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Usp Vai Aplicar 4 Milhões em Atletas Olímpicos. Vão Fazer Falta?



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   Quatro milhões não é pouco? Será que o trabalho estará integrado ao Centro que o COB está criando? Laercio

USP de olho em atletas olímpicos
Universidade investirá R$ 4 milhões para aprimorar e atrair talentos do esporte

03 de dezembro de 2010 | 10h 35
Isis Brum - Jornal da Tarde

A Universidade de São Paulo (USP) investirá pouco mais de R$ 4,2 milhões nos próximos três anos para aprimorar o desempenho de atletas olímpicos e paraolímpicos. É a primeira vez que uma universidade pública colocará sua estrutura e produção científica a serviço do esporte. O Programa USP nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos – que incentiva e garante suporte técnico aos atletas e para-atletas – será lançado nesta sexta-feira, 3, às 17 horas, em cerimônia oficial, na sala do Conselho Universitário da USP.
JF Diorio/AE - 9/3/2008
JF Diorio/AE - 9/3/2008
Raia olímpica será reformada junto com outras instalações

A proposta tem como alvo atletas profissionais – especialmente estudantes da própria universidade – com dificuldades de acesso a equipamentos de treinamento, médicos e dentistas, a exames de ponta (como biomecânica) e orientação especializada sobre como melhorar seu desempenho na modalidade que optou treinar.

A universidade irá reformar e ampliar os centros de prática esportiva da Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste da capital, e de Ribeirão Preto. Também irá oferecer avaliações clínicas, funcionais e clínico-funcionais, que incluirá até antidoping.

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Em São Paulo, o alojamento, a raia olímpica e o tanque de saltos do Centro de Prática Esportiva da USP (CPEUSP) passarão por obras. Será construída uma Sala de Força para atividades físicas. A USP prevê, ainda, a concessão de 30 bolsas mensais no valor de R$ 700 e R$ 550 para atletas e talentos olímpicos e outras 30, no valor de R$ 300 cada uma, para estagiários de Educação Física atuarem como monitores. Serão aplicados R$ 360 mil em educação continuada, com a participação dos atletas e treinadores em simpósios e workshops.

Segundo Valdir Barbanti, coordenador-geral do projeto e diretor da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto, “é pouco provável que a  USP tenha muitos atletas olímpicos”. “Não é esse o perfil da universidade.”

Contudo, ele diz que as portas estarão abertas a profissionais com potencial para disputar um esporte nas Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Não há critérios de seleção, diz o coordenador. Mas a USP não irá se transformar em um centro formador de talentos. É preciso ser profissional. “Queremos a elite do esporte”, afirma Barbanti.

No site da USP, criado para a divulgar o projeto (http://www.olimpiadas2016.usp.br), o reitor João Grandino Rodas escreve que “as atividades acadêmicas não devem descuidar da realidade do mundo” e, em particular, dos Jogos Olímpicos. “Busca-se nas potencialidades e relações entre unidades de ensino e pesquisa soluções e ofertas inovadoras para o desenvolvimento olímpico e paraolímpico brasileiro”, diz a mensagem do reitor.

EM REAIS

2 milhões
serão aplicados em melhoria de  infraestrutura, como reforma dos alojamentos e centros esportivos

972 mil
é o gasto com a concessão de bolsas  de estudos para atletas, talentos e monitores em 3 anos

600 mil
serão usados para fornecer  diagnósticos clínicos elaborados por meio de exames

360 mil
serão destinados à educação  continuada (cursos e simpósios) de atletas e treinadores

300 mil
o valor será usado para compra de  material usado nas avaliações, eventos e educação continuada

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,usp-de-olho-em-atletas-olimpicos,648946,0.htm

Comentários

Por Aldemir José Ferreira Teles
em 04-12-2010, às 13h03.

Caro Laércio e cevnautas,  a sua pergunta é fundamental. Combinaram o que com o COB? E com o Ministério do Esporte, qual é a parceria? O Instituto da Magic Paula está sabendo do projeto? Vai ser beneficiado com a iniciativa? Isto tudo são sintomas da ausência de uma política pública consistente. De um Ministério do Esporte ausente, mais dado a politicagem.

As ações vão ocorrendo em paralelo, pulverizadas. Parece até que as instituições competem entre sí, dispuntando qual delas conquistará o maior número de medalhas em 2016. Enquanto isto, o sentido social e a democratizaçào da prática esportiva vai perdendo cada vez mais espaço. Ruim para a população, que paga a conta, e ganha pouco por isto.

Impressiona o silêncio da comunidade esportiva, quanto à escolha do novo Ministro(a) do Esporte. A escolha é realizada dentro dos gabinetes, em pequenos grupos, longe do alcance dos verdadeiros interessados, ou daqueles com interesses mais nobres e legítimos do esporte. Dos candidatos a vaga, uma não tem nada no currículo que possa identificá-la com os interesses (públicos) do esporte, a Deputada Federal Manuela DÁvila (PCdoB-RS). O outro candidato (do continuísmo),  este dispensa comentários, também do PCdo B. É a tal da partilha dos cargos. Por tudo isto, vale retomar a pergunta: ainda dá tempo de devolver a realização das Olimpíadas do Rio, 2016. Não me chamem de pessimista, por favor. Nem da torcida do quanto pior melhor, que não sou. Que Deus nos ajude, afinal dizem que Ele é brasileiro.

Abraço

 

Por Silvio de Souza Aguiar Carvalho
em 05-12-2010, às 19h03.

Concordo. O Brasil vive um momento onde diversas iniciativas estão sendo colocadas em pratica de forma desordenada. Isso nos leva a um gasto muito maior de recursos, em ações que realizam a mesma tarefa de forma paralela e que poderiam estar sendo feitas de forma integrada e “colaborativa”. É como uma escola de samba, que, apesar de ter o mesmo enredo, possui para cada ala um barracão para confecções das alegorias e uma sala de costura para as fantasias, cada qual com o seu carnavalesco e seu figurinista, disputando entre si o “Estandarte de Ouro da Rede Globo”.

 

Além do desencontro, o mais grave é a falta de objetividade dessas ações. Inauguram-se diversos “laboratórios de alta tecnologia”, constroem-se instalações de primeiro mundo, escrevem-se artigos “altamente científicos”, etc., e falta o tênis para o atleta treinar. Eu chamo isso do “País do Faz de Conta”. Todos fazem de conta que estão fazendo alguma coisa, mas no fundo, nada de prático acontece. São políticas de gabinete que nunca chegam ao atleta e ao técnico da forma que deveriam chegar. São elaboradas por pessoas (algumas até bem intencionadas) que nada conhecem das especificidades e do dia a dia das modalidades e do treinamento.

 

Para exemplificar, nos Jogos Pan-Americanos do Rio, gastamos dois milhões de euros na construção do melhor estande de tiro do mundo, mas não conseguimos comprar munição para a seleção brasileira treinar. Cada atleta teve que se virar como pode. E isso num esporte em que cerca de 2atletas disputam 45 medalhas individuais. Um esporte, que justamente por isso, é foco da política desportiva olímpica dos países que buscam melhorar sua posição no ranking de medalhas, como o COB preconiza.

 

Não houve e não esta havendo, nenhuma iniciativa em desburocratizar a aquisição das armas e munições desportivas, todas importadas e específicas para uso esportivo. Continuamos mantendo esses equipamentos sob o mesmo controle das armas e munições de uso policial-militar ou de defesa pessoal. É como se o dardo, usado no atletismo, fosse caracterizado como uma arma e sua fabricação, comercialização e importação fosse controlada como uma arma, ou seja, como uma lança. Todo mundo sabe que não é, mas nada se faz para mudar a legislação.

 

Pelo “andar da carruagem”, se depender do Ministério da Defesa, do Ministério do Esporte e do COB, vamos repetir a mesma prática em 2016.

Por Silvio de Souza Aguiar Carvalho
em 05-12-2010, às 19h09.

Errata: no penúltimo parágrafo do meu comentário, alterar para " 22 atletas disputam 45 medalhas...".

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