Jogos Escolares. Já Fomos Mais Felizes

Por: .

Correio Braziliense - 2003

Send to Kindle


.Resumo

Começa hoje, em Brasília, a 25a edição do torneio. Orçada em R$ 4 milhões, a decadente competição reflete a 1 falta de política do governo para o esporte. Apenas seis modalidades estarão em disputa até 7 de dezembro 

Já foram os jogos das revelações. Neles despontaram Joaquim Cruz e Robson Caetano, do atletismo; Ricardo Prado, da natação; Magic Paula, do basquete, e Vera Mossa, do vôlei. Todos medalhistas olímpicos. Atualmente, são os jogos das limitações financeiras, apesar do patrocínio da Petrobras. Por isso, a 25a edição do Jogos Escolares Brasileiros — orçados em R$ 4 milhões — será disputada em apenas quatro esportes olímpicos (atletismo, basquete, handebol e vôlei) e dois não-olímpicos (futsal e xadrez). As competições acontecem, de hoje até 7 de dezembro, em Brasília. No total, 2.900 alunos represen-tarão cerca de 300 escolas. "Essas são as modalidades possíveis de se praticar na maio-ria das escolas", explicou o coor-denador técnico dos Jogos, Jor-ge Ajuz, membro do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), enti-dade organizadora do evento. "Tivemos que cortar algumas modalidades devido à limitação do orçamento." As disputas dos Jogos Escola-res começam oficialmente ama-nhã, com as provas de atletismo, que seguem até domingo, na pista do Cief, e a primeira roda-da do torneio de basquete, esporte que ocupa os ginásios Maristinha, do Colégio Nossa Senhora de Fátima e do Clube do Exército até quinta-feira. No domingo, será a vez do futsal e do xadrez. O handebol entrará na competição somente na segunda-feira. O vôlei, na terça. Assim como os Jogos da Ju-ventude, encerrados no domingo, também em Brasília, os 25º Jogos Escolares terão as disputas coordenadas pelas federações esportivas do Distrito Federal. A novidade é a inclusão de disputas de atletas portadores de necessidades especiais, que vão participar das provas de atletismo. "Estamos promoven-do a inclusão desses atletas nas mesma competição estudantil", disse Jorge Ajuz. Destinado a atletas de 12 a 14 anos, os jogos de hoje represen-tam um retrocesso, comparado aos anos 70, quando foram reformulados para abranger todas as modalidades olímpicas. E, por se tratar de competição estudantil, os torneios eram totalmente coordenados e executados pelo Ministério da Educação, ao con-trário de agora, sob os cuidados do Ministério do Esporte e do Comitê Olímpico Brasileiro. Diferenças Responsável pela moderniza-ção dos Jogos, em 1970, o então assessor de Desportos Estudantis, do Ministério da Educação, Ary Façanha de Sá, comentou sobre as diferenças históricas da competição e concluiu que houve "retrocesso". "Antes dos anos 70, os jogos eram mais para congraçamen-to. Mas evoluímos para inscre-ver estudantes até 18 anos incompletos, tornando-se um evento riquíssimo para o sur-gimento de talentos", contou Ary. Era dessa competição, co-nhecida por sigla até hoje lembrada com um certo saudosis-mo, JEBs, que saíam as sele-ções que disputariam os Jogos Escolares Mundiais. Ary Façanha, que hoje conduzirá a tocha com o fogo simbólico na abertura dos Jogos, faz parte de uma geração que praticava educação física na escola fora do horário escolar. Por conta dessa atividade, tor-nou-se atleta e, mais tarde, formado em educação física, le-vou sua experiência para o Ministério da Educação. Com uma "equipe de técnicos de elite" para cada modalidades olímpica, Ary Façanha discutia os rumos do esporte escolar. "E não nos faltava dinheiro", disse ele, lembrando que a cada edição dos JEBs eram comprados equipamentos para todas as modalidades. Equipamentos que passavam a integrar o patri-mônio das escolas das cidades que sediavam o evento. "Na organização, não devíamos nada aos grandes eventos, mesmo com os atletas se hospedando em alojamentos", recorda. Os tempos são outros. Além do pouco orçamento, os atletas-es-tudantes de agora protagonizam disputa desigual entre os matri-culados em escolas públicas e particulares. Os representantes do Distrito Federal nas modalidades coletivas dos Jogos Escolares são colégios da elite local. Como Marista, Católica, Mackenzie, e Objetivo —vencedores da com-petição regional, seletiva aos JEBs. Porém, Jorge Ajuz, do COB, ga-rante que, do total das escolas ins-critas, 75% são da rede pública. A abertura dos Jogos Escola-res será hoje, às 17h, no Cief, com o desfile das delegações seguido do juramento do atle-ta e da apresentação do Enge-nho de Arte Circense, de Brasí-lia, liderado pela ex-ginasta Beatrice Martins. 

EX-ATLETA OLÍMPICO E EX-DIRIGENTE, ARY FAÇANHA DE SÁ LEMBRA OS BONS TEMPOS DOS JEBS: "NÃO FALTAVA DINHEIRO" 

Ver Arquivo (PDF)

Comentários


:-)





© 1996-2021 Centro Esportivo Virtual - CEV.
O material veiculado neste site poderá ser livremente distribuído para fins não comerciais, segundo os termos da licença da Creative Commons.