Um Ensaio Sobre a Materialização das Percepções de Força Entre Praticantes do Esporte de Escalada

Por: Virgínia Squizani Rodrigues.

31ª Reunião Brasileira de Antropologia

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Resumo

Este trabalho olha para as práticas corporais de pessoas praticantes do esporte de escalada em rocha a partir de uma perspectiva das técnicas corporais propostas por Marcel Mauss (2017), bem como o conceito de corporeidade proposto por Thomas Csordas (2008) e algumas inquietações provocadas pela leitura de Bodies that matter (2011) da filósofa Judith Butler e pela proposta da valência diferencial dos sexos de Françoise Héritier (1996). Na primeira parte do trabalho localizo algumas de minhas observações a fim de ilustrar a prática de escalada esportiva como fundo etnográfico para, em seguida, deliberar acerca dos modos como a percepção de força se materializa nos diferentes corpos, assim como por eles é materializada. Desejo, com a questão de uma técnica corporal que visa a maestria de uma combinação de força, resistência, concentração e equilíbrio, pensar o que a percepção de força corporal pode nos dizer sobre a materialização da valência diferencial dos sexos (HÉRITIER, 1996) em corpos das sociedades complexas. É do senso comum ouvir que homens são “naturalmente” mais fortes que mulheres e que, portanto, são mais adeptos a atividades que demandam de força muscular. Até certo ponto, acredito que somos capazes de facilmente observar tal diferença e tomá-la como fato. Entretanto, acredito ser frutífero refletir sobre até que ponto um certo acúmulo de técnicas corporais desenvolvidas de modo diferencial desde a nossa infância não fez de corpos dados como masculinos, corpos de maior força anatômica e corpos dados como femininos, corpos menos fortes, pois menos expostos ao desenvolvimento de técnicas corporais anatômicas de força. Inspirada no pensamento de Butler (2011) que elabora sobre a materialidade do sexo e denuncia os processos de ontologização deste e, consequentemente, o apagamento dos processos de construção das relações impregnadas de poder, procuro olhar para aquilo que é visto como natureza (neste caso em específico, a força anatômica do corpo), como algo que também é construído. Afinal, seria muito arriscado dizer que a percepção dos modos como diferentes técnicas corporais são aplicadas ao longo de nossas vidas, por vezes, são apagadas e, portanto ontologizadas a ponto de nos fazer crer que exista uma "força natural" do corpo masculino que inexistiria no corpo feminino? Neste trabalho, esta e demais questões são pensadas através do esporte de escalada que se mostra como um excelente campo para pensar o corpo e, a partir deste, o estar e o operar no mundo.
 

Endereço: http://www.evento.abant.org.br/rba/31RBA/T-158

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