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Atividade Esportiva Deve Estar Integrada Ao Projeto Pedagógico Escolar



Pessoal, o entrevistado do Portal do Professor é o cevnauta Vicente Molina Neto http://cev.org.br/qq/molina/ . Laercio

EDUCAÇÃO

Atividade esportiva deve estar integrada ao projeto pedagógico escolar Métodos de ensino “Benefícios do esporte estão localizados na formação humana dos estudantes, em seus desdobramentos físicos, intelectuais e ético-morais", ressalta especialista   por Portal BrasilPublicado: 07/08/2014 17:47 Divulgação/Portal do ProfessorSegundo Professor Vicente Molina Neto, programas sociais esportivos devem ser desenvolvidos em consonância com projeto pedagógico escolar

O professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Vicente Molina Neto acredita que o desenvolvimento do esporte na escola como conteúdo da educação física escolar só faz sentido quando está integrado ao projeto pedagógico da instituição de ensino.

Em entrevista coletiva concedida ao Portal do Professor, o educador comenta a importância do esporte durante a trajetória escolar. “Os benefícios do esporte estão localizados na formação humana dos estudantes, em seus desdobramentos físicos, intelectuais e ético-morais e no desenvolvimento humano das sociedades historicamente localizadas”, afirma.

Na UFRGS, Molina coordena o grupo de pesquisa F3P-Efice – Grupo de Estudos Qualitativos Formação de Professores e Prática Pedagógica em Educação Física e Ciências do Esporte.

Também participa do grupo Formación Inovación y Nuevas Tecnologias e do Centro de Estudios sobre los Cambios en la Cultura y en la Educación, ambos da Universidade de Barcelona (Espanha), onde cursou doutorado em filosofia e ciências da educação, participou de pós-doutorado e fez estágio sênior como professor convidado.

Ele tem licenciatura em educação física, mestrado em educação e experiência nas áreas de formação de professores de educação física e de esporte escolar.

Jornal do Professor – Qual é a importância de desenvolver atividades esportivas na escola?

Vicente Molina Neto – Esse conjunto de perguntas é o mesmo que a área de conhecimento educação física se faz há mais de 40 anos. E nesse tempo todo foram respondidas desde diferentes perspectivas teóricas.

No meu ponto de vista, o desenvolvimento do esporte na escola como conteúdo da educação física escolar só faz sentido quando está integrado ao projeto pedagógico da escola e quando isso é entendido por toda a comunidade escolar, não só por um coletivo docente específico.Para entender a questão do esporte na escola é necessário pensar em um erro histórico de preposição – é de preposição mesmo.

Historicamente, governos têm tentado “desenvolver o esporte na escola como meio de desenvolvimento humano e social”. Fracassam porque o esporte que vem acontecendo na escola é de certo modo diferente do esporte no sentido que a sociedade em geral dá ao conceito.

O sentido que os estudantes dão, quando pedem ao professor de educação física para jogar bola, é diferente do que pensam os gestores quando propõem políticas públicas de incentivo ao esporte na escola.

Nesses casos, os adultos antecipam o desenvolvimento de hábitos higiênicos, respeito às regras do jogo e uma série de valores do mundo adulto, como o aumento do quadro nacional de medalhas olímpicas. Já as crianças e adolescentes, quando jogam bola na escola, apostam em celebração e na transgressão das normas em que não acreditam.

Portanto, como alguns colegas já disseram, é importante pensar o esporte da escola. É nessa perspectiva que penso estar a importância do esporte da escola como conteúdo da educação física. Na medida em que amplia a cultura corporal de movimento dos estudantes.

– Quais os benefícios que o esporte pode trazer para crianças e adolescentes (físicos, comportamentais, emocionais...)?

– Na perspectiva que antes explicitei, os benefícios do esporte estão localizados na formação humana dos estudantes, em seus desdobramentos físicos, intelectuais e ético-morais e no desenvolvimento humano das sociedades historicamente localizadas. O esporte da escola brasileira traz grandes benefícios ao desenvolvimento da sociedade brasileira. Ajuda, integrado com outros processos de socialização, na construção do cidadão brasileiro.

– Quais as principais modalidades esportivas que podem ser desenvolvidas na escola? Há algumas mais adequadas ao ambiente escolar do que outras? Por quê?

– Não há uma modalidade esportiva melhor do que outra a ser ensinada na escola. Tampouco há alguma que seja proibida. O que as escolas precisam para o desenvolvimento da educação física em toda sua plenitude, incluído o esporte da escola, é espaço – aberto, coberto, verde. Enfim, espaço onde possam ser desenvolvidos, pelo professorado de educação física, os esportes, os jogos, as lutas, as atividades de comunicação e expressão corporal, a dança o folclore etc.

– Os professores de educação física estão capacitados para desenvolver atividades esportivas nas escolas? É importante participar de cursos de especialização? Qual o papel das instituições universitárias nesse aspecto?

– Tudo o que há de bom e ruim no esporte da escola tem uma luxuosa contribuição do professorado de educação física. Em face da constituição histórica da disciplina educação física, o professorado sabe bastante de esporte, mas muito pouco de criança e de adolescente. Sabe muito sobre as regras do jogo, mas pouco como lidar com estudante com dificuldades de aprendizagem.

Sabe muito sobre os aspectos biodinâmicos do movimento, mas pouco sobre ler contextos de ensino e aprendizagem. Poucos sabem fazer análise de conjuntura com o fim de integrar seu ensino a um projeto educacional consistente.

Também há muitos cursos bons, principalmente nas universidades federais. Na UFRGS, promovemos uma reforma curricular importante. Acredito que seja o melhor currículo de educação física do Brasil.

Centramos as ações nos interesses dos estudantes a partir da pergunta: que saberes são necessários para que o professor de educação física atue de modo competente nos diferentes lugares nos quais a educação ganha concretude e tem visibilidade?

Com ele, corrigimos grande parte da fragmentação dos saberes da área de conhecimento e os integramos através de atividades interdisciplinares, contribuímos com a organização do tempo dos alunos (ensino e trabalho; ensino e pesquisa; ensino e extensão; ensino e tempo para estudar) e com ele contribuímos com algo que a departamentalização da universidade tinha retirado dos alunos – a possibilidade das turmas, o grupo, a integração, a possibilidade da formação política face a face.

Contudo, não foi uma tarefa tranquila e unânime, na medida em que discutir currículo e formação do professorado enseja uma série de debates sobre concepções de mundo e de educação.

Hoje, na Escola de Educação Física da UFRGS, os estudantes saem preparados para trabalhar em todos os ambientes de ensino e aprendizagem. Ainda mais, são capazes de trabalhar com equipes multidisciplinares e liderá-las.

Contudo, devem continuar estudando porque o fato de um estudante ter uma boa formação inicial não dispensa a formação continuada, a especialização e a continuidade dos estudos.

– De que forma o Brasil pode estimular a formação de novos atletas?

– O desenvolvimento do esporte, da dança, dos jogos, das lutas passa pela educação física regular. Se quisermos estimular a formação de estudantes qualificados, com sólida formação humana na cultura corporal do movimento humano, coloquemos esses programas sociais sob a tutela do projeto pedagógico da escola e da educação física regular. Ofereçamos as condições e avaliemos os resultados na comunidade escolar.

– Algum país poderia servir de exemplo ao Brasil com relação ao desenvolvimento de atividades esportivas na escola? Por quê?

– O Brasil é o modelo dele mesmo. Há que ter paciência histórica. A formação e o desenvolvimento humano não se fazem por decreto. Temos coisas a aprender com os outros, mas eles também têm muito que aprender conosco. Vejam o caso do futebol. A grande maioria dos treinadores europeus de sucesso não se cansa de dizer que adaptou a suas realidades o modelo brasileiro de jogar futebol.

Acredito na educação integral e na escola com horário expandido, não para fazer os deveres das disciplinas de caráter intelectual, mas para fazer atividades que integrem o esporte, a dança o teatro, o artesanato, a música e o exercício filosófico – a escola de Atenas.

Enfim, atividades alternativas ao currículo escolar de base intelectual. Aqueles estudantes que pretendam se dedicar ao aprimoramento esportivo, com vistas à profissionalização, que tenham oportunidades e meios, dentro e fora da escola. A escola não é uma ilha. A comunidade também educa.

Fonte: Portal do Professor
http://www.brasil.gov.br/educacao/2014/08/atividade-esportiva-deve-estar-integrada-ao-projeto-pedagogico-escolar

Comentários

Por Roberto Affonso Pimentel
em 09-08-2014, às 08h50.

Mais uma vez obrigado Laércio,

O tema é exatamente o que estamos trabalhando no Procrie (www.procrie.com.br/):

  • Formação Continuada de Professores;
  • Esporte Escolar.

Percebo que não estou sozinho e agora tenho em quem me apoiar e trocar ideias para aprender e servir ao professorado. Acabo de enviar mensagem ao Vicente, via UFRS.

Foi muito feliz na transcrição! Grato.

Por Amauri Aparecido Bassoli de Oliveira
em 11-08-2014, às 16h47.

Grande Molina!

Fico contente com o reforço que o Molina dá à matéria da Educação Física Escolar e do valor do esporte nesse processo (aqui o Esporte da Escola), pois temos falado e produzido sobre esse tema dentro desta mesma perspectiva desde a década de oitenta.

As mudanças em Educação são lentas mesmo, mas continuarmos alertando e chamando a atenção para a temática, reforçando a ideia da reflexão, da mudança, da perspectiva integradora e participante é sempre muito importante.

De toda forma, temos tentando contribuir com a Educação de Tempo Integral (tempo ampliado de escola) com o apoio ao Programa Mais Educação disponibilizando a tecnologia educacional desenvolvida pelo Programa Segundo Tempo. Muito há por ser feito, trata-se de uma construção continuada desse processo. Mas com avanços significativos e muito próximo do chão da escola. As possibilidades de atender à realidade escolar não é nada fácil, ainda mais em um país tão desigual como o nosso, com realidades e situações díspares.

Mas desistir nunca, sempre procurando apoiar iniciativas que possam valorizar a área, o profissional e sua intervenção pedagógica na escola.

O Molina demonstra mais uma vez essa importânica.

Amauri 

Por Rildo Ansaloni Gomes
em 23-11-2014, às 21h57.

Primeiramente parabenizar o Molina pelas belas palavras, são profissionais assim que nos motiva a continuar seguindo em frente. E também opinar sobre a Educação de Tempo Integral que seria uma forma de preparar melhor os estudantes para o mundo, apesar de não ser nada fácil devido a realidade da educação no país, mas é como o Amauri comentou, "desistir nunca". 

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