Educação Física no Maranhão

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Quentado a Fogo, Tocado a Muque e ?dançado a Coice?.




Desde o inici0 dos anos 2.000 venho me dedicando ao resgate da “Punga dos Homens”, quando comecei a escrever o Atlas da Capoeira no Maranhão; antes, ainda, o Livro-Álbum dos Mestres Capoeiras…

Lembro de uma visita ao Mestre Bamba do Maranhão, quando lhe perguntei se conhecia algo da Punga dos Homens, e este me relatou o que sabia, das suas andanças pelo interior do Maranhão; pouco mais tarde, já no Matro-á, de Mestre Marco Aurelio Haikel, pude me aprofundar nesta manifestação corporal do povo maranhense.

Trouxe, na ocasião, o que Câmara Cascudo publicada sobre a Punga, e dizendo ser, ela, manifestação do povo maranhense, e que seria uma forma primitiva de Capoeira…

Tenho falado, desde há muito, acompanhando o pensamento – e os estudos! – de vários Mestres, de que não há “uma” capoeira, mas várias capoeiras… e que, antes da diáspora da Capoeira – melhor, dos Capoeiras – baianos, na década de 60, alguns estados tinham suas próprias manifestações, com características locais, mas com uma identidade única – a manifestação do lúdico e do movimento a que denominamos ‘capoeira’.

Pois bem, ao buscarmos as raízes da capoeiragem -prefiro este termo, do que apenas Capoeira – vamos encontrar, como disse, essas manifestações. Devido ao passado comum, dos vários portos de entrada da escavaria africana – e devo aqui lembrar que, quando se fala em tráfico escravo, devemos ter em conta de que não havia apenas o fluxo África-Brasil-Maranhão, mas que havia um  intenso movimento inter provinciais, o interno… seja por compra-venda direta, seja por contrabando, seja por fugas e capturas…

Quero deixar claro que no período colonial, a partir de 1617-1621 até o advento da Independência, haviam dois estados coloniais português, na América do Sul – o Estado Brasil – que oscilou, seu espaço geográfico – entre Pernambuco para baixo, e mais tarde, incorporando o  Ceará, e por ultimo, o desligamento do Piauí ; e o Estado do Maranhão – que, a principio, a partir do Ceará até o Caribe, e do Atlântico até os contrafortes dos Andes…

O fluxo de escravos obedecia – na época da navegação à vela – o fluxo das ma´res e das correntes marítimas e dos ventos… saindo a Europa – Portugal – seja em direção à África, só havia um caminho… mesma coisa para o continente sul-americano: dois caminhos: ou se vinha para o Maranhão – os portos de São Luis e Belém…- , ou se ia para o Brasil – com os portos de entrada do Recife (Pernambuco), ou do Rio de Janeiro, e algumas vezes, Salvador… A escravaria destinada ao Maranhão, só para o Maranhão – entenda-se, hoje, Maranhão, Pará, Amapá, Amazonas, Tocantins, Mato Grosso, Acre, Rondônia, Roraima…; a destina ao porto de Pernambuco, atingia, a distribuição, Do Ceará até a Bahia e interiorizava-se para o Goiás, em parte, e as Gerais… do Rio de Janeiro, a distribuição para as Gerais e demais estados do hoje sul-sudeste…

Da mesma forma , as correntes marítimas possibilitavam a chegada de determinada região apenas ao Maranhão; de outras regiões, apenas aos portos mais ao sul. A mistura se dá pelo tráfico interno…

Dai a manifestação da capoeiragem ter aparecido, simultaneamente, no Maranhão, no Recife, em Salvador, e no Rio de Janeiro… semelhantes, porém não iguais…

A Capoeira de hoje é resultado, como disse, da diáspora dos mestres baianos, que sepultaram as capoeiras locais… as capoeiras primitivas… São Luis é um exemplo!!!

Olhamos pelos olhos dos outros… aceitamos as histórias dos outros como se fosse as nossas, como se verdadeiras, e nossas, as fossem… Um erro que cometemos, ao aceitá-las e não buscar as nossas raízes.

E aí está a Punga dos Homens… Louvável a iniciativa de Marco Aurélio e Serginho, junto com outros mestres, em buscar a verdadeira capoiragem maranhense… vamos resgatar, agora, a carioca?

 

 

 VIII IÊ Camará – Encontro de Capoeira Angola no Maranhão

19 de novembro de 2014 · São Luís ·

Punga de homem

  • Salve a Turma do Quilombo de Miranda do Rosário, sob a liderança do Seu Zé Ribeiro e D. Elza, quando da última versão do “Iê, Camará”, evento da Escola de Capoeira Angola do Laborate.
    Nessa oportunidade a Turma mostrou-nos a Punga dos Homens.
    Essa mesma Turma representou o Maranhão – juntamente com parte da Turma do Mestre Felipe – no Encontro Internacional de Capoeira, coordenado e promovido pelo mestre Sabiá, em Salvador, em 2005, deixando maravilhados mestres da Velha Guarda da Capoeira soteropolitana, presentes ao Encontro.
    No Tambor de Crioula, a punga dos homens ocorre, predominantemente, nas áreas rurais das mais variadas regiões e municípios do Maranhão. Há territórios – que sobrepõem-se aos limites municipais – em que o Tambor é brincado exclusivamente por homens, sendo que os movimentos viris, bruscos, literalmente, da forma como são praticados entende-se com mais facilidade um ditado tão antigo – dizem os mais velhos – quanto o próprio Tambor: “quentado a fogo, tocado a muque e ‘dançado a coice’.”

 

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