Educação Física e Esporte

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Filiar-se a Uma Associação Científica = Cidadania Profissional



Cevnautas, desde que o cientista Isaias Raw sugeriu, na Veja, que algumas profissões que não leem muito poderiam ser de segundo grau, a gente vem esbravejando que SIM; Educação Física é de nível superior. O problema é o comportamento da turma. Uma profissão de nível superior exige a afiliação dos profissionais em 4 instâncias: Associação Profissional, Sindicato, Conselho e Sociedade Científica. O pessoal argumenta com preguiça que - quando muito - uma "já tá bão". A % de cumpanhêros filiados às sociedades científicas beira a inexistência. Falta cidadania profissional, pois. Colo abaixo a explicação do presidente da ABED sobre a filiação a uma sociedade científica. É só trocar Educação a Distância por Educação Física. Laercio

Por que Pertencer a uma Sociedade Científica?

Essa discussão tem que ser precedida pela constatação de que é inteiramente possível fazer educação a distância (EAD) como profissional, sem ter uma atitude “científica”, isto é, sem se preocupar com uma preparação sistemática e exaustiva no seu trabalho, sem a manutenção de registros analíticos quantitativos e qualitativos das operações, e sem a elaboração de relatórios finais que deixam bem clara o que funciona e não funciona e por quê. Mas não é possível atingir e manter um nível de qualidade por muito tempo porque a improvisação constante, a comunicação oral precária e a dificuldade em poder comparar dados devido à não-sistematização, não permitirão uma compreensão segura do processo, ou sua evolução de forma sustentável.

A “essência da ciência” sempre foi a comunicação entre profissionais, organizados segundo suas áreas de especialização, e reunindo-se presencialmente com regularidade em conferências, congressos e simpósios em escala global e local, bem como nos intervalos destes, usando mídia impressa e eletrônica para intercambiar informação e conhecimento. Tais comunicações são relatórios de pesquisas, outras são experiências significativas ou ensaios teóricos cuja intenção é de adicionar novos dados e novas idéias à área específica, dando celebridade aos pesquisadores/autores e suas instituições.

As mais antigas sociedades científicas (em inglês chamadas “learned societies”) surgiram na Europa no século 17 para organizar os encontros e as publicações de cada área de conhecimento. Seus membros, através dos diferentes conselhos, comitês e grupos de interesse, determinam a configuração do paradigma da área, isto é, o que pode ser considerado dentro e fora dela, o que pode ser considerado uma “contribuição original”, algo inovador, de qualidade, ou merecedor de premiação. Quem não participa da sociedade científica de sua esfera de atuação dificilmente pode ter um impacto significativo entre os membros da comunidade especializada porque não teria suas idéias corroboradas por seus “pares”, que selecionam as comunicações para as publicações e conclaves das sociedades científicas.

Enquanto profissionais e acadêmicos na Europa e América do Norte, onde há longa tradição de sociedades científicas, se identificam mais com as associações a qual pertencem mais do que com as instituições nas quais trabalham (e de onde se transferem com freqüência), no Brasil encontramos uma situação inversa, provavelmente devido à relativa incipiência dessas associações no país. Quais são os benefícios de ser membro ativo da sociedade científica da área de conhecimento na qual se milita?

- A satisfação de pertencer à comunidade de profissionais da área, conhecendo seus líderes e, se possível, avançando sua carreira pessoal através da participação nos diferentes conselhos e grupos;

- Ter contato com as mais novas idéias circulando na área de atuação e ter a oportunidade de apresentar, nos eventos dessa comunidade, suas próprias idéias e descobertas;

- Fazer novas amizades e renovar antigas amizades (“networking”) , uma habilidade profissional importante para o encontro de novas oportunidades de trabalho.

Associar-se à sociedade científica de sua área não é obrigatório para atuar nela, mas é uma demonstração de que o indivíduo se sente parte de uma comunidade, pagando sua anuidade e contribuindo, com seus esforços, para o crescimento e progresso da área. É o equivalente profissional de ser um bom cidadão.

Fredric Michael Litto
Presidente ABED – Associação Brasileira de Educação a Distância

Comentários

Por András Vörös
em 22-11-2012, às 16h42.

Caro professor Litto!

Sem dúvida a sensação de  pertencer a um  determinado grupo, como o CEV, é fundamental para a evolução individual e profissional.

Entretanto, é possível se notar que a ciência de hoje está um tanto quanto banalizada, pois quando encontramos trabalhos (papers) com 5,6, ou 8 co-autores, e apenas 10 páginas escritas , sendo uma destas só de referências e citações da Internet, a motivação entra em baixa.

Há também o outro lado da situação onde os "donos do saber" só precisam de seguidores, pois assim, podem afirmar que esta ou aquela instituição tem massa crítica.

Nossos "cientistas" são muito acríticos, além de possessivos, não querendo compartilhar muito as descobertas e informações.

Uma das grandes lutas do professor Laércio nos últimos tempos é fazer que haja uma dinâmica maior na participação dos 20 mil membros do CEV, e o que vemos? os mesmos que depois de um tempo passam a ser rotulados de chatos.....rsrsrsrsr

Quanto a Associação de classe , infelizmente as APEF's sofreram um esvaziamento e quase sua extinção. Vamos dinamizá-las pois elas sempre foram a entidade de discussão profissional.

Sobre os Conselhos de Classe (CONFEF  e suas Regionais) não posso me manifestar , pois seria impublicável,  além de que minha opinião sobre as capitanias hereditárias não seriam facilmente absorvidas.

Já fiz parte do CBCE, do CELAFISC, da APEF/PR, de sindicatos de magistério, entretanto sou forçado a confessar : CANSEI!!!!  nada mudou , nada evoluiu, pouco se avançou.

Tenho certeza que o CENTRO ESPORTIVO VIRTUAL é a entidade que congrega a maior diversidade de opiniões e saberes, considero-o minha casa !!!  É uma grande família.

Abraços fraternos, András

Por Marco Machado
em 23-11-2012, às 01h15.

Laercio

acho extremamente pertinente as colocações do professor Litto. Quero apenas destacar um ponto e fazer uma reclamação.

A pergunta ¨Quais são os benefícios de ser membro ativo da sociedade científica da área de conhecimento na qual se milita?¨ me parece chave neste debate.

A reclamação é que há 3 anos venho tentando fazer minha filiação online ao CBCE (que teoricamente seria ¨a¨ sociedade de nossa área) e simplesmente não consigo.

Sou membro do American College of Sports Medicine e tenho clara percepção dos benefícios, entre eles receber 2 publicações científicas de impacto e 1 boletim, descontos em eventos e certificações, livros, tenho direito a voto para o cargo de presidente e já fui convidado 3 vezes para fazer parte de grupos internacionais de atuação técnico-acadêmica (Índia, Cuba e aqui até mesmo aqui no Brasil).  Tenho direito a pleitear bolsas e auxílios além de concorrer a premios científicos. Me filiar foi facílimo e renovar a filiação mais fácil ainda.

Não faço parte daquele pessoal que acha que tudo lá fora é melhor, mas neste campo me parece que eles estão alguns anos-luz a nossa frente. Bem, fica o desabafo.

PS - ainda tenho interesse em me filiar ao CBCE...

Por Laercio Elias Pereira
em 08-06-2014, às 09h47.

Marco,

   Você já conseguiu se filiar ao CBCE?

   Laercio

Por Marco Machado
em 08-06-2014, às 12h00.

Consegui sim, Laercio! Tenho tentado "levantar a bandeira" do CBCE no Rio de Janeiro, mas tem sido difícil.

Por Laercio Elias Pereira
em 08-06-2014, às 13h01.

Opa, Marco, Cevnautas,

A gente poderia conversar sobre as dificuldades dessa mobilização aqu e/ou na Comunidade CBCE.

http://cev.org.br/comunidade/cbce

Vamos nessa? Tem bastante gente da história do CBCE aqui na nossa Comunidade. Desconfio que temos menos sócios do CBCE hoje do que tínhamos na nossa gestão, em meado dos anos oitenta (1500 sócios). O que aconteceu? Levei cascudo quando postei na Comunidade CBCE minha estranheza com a eleição da Scretaria deo CBCE em Sumpaulo ter 25 (vinte e cinco) votantes.

http://cev.org.br/comunidade/cbce/debate/o-que-aconteceu-com-o-cbce-sao-paulo/

Laercio

Por Carlos Alex Martins Soares
em 09-06-2014, às 12h10.

Polarização à esquerda do CBCE.

Ele até pode ser "dominado" pelo Grupo A ou Grupo B, mas precisa ser amplamente democrático na seleção dos artigos. O que vemos?

O maior benefício de ser associado ao CBCE seria a aproximação dos pares que estão longe de nossas sedes, mas a aproximação ocorre apenas por amizade e vínculo político. Me parece, que o CBCE é um grande braço político da esquierda e, nesse contexto, perde o poder de agregar os estudantes e profissinais da área.

Aqui, com grandes pesquisadores na epidemiologia da atividade física, o CBCE só é conhecido pelos alunos mais antigos. Os mais novos nem sabem o que é CBCE. Por quê?

Abraços!

Por Laercio Elias Pereira
em 07-02-2015, às 11h27.

Calex, grande pioneiro e coringa do CEV,

Pensei em abrir a discussão sobre fialiação à Sociedade Científica de Ciências do Esporte, mas vi que o Marco (que se filiou) e Vc (que não se filiou) já escreveram aqui. Vou retomar a conversa distribuindo botinadas:

1. O CBCE tem muito menos sócios hoje do que na nossa gestão de antigamente (1985-1987), a despeito do aumento exponencial de cursos de graduação e pós, seminários, cogressos... nas 19 áreas das Ciências do Esporte.

http://cev.org.br/biblioteca/diretorio-ciencias-esporte/

2. Acho que a culpa é de todos nós. Digo isso porque tenho convicção de que cada um é a sociedade científica. Se alguém nem pagou a anuidade, ou não conhece o CBCE, é apenas um indicador da pobreza da area e dos autoproclamados profissionais de nível superior (profissionais de nível superior tem 4 instâncias de associação, combinado?). Claro, achar que é sempre o outro - ou os outros - é o que tem abarrotado os consultórios de psicólogos e psiquiatras.

3. Já ouvi, de professores universitários, mestres, e até doutoures, as desculpas mais esfarrapadas, e até encabuladoras - pra não cumprirem o dever de estar na associação científica (Vou ser otimista aqui, acreditando que somos mesmo uma profissão de nível superior. Fora disso teria que lançar a campanha "Educação Física no pronatec"):

As "justificativas" que mais tenho ouvido nas últimas décadas:

. O CBCE tem que me pedir desculpas porque fulano da diretoria/secretaria - foi mais de um(a) que argumentou isso - me ofendeu!

. É uma panelinha. Um grupelho de esquerda. Um bando de oportunistas. Uma igrejinha... Só pensam em política e ajudar os amigos...

. Não quiseram publicar o meu trabalho que estava tão bom.

. Não mandaram a cobrança pra minha casa. 

Vou parar pra não atiçar o desânimo.  Quem sabe vale a pena puxar essa conversa no grupo cevcbce ou na Comunidade CBCE.

estamos todos lá?      http://cev.org.br/comunidade/cbce

Laércio

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