Educação Física e Esporte

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Pra Que Serve a Educação Física na Escola? Temos Argumentos Consistentes?



Cevnautas,

  Como devemos explicar a necessidade da Educação Física na Escola? A pergunta tem provocado respostas com a síndrome de "enceradeira". As respostas ficam girando no meio de campo penduradas em referências bibliográficas, sem convencer a freguesia. Vamos conversar isto a partir da entrevista do Terra com o Presidente do CONFEF? Laercio  

Especialista: Educação Física ainda não é vista como prioridade

Toda aula de educação física é a mesma coisa. Uma turma corre para bater uma bola e se desestressar; outra parte arrasta os pés para chegar à quadra de esportes, isso quando não simula uma dor de barriga para escapar. Enquanto, em algumas disciplinas, os alunos quebram a cabeça para aprender expressões numéricas, regras de crase ou o processo da mitose celular, é na educação física que crianças e adolescentes podem exercitar o corpo, sem provas ou estudos. Ainda assim, muitos torcem o nariz quando chega a hora de correr para o pátio. Por quê?

Para o presidente do Conselho Federal de Educação Física, Jorge Steinhilber, não há apenas uma resposta para a questão. Um dos motivos é que não é passada para os estudantes a importância dessa disciplina.

"Você pode não gostar de matemática ou de português, mas estuda por saber que é importante para a sua vida", compara. Se o aluno tiver consciência de que com a educação física ele tem mais disposição, fica menos doente, ele acaba aderindo à proposta.

Outro ponto a ser melhorado nas aulas de educação física são os esportes oferecidos. É preciso diversificar. "Não apenas futebol para os meninos, e vôlei para as meninas", exemplifica o também ex-assessor de educação física na secretaria municipal de Educação do Rio de Janeiro. Nesse caso, os mais hábeis acabam jogando, e os outros simplesmente não gostam. A ideia é que a disciplina tente ir ao encontro dos interesses do aluno. Steinhilber dá a dica: "Em aula, pode-se discutir a violência dos estádios".

Nos colégios privados, o presidente do conselho nota uma situação ainda mais complicada. Por entender que os estudantes têm condições de pagar espaços para desenvolver atividades físicas, muitas vezes a escola abre mão de oferecer a disciplina ou possibilita substituir a presença na educação física por um exercício fora. "Aí você perde a função agregadora da matéria, o papel como formadora de cidadania e conscientizadora da qualidade de vida", lamenta o professor. "Se eu vou a um clube jogar futebol, eu vou apenas aprender a jogar futebol e perco o conteúdo da cidadania, que é parte do objetivo da escola", completa.

Por serem atividades normalmente coletivas, a educação física é também um bom momento para avaliar o comportamento dos estudantes. Ali se podem notar os extrovertidos, os tímidos, os que estão com dificuldade de se integrar no grupo.

Nos colégios públicos, há também falhas quanto ao ensino da educação física. Existem os casos extremos, como quando a disciplina nem consta na grade. "Às vezes é por falta de espaço físico, outras por falta de professores", explica o presidente do Conselho Federal de Educação Física, Jorge Steinhilber.

Segundo o especialista, uma das causas para a questão é que a educação física ainda não é não é vista como prioridade. Por falta de políticas públicas focadas na disciplina, ela carece de metas curriculares claras dentro do ensino público. "Uma coisa puxa a outra: enquanto o governo não vê importância na disciplina, não se desenvolve um currículo voltado à promoção da saúde", explica. Assim, as aulas acabam tendo um tom recreativo ou são completamente voltadas à atividade esportiva, sem a busca por um projeto pedagógico de qualidade de vida.

A valorização da educação física poderia ajudar a combater a obesidade o sedentarismo, e os jovens poderiam ser mais bem orientados para uma vida mais ativa. "Não sou contra o computador, mas a tecnologia nos levou a um desgaste, a uma ’desqualidade’ de vida física e temos que equilibrar essa situação", alerta. "Podemos ter toda modernidade, mas com a consciência de que não se pode deixar o corpo enferrujar".

Fonte: http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI4847206-EI8266,00-Especialista+Educacao+Fisica+ainda+nao+e+vista+como+prioridade.html

Comentários

Por Guilherme Tucher
em 30-12-2010, às 13h52.

Laércio, não responderei sua pergunta. Mas precisamos fazer "meia culpa" ou até mesmo “culpa inteira” nesse processo.

- Se "Toda aula de educação física é a mesma coisa" é porque o professor não se planejou. Não organizou os conteúdos que deveriam ser ensinados. Chega na hora H quer ter uma inspiração.

- "é na educação física que crianças e adolescentes podem exercitar o corpo, sem provas ou estudos". Se a aula de educação física só exercita o corpo, não tem provas ou estudos, ainda estamos muito atrasados no tempo. Para que tem servido os cursos de graduação? Percebemos que muitas vezes nos estágios obrigatórios, ao invés de combater a impressão que tiveram na educação básica, são reforçados por profissionais que continuam agindo da mesma forma. Ao mesmo tempo, parece que a graduação não foi crítica o suficiente para romper com o senso comum.

- O aluno não pode dar importância a Educação Física escolar porque "tem mais disposição, fica menos doente". Isso é falso. Não conseguimos, durante a EF Escolar, modificações suficientes para que esses possíveis benefícios aconteçam. Os alunos devem ser estimulados e ter essas atitudes fora da escola.

- não é possível que durante toda a educação básica o aluno não possa conhecer e discutir (em suas mais amplas esferas): "Outro ponto a ser melhorado nas aulas de educação física são os esportes oferecidos. É preciso diversificar"

- "A ideia é que a disciplina tente ir ao encontro dos interesses do aluno". Não concordo. Ninguém nunca me perguntou o que eu queria aprender em matemática ou português! Se muitos professores não tem condições de planejar o que é ideal para seus alunos, como eles mesmos terão condições de fazer isso?

- "a educação física ainda não é não é vista como prioridade" e "ela carece de metas curriculares claras dentro do ensino público". A educação física primeiramente deveria ser vista como prioridade pelos professores e assim ser transmitido para os alunos e demais envolvidos. Todos devem passar pela educação física escolar. A experiência sendo adequada ou não, é a mesma que o aluno levará para fora da escola e julgará todos os professores com o mesmo critério. A secretaria de estado de educação do RJ já lançou várias propostas. Na internet conseguimos achar as de outros estados. O problema é que como é uma proposta curricular, o professor não utiliza. Se fosse imposto reclamaria da falta de autonomia. Mas nem mesmo entre as esferas de governos há um consenso. Alguns colegas que trabalham CEFET são professores de um esporte só! Ele é especialista em futebol. Quem quer fazer futebol procura o prof. X. Mesmo que este professor disponha de todos os equipamentos e espaços necessários. A proposta está errada!

Foi só um desabafo...

Guilherme

Por João Batista Freire da Silva
em 03-01-2011, às 10h50.

Vamos lá: em primeiro lugar, seria de uma injustiça imensurável pontuar a entrevista de meu amigo Jorge para tecer críticas ao seu pensamento. Posso adiantar que, no geral, eu e Jorge discordamos num ponto central, mas isso não é uma crítica ao que ele disse na entrevista, mas uma concepção generalizada na Educação Física: dizer que Educação Física é uma disciplina que tem por objetivo incutir hábitos de saúde é algo bastante vago, uma espécie de saída pela tangente. É o mesmo que explicar que tal ou tal fenômeno ocorre porque é a vontade de Deus. Não gosto do discurso vazio, portanto, para aprofundar esta questão eu invocaria, onde houver espaço, as práticas que realizo há décadas e, que nem de longe, sugerem que Educação Física é da área da saúde. Creio, amigo Jorge, que há um vício de origem na Educação Física: se há uma filosofia e ciências na base da Educação Física, estão equivocadas. E, se não há, é preciso haver. Os seres humanos são possuidores de um corpo? Se são, quem são os seres humanos? Entidades fluidas, espirituais, almas eternas? Ou os seres humanos são corpos e a realização da vida dá-se neste plano, neste mundo? É duro assumir tal conceito materialista? É pesado? Porém, se não somos corpo, mas temos corpo, a Educação Física nunca ultrapassará a condição de subalterna na educação, aquela que manterá, a duras penas (e nunca obteve êxito) o corpo razoavelmente saudável para que a razão, a alma, a mente eterna possam seguir sua trilha de elevação espiritual visando a outra vida, aquela que não se prende às injunções deste mundo e da matéria.

Por Maycon Ornelas Almeida
em 03-01-2011, às 21h10.

Uma das lições mais marcantes que aprendi com o professor Dr. Alcides Scaglia, dentre tantas outras que aprendi com ele durante a minha graduação, foi a de que a Educação Física Escolar deve estar voltada para o indivíduo e não para a prática como um fim em si mesma, o indivíduo deve compreender o que faz para então ressignificar aquilo que compreendeu, partindo assim para a construção do próprio conhecimento. E deixo a frase de um dos grandes pensadores que muito influencia minha forma de pensar sobre a Educação Física, Maurice Merleau-Ponty, ao escrever que "eu não tenho um corpo, eu sou meu corpo", o que automaticamente me  coloca como sujeito e não espectador da minha história. Sendo assim na minha parca forma de pensar, que deveríamos tratar nossos alunos na Educação Física Escolar, como construtores de conhecimento, como sujeitos de sua própria história.

Por João Batista Freire da Silva
em 05-01-2011, às 19h23.

Nunca tentamos, apesar de alguns autores como Inezil Pena Marinho insinuarem algo a respeito, uma Educação Física a partir dos brasileiros que somos. Alguém já confundiu esse meu discurso com xenofobia, porém, quem o fez, ou não entendeu o que digo, ou pensa como colonizado. Aprender com os outros, por exemplo, com os europeus e norteamericanos, não significa submeter-se a eles. Cada pessoa, cada comunidade, cada cultura, cada nação, são pontos de partida. Não importa o quanto aprendamos com os outros, deveríamos ser sempre os pontos de partida. Fazer uma Educação Física a partir dos brasileiros que somos não é uma posição nacionalista, mas uma posição racional, lógica. Além disso, temos que decidir se vamos organizar uma pedagogia a partir do corpo que somos, ou a partir do corpo que temos. A partir do corpo que temos é dirigir, como sempre foi feito, a Educação Física para fora de nós, para o corpo que não somos nós. É o caso que sempre tivemos da Educação Física como disciplina de saúde, por exemplo. Organizar uma Educação Física para o corpo que somos é colocar-nos, como disse o Maycon, como protagonistas da história, não só individualmente, mas como povo, como cultura. Uma Educação Física a partir dos brasileiros e a partir do corpo que somos, essa é a base do que pretendo um dia fazer e deixar semeada por aí. Ou melhor, é o que venho fazendo ao longo dos últimos trinta anos, pelo menos.

Por Ricardo A. C. Sampaio
em 17-01-2011, às 10h06.

Concordo com o que os colegas comentaram. Mas, creio que a discussão parece continuar no que o Laércio citou logo acima... a "síndrome de enceradeira" em que ficamos rodando no mesmo ponto citando vários e vários autores...

As colocações do Guilherme foram bem diretas, e cutucam a realidade da Educação Física Escolar no Brasil. Fato...

Infelizmente não posso lançar uma proposta revolucionária que torne a EF a melhor disciplina escolar e que todos (direção, professores, alunos e até mesmo professores de EF) a encarem como imprescindível na escola.

Estou há um ano e meio no Japão, e estudo justamente isso: EF nas escolas Japonesas (comparando com uma realidade brasileira, trabalho muito difícil...comparar). Como o Prof João Batista citou, acredito que a mudança tem que partir de nós mesmos, procurarei não usar o Japão como "exemplo" absoluto, mas tentarei levantar exemplos de intervenções de sucesso...que talvez possam ser levadas em conta. Acredito que o Brasil tem uma forte base de EF e uma identidade própria. Mas ficamos discutindo, fazer que é bom...

O currículo Japonês é regido pelo governo, algo como um PCN, só que um pouco mais completo, um guia que indica o que deve ser ensinado de acordo com o ano escolar. Apesar de ser mais completo, a escola tem a liberdade de adaptá-lo. Tal currículo é revisado aproximadamente a cada 10 anos, dessa forma, cada revisão tem uma abrangência nacional e é possível ter um resultado bem próximo do homogêneo. Importante citar que cada revisão aborda novos enfoques (como se espera) e a organização do japonês para colocar em prática é muito grande. Como em todo e qualquer lugar do mundo, a EF por aqui também sofre com problemas...e curioso, alguns bem similares aos do Brasil. Em parte, é vista na escola como uma disciplina com menor importância, em alguns momentos os professores parecem mais priorizar os clubes de esporte às aulas regulares...

Outro problema está em quem ministra as aulas, na escola primária (no Japão, 1ª a 6ª série do ensino fundamental) as aulas de EF são ministradas pelo professor de sala de aula, aquele que ministra todas as disciplinas. Há uma corrente forte de professores de EF querendo mudar essa rotina...o motivo, fácil de se imaginar, o professor generalista não tem formação em EF.

Da 7ª série ao 3º ano do ensino médio (já ministradas pelo professor de EF), além de aulas obrigatórias do currículo nacional de EF, os alunos escolhem vários esportes dentro de uma grade determinada de acordo com uma "especialidade" esportiva. Vários esportes...

Indo ao que interessa, o que está sendo feito para mudar a realidade da EF no Japão?

Seminários, encontros, discussão (direcionada), organização, muita organização e trabalho integrado. O Japão é dividido em 47 prefeituras (algo como nossos estados)...cada prefeitura está ligada diretamente ao órgão do governo lá de cima. O que é recebido do governo é adaptado para a realidade local por cada prefeitura e passado para os professores "locais" em forma de seminários, treinamentos, reciclagem e discussão. Durante o meu tempo por aqui, contando a grosso modo, posso dizer que a regularidade dos encontros são a cada 2 meses. Além disso, para manter o registro de professor, o "conselho" realiza cursos de atualização (além do citado) e testes para renovação.

Ok...e no Brasil? Temos um conselho nacional, temos conselhos regionais, temos associações de professores em vários estados do país, temos inúmeras universidades de qualidade. Cadê a ação integrada? Se dividirmos o Brasil em vários setores, "cada responsável" segue à frente da sua região criando um efeito em cadeia semelhante, e claro, de acordo com a realidade de cada local. O biênio da EF passou, será que conseguiu justificar o que queria para a sociedade?

Para que a EF seja vista como uma disciplina importante no processo educacional tem que se mostrar a sua função prática, sim, utilidade para a vida. Ensinar sobre saúde, disposição, esportes, mas ir além disso...bem além. Um dos grandes desafios da EF é encontrar o equilíbrio entre cumprir o seu papel de "ser uma atividade física" (a impressão que dá ao ler sobre EF escolar é que falar em exercício, esportes, parece ser pecado...EF não pode ficar só na discussão teórica) e ser interessante aos alunos... Educação física não é só educar o físico, todos sabemos disso... mas defendo que a sua função na escola precisa ser direcionada a um ponto para que não fique perdida. Ensinar esportes, diversificar, exercícios? Sim! E aulas teóricas em sala de aula, provas? Sim!

Temos como dividir o Brasil em vários setores, e assim direcionar uma intervenção de acordo com a realidade de cada lugar. E criar uma rotina de discussão, a formação não pode acabar quando o professor recebe o diploma. Todos sabemos de cor a função do professor. O que acham?

Desculpem escrever tanto...

Ricardo 

Por Ramon Cardoso da Rocha Silva
em 01-02-2011, às 14h03.

        Caros amigos, concordo plenamente quanto ao fato da falta de uma justificativa plausiva para amparar a educação física escolar, os argumentos são variados, com tudo, a ainda existe a "velha e atual" descriminação por partes de todos os outros professores e dos próprios diretores das escolas, principalmente as pública, a importância da educação física muita das vezes não é clara para os professores da área, imagine para docentes de outras disciplinas, quantas vezes o professor de matemática ou inglês marcaram avaliação ou trabalhos no mesmo périodo da educação física, pouco se importando se os alunos vão perder ou não as aulas de educação física, quantas vezes professores pedem horários referentes as aulas de educação fisica para realizar outros trabalhos ou reposição de aulas.

- Professor de educação física so tem o trabalho de preencher as cadernetas...  Está frase até hoje me revolta!

         De quem é a culpa?

   Concordo com o amigo Maycon Ornelas Almeida, e ainda destaco parte de seu comentário:

      " E deixo a frase de um dos grandes pensadores que muito influencia minha forma de pensar sobre a Educação Física, Maurice Merleau-Ponty, ao escrever que "eu não tenho um corpo, eu sou meu corpo", o que automaticamente me  coloca como sujeito e não espectador da minha história. Sendo assim na minha parca forma de pensar, que deveríamos tratar nossos alunos na Educação Física Escolar, como construtores de conhecimento, como sujeitos de sua própria história."

     Talvez ai esteja o erro, se todos os professores de educaçao física tivessem este mesmo pensamento teriamos um respeito digno de nossa profissão.

    *O professor de educação física precisa colocar a cara a tapa, e combater a indiferença que nem deveria existir,por que nas festas juninas dentro das escolas o professor de educação física é responsavel por tudo? por no desfile cívico o professor de educação física tem que estar na frente? por que nos eventos esportivos da escola so o professor de educação física tem que trabalhar? É INADMISSÍVEL O PROFESSOR QUE SE SUJEITA A TAL FATO.

Ramon Rocha!

Por Guilherme Tucher
em 02-02-2011, às 07h46.

Este ano a secretaria de estado de educação do Rio de Janeiro lançou o currículo mínimo (http://www.educacao.rj.gov.br/index5.aspx?tipo=secao&idsecao=298) como uma tentativa de organização dos conteúdos escolares.

Adivinhem quem ficou de fora!

Sim, a Educação Física (ainda não foi dessa vez; está no forno). Juntamente com língua estrangeira e educação artística (se parasse a história por aqui ficaria feio. São sempre essas disciplinas. Mas também restaram ciências, biologia, física e química).

O currículo mínimo das disciplina de língua portuguesa, matemática, história, geografia, filosofia e sociologia já está pronto para o segundo ciclo do ensino fundamental e ensino médio.

Por João Batista Freire da Silva
em 02-02-2011, às 10h16.

Guilherme e demais colegas:que futuro tem uma disciplina que insiste na fórmula: dois meses de basquete, dois meses de vôlei, dois meses de atletismo, dois meses de futebol? Isso, independentemente de ano escolar, de região, etc. Se vocês fossem secretários da educação, o que diriam disso?

Por Ramon Cardoso da Rocha Silva
em 02-02-2011, às 15h43.

Infelizmente O colega João Batista freire tem absoluta razão!! é nesse ponto que eu queria chegar!!

Por Cristina Mendes Corrêa
em 17-02-2011, às 14h07.

Eu tenho uma dúvida:

As aulas de educação física na escola servem só para o aluno extravasar a energia que fica acumulada durante as aulas que passam sentados,ou vcs acham q o conceito dos PCN’S de que a Educação Física coopera para formar um cidadão de valores éticos e morais são realmente vistos na prática???Ou,como diz no livro do João Batista Freire da Silva

"Educação como Prática corporal"

Pq me parece q isso não passa de teoria...Muitos artigos, livros,debates, mas, e na prática?

Existe algum modo de saber se a criança absorveu alguma lição para a vida dela, através das aulas de educação física na escola?

Por Roberto Affonso Pimentel
em 17-02-2011, às 16h40.

Duas observações me fizeram saltar do meu mutismo. A primeira, do João: "Se fossem secretários de educação... ". E a segunda, logo aqui acima, da professora Cristina: "Existe algum modo de saber se a criança absorveu alguma lição para a vida dela..."?

Secretários de Educação. Se visitarem www.procrie.com.br verão as tentativas que venho realizando para disseminar uma nova experiência de ensino, já que a educação não é estática. A última, com a Prefeitura de Contagem (MG). Mas já me ofereci também em Florianópolis, São José, Rio de Janeiro, Niterói e mantenho-me insistentemente neste apostolado. A estatégia é a seguinte: se der certo todos copiarão. Qualquer camelô no Rio sabe disso. Já que não posso me estender, visitem o blogue.

"Como saber se a criança absorveu a lição..."? Recomendo aos professores um permanente estudo e atualização em Psicologia Pedagógica. Cito um trabalho de alunos portugueses a respeito dos ensinamentos de um matemático húngaro - George Pólya - radicado nos EUA e já falecido. Poderão ver em www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/seminario/polya/index.htm Ali é tratado o processo de aprendizagem, a arte de ensinar e a formação de professores. É imperdível. Certamente é a cadeira mais sem prestígio nas universidades.

E, atualmente, nos chega o livro de Daniel Coyle, O Código do Talento, com a mais nova teoria neural sobre a aquisição de habilidades que, se bem interpretadas, revoluciona os métodos de ensino. Já dei início às postagens no Procrie sobre o tema. Entrem e comentem.

Roberto Pimentel. 

Por Cristina Mendes Corrêa
em 18-02-2011, às 00h16.

Eu arrisco dizer que, claro,não em todas as escolas,mas muitas aulas de Educação Física não fazem diferença nenhuma na vida dos alunos.

Um recreio divertido seria quase que a mesma coisa,se não fosse a presença,muitas vezes nula,do professor.

Por isso a minha dúvida....

A criança sai da escola com que aprendizado das aulas de Educação Física?

Será que é possível saber qual é o grau de importância da Educação Física nas escolas, de um modo prático?Não do que é ideal,do que está escrito nos PCNs, ou em livros...mas na real...na vida como ela é....na escola!

Eu confesso que é uma dúvida sincera que eu tenho!

Gostaria mto de ter uma resposta de alguém mais experiente que eu nessas questões!

Por Roberto Affonso Pimentel
em 18-02-2011, às 08h42.

Cristina,

Por se encontrar com tantas dúvidas e incertezas é que sugeri boas leituras de indivíduos que dedicaram muitos anos em práticas e ensinamentos para todos nós. Se não aproveitarmos essas lições pouco caminharemos nessa difícil arte de ensinar. Não se limite ao currículo da universidade que deveria prover seus alunos de conhecimentos, mas apresenta uma série de dificuldades e seus catedráticos mais ainda. Tentam cumprir um currículo em cada disciplina e os discípulos que “se virem”. Muitos dizem: “a matéria foi dada”, ou então, “o professor ensina e o aluno aprende”. Se o aluno ficar restrito a isto, dificilmente se tornará um professor capaz em qualquer assunto. No seu caso, p.ex., que tem experiência no voleibol, faça uma visita ao www.procrie.com.br e veja o que se descortina em termos de descobertas e pesquisas, pois está escrito por um professor experiente, mas não tanto competente como deveria ser. Daquelas leituras certamente surgirão novas dúvidas e, assim, sucessivamente, dando um encaminhamento natural às suas conquistas acadêmicas e, tenho certeza, de VIDA. O indivíduo percebe que se aculturando sente-se melhor, mais ciente na sua missão. As dúvidas sempre existirão, pois a Educação não é algo definitivo e imutável, trata-se de uma busca permanente. E todos os professores em princípio são bons, o que se examina e estuda são os métodos a empregar neste ou naquele momento, com esta ou aquela criança. Nos casos em que imagina que a presença do professor é nula, certamente vai descobrir um mundo novo ao ler trechos de Vygotsky sobre a Zona de Desenvolvimento Proximal, algo próximo do que pregava o poeta inglês Alexander Pope: “Convém ensinar as pessoas como se não as ensinássemos. E explicar-lhes as coisas que não sabem como se apenas as tivessem esquecido”. Para compreender bem o que se passa no cérebro de uma criança não lhe bastarão algumas palavras de alguém mais experiente do que você, mas de muitos outros que não conheceu em vida, e que deixaram seu legado escrito em livros. Ninguém aprende somente com as receitas, mas praticando, errando, caindo, e tentando sempre. Acrescente às suas leituras os escritos de Jean Le Boulch, um francês já falecido, que era médico, psicólogo e professor de educação física. A Internet facilitará suas buscas.

Por Cristina Mendes Corrêa
em 18-02-2011, às 11h17.

Mto obrigada, Roberto!

Vou ler e me aprofundar nessas questões que vc citou!

Li seu perfil...mto bom!Fiz estágio na EVB. Joguei voleibol durante 10 anos.Fui campeã Brasileira do time mirim, com o Hélio Grinner. Parei de jogar pra estudar.

Pretendo seguir nessa área escolar.Vou continuar estudando!!

Abs.

Por Roberto Affonso Pimentel
em 18-02-2011, às 14h38.

Cristina,

Se consegui convencê-la da importância de permanecer estudando para toda a vida sinto-me plenamente recompensado por ter insistido com você. Tomara que outros sigam o seu exemplo e se realizem como educadores. Quanto ao Hélio Grinner, Ricardo Tabach, Cascatinha, conhecia-os a todos desde garotos no Fluminense. Ao se formar, ajudei-o no trabalho pedagógico final. Mas a vida levou-o a acompanhar o Bernardo e o trabalho impediu-o de se aprimorar na área pedagógica. É um execelente profissional, íntegro e, tricolor roxo, morador do Baixo Gávea.

Visite o Procrie e comente, será um grande prazer debater ideias com você e suas colegas. Aliás, o Procrie foi feito para tal. E agora, estou desenvolvendo artigos sobre o Treinamento Profundo (Qualidade), calcado na nova teoria sobre o ganho de habilidades. Não perca!

Em tempo: Le Boulch desenvolveu a Psicocinética por pouco tempo devido à sua morte ainda relativamente jovem. Outra obra bastante fascinante é de David Wood - "Como as crianças pensarm e aprendem" - , em que analisa as teorias de diversos psicólogos. 

Roberto Pimentel. 

Por Cristina Mendes Corrêa
em 18-02-2011, às 18h31.

Com certeza sua insistência não foi em vão!Conheço o Tabach,e o Cascatinha também.O mal do Hélio é ser tricolor roxo!rsrsrs

Visitei o Procrie,e gostei demais.Vou ficar "passeando" por lá, tenha certeza.

Já estou pesquisando sobre Le Boulch, e li os outros artigos que vc citou. Quero fazer pesquisas nessa área de educação.  Querendo me dar essas dicas sempre, fique à vontade!rs

Sua contribuição foi fundamental nesse momento!

Grata,mais uma vez!

Por Roberto Affonso Pimentel
em 19-02-2011, às 08h04.

Cristina,

O que é um bom professor? Ensinar é uma arte?

"Um professor afeta a eternidade, ele nunca sabe em que ponto cessa sua influência." (Henry B. Adams)

A habilidade de ensinar excepcionalmente bem é um talento como qualquer outro: parece algo mágico, quando na verdade é uma combinação de habilidades produzidas mediante um treinamento profundo (ou de qualidade). Excelentes professores se concentram no que o aluno esá dizendo ou fazendo e, graças a essa concentração e ao seu grande conhecimento do assunto, são capazes de enxergar e reconhecer o esforço hesitante e desajeitado que o aluno mal consegue articular na tentativa de um dia atingir a mestria. Uma vez identificado esse esforço estabelecem um contato mais estreito com ele por intermédio de uma mensagem direcionada. As palavras-chave são conhecimento, reconhecer e contato mais estreito. (O Código do Talento, D. Coyle) 

Tenho certeza de que está no caminho certo. Sucesso!

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