI – Tarde livre! Pego meu guarda-chuvinha e vou andar pelo bairro próximo a universidade e adjacências com um colega holandês  que precisa comprar um sapato para a sua apresentação no dia seguinte. Vamos a um shopping, ele não acha nada. Digo adeus ao comprador que vai a procura de outras lojas,  e me embrenho pelas ruas internas da vizinhança. Hora de flanar em Shanghai. Chove muito, e as bicicletas estão a toda. Assim como a vida naquela tarde molhada. Marco de cabeça meu ponto inicial, para voltar ali caso me perca. Já um pouquinho longe da avenida do shopping e das redes comodificadas de fast-food, a vida em Shanghai vai se revelando. São centenas de pequenos negócios, lojinhas de tudo: lavanderias, consertos de maquinas e bicicletas! Borracharias, mercearias, açougues, cabeleireiros; frutarias, farmacinhas, lanchonetes que vendem noodles e outras comidas variadas que eu não arriscaria entender... Tudo pequeninho, pequenas portinhas que se abrem para a rua. Em geral, vazias, com o dono ou a dona dentro, esperando...o trem? Como será que sobrevivem, estes comerciantes minúsculos ? Comprando uns dos outros? Economia de troca? Algumas avós começam a passar carregando seus netinhos bem novinhos, como são fofxs os chinesinhxs de três e quatro anos! Parece que o turno escolar esta terminando... E o dia também, consigo enxergar atrás dos biombos das lojas pessoas mais maduras se entretendo ao redor de mesas em jogos de cartas e tabuleiros (xadrez-chinês?). Avalio que, tomado pela emoção, entrei demais pelo bairro, e acho que me perdi; não vai ser fácil achar os cartazes ou sinais que me levem de volta em meio a estes hieróglifos chineses...Agora entendo os asiáticos que vemos fotografando tudo em nossas cidades... Eu sinto a mesma vontade de fotografar todos os detalhes, eternizar aqueles momentos... Estranhamente, tudo aquilo me evoca... o Recife antigo! Aquela tarde molhada e a explosão de vida diária que ali acontece, em meio as lojinhas pequenas que funcionam embaixo dos prédios onde as pessoas certamente moram...aquele caos urbano onde a vida cotidiana brota, tudo isso inexplicavelmente se assemelha a minha terra do coração ! Com minha sombrinha já despedaçada pelo vento incessante (tufão a vista?) que nos encolhe, sinto saudades. Seria hora de dançar um frevo compassado, triste? Ou hora de, carregado por estas saudades, rever os amigos batutas de São José? Mineiramente, conformado como um Drummond sem a chave das palavras tampouco da vida, acho meu caminho de volta ao hotel.

27/out/2016

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