Variabilidade de Freqüência Cardíaca em Adultos Sedentários e Treinados

Por: Alberto Barreto Kruschewsky.

59ª Reunião Anual da SBPC

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INTRODUÇÃO:

Crescente atenção tem sido dada por pesquisadores aos efeitos crônicos do exercício físico sobre o controle autonômico da função cardiovascular, devido ao fato de evidências demonstrarem que elevado tônus simpático e/ou reduzido tônus parassimpático constituem fatores de risco para a ocorrência de diferentes problemas cardíacos. Nesse contexto, a variabilidade da freqüência cardíaca (VFC), termo convencionalmente aceito para descrever as oscilações de intervalos entre batimentos cardíacos consecutivos (iRR), tem sido importante ferramenta de avaliação não invasiva. Análises da VFC nos domínios do tempo e da freqüência têm sido empregadas para o estudo da eferência autonômica cardíaca, sendo que a segunda, em condições estacionárias como o repouso, possibilita a quantificação das atividades simpática e parassimpática sobre o coração. Empregando análises da VFC alguns autores têm reportado dados controversos acerca dos efeitos do treinamento aeróbio sobre a atividade autonômica cardíaca de adultos saudáveis. Dessa forma, o presente estudo objetivou comparar grupos de indivíduos praticantes de treinamento aeróbio e sedentários no que se refere aos indicadores de atividade autonômica sobre o coração na condição de repouso.


 METODOLOGIA:

Quatorze homens saudáveis (35,2 ± 5,4 anos; 172,0 ± 6,5 cm; 70,9 ± 10,1 kg e 15,9 ± 5,8 % de gordura corporal), foram divididos em grupo treinado aeróbio (GT, n = 7) e grupo sedentário (GS, n = 7), compostos respectivamente por praticantes regulares de corrida ou ciclismo há pelo menos dois anos, e indivíduos sem histórico de atividade física regular no mesmo período. Os voluntários tiveram monitorados intervalos RR (iRR) (Polar S810, Polar) durante 15 minutos de repouso supino com freqüência respiratória a 0,25 Hz. Trechos de 5 minutos foram selecionados e analisados (S-Plus for Windows 11.0) para determinação da VFC no DT e DF. No DF foram quantificados os componentes vagal (AF) (0,15 a 0,4 Hz) e simpático (BF) (0,04 a 0,15 Hz), além da relação entre BF e AF (BF/AF), indicativa do balanço simpato-vagal. No DT foram calculados o desvio padrão dos iRR normais (SDNN), indicador da VFC total, a porcentagem dos iRR adjacentes com variação maior que 50 ms (pNN50) e a raiz quadrada da média dos quadrados das diferenças entre iRR adjacentes (RMSSD), considerados indicadores da atividade parassimpática sobre o coração. Os resultados são expressos em média ± desvio padrão e para as comparações foi empregada a análise não paramétrica Mann-Whitney, com significância aceita para p < 0,05.

RESULTADOS:

Não foram verificadas diferenças significativas (p > 0,05) entre GS e GT no que se refere a idade (36,8 ± 3,3 vs 33,6 ± 6,8 anos), altura (171,8 ± 8,2 vs 172,1 ± 4,9 cm) e porcentagem de gordura corporal (17,1 ± 7,5 vs 14,8 ± 3,8 %). Contudo, GS apresentou maior massa corporal (p < 0,05) quando comparado a GT (74,5 ± 12,0 vs 67,3 ± 6,7 kg). Em se tratando da VFC no DF, foram observadas diferenças significativas (p < 0,05) entre GS e GT para AF (29735 ± 30696 vs 79072 ± 40223 ms2/Hz), mas não (p > 0,05) para as demais variáveis analisadas: BF (10566 ± 7128 vs 25264 ± 25640), BF/AF (0,652 ± 0,485 vs 0,367 ± 0,284), BFun (35,287 ± 17,244 vs 24,381 ± 14,036) e AFun (64,712 ± 17,244 vs 75,618 ± 14,036). No DT, GS apresentou valores significativamente menores (p < 0,05) para a média dos iRR (897 ± 124 vs 1039 ± 112 ms), SDNN (41 ± 16 vs 67 ± 23 ms), RMSSD (35 ± 22 vs 64 ± 25 ms) e pNN50 (14,9 ± 17,8 vs 39,4 ± 20,5 %).

CONCLUSÕES:

Alguns estudos sugerem ser o treinamento aeróbio capaz elevar a atividade parassimpática e, por vezes, reduzir a eferência simpática sobre o coração de indivíduos previamente sedentários, com diminuição da ocorrência de fibrilação ventricular e outros problemas cardíacos. Entretanto, em outras investigações a prática de exercícios não levou a tais alterações. Os resultados do presente estudo indicam maior variabilidade total de freqüência cardíaca e maior atividade parassimpática sobre o coração de praticantes de atividade aeróbia quando comparados a sedentários, sugerindo que o exercício regular pode influenciar a atividade autonômica cardíaca de adultos saudáveis na condição de repouso. No entanto, o desenho transversal e o número restrito de voluntários constituem limitações da presente investigação. Dessa forma, mais estudos são necessários para melhor compreensão dos efeitos crônicos de diferentes tipos de exercício físico sobre a atividade autonômica cardíaca em diferentes populações.

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