O Circo nas Aulas de Educação Física Escolar

Por: Débora Gomes da Silva, José Carlos Albert Maritns Dias, Leopoldo Ortega da Silva e Natalino Brito da Cruz.

XX Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte e VII CONICE - CONBRACE

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Resumo

1 INTRODUÇÃO
O circo é uma expressão artística e parte da cultura popular, que visa à diversão e o entretenimento dos espectadores. Para Miranda (2016, p.34) “O circo apresenta uma estética corporal que possibilita a seus artistas conhecimento amplo de suas possibilidades e seu potencial artístico”. Atualmente as atividades circenses e as companhias de circo ocupam menos espaço em nossa sociedade. Com base nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), talvez a escola possa ser um espaço privilegiado para o desenvolvimento de aulas que abordem a temática do circo na dimensão conceitual, procedimental e atitudinal, bem como temas transversais. (BRASIL, 1998). Segundo Ramos (2013), a escola é o principal instrumento de aprendizagem e as atividades circenses contribuem para a expressividade corporal, na criatividade, ludicidade, trabalhando autonomia, aspecto sociocultural e motor. Desta forma, aulas com atividades circenses na escola devem ser vistas como um conteúdo a ser explorado. O objetivo deste estudo foi investigar a percepção de professores sobre o tema circo nas aulas de Educação Física.

2 METODOLOGIA
Foi realizado estudo qualitativo de caráter exploratório, com a participação de um professor de Educação Física de uma escola pública localizada no município de Mauá – SP. Assim trata-se de um estudo de caso que a partir de uma entrevista e análise de conteúdo. Para Creswll (2014), tal metodologia permite ao investigador explorar um ou múltiplos sistemas delimitados da vida contemporânea (casos). Para as reflexões adotamos as proposições de Bardin (1977).

3 RESULTADOS E INTERPRETAÇÕES
Notavelmente vimos que a temática do circo é pouco abordada na escola investigada. Ao perguntar para o professor se: é importante a aplicação do conteúdo circo na Escola? RESPOSTA: “sim, porém, é um modo de trabalho diferenciado, além de fugir do contexto de interesse dos alunos”.
Embora o professor acredite ser relevante o conteúdo para formação dos estudantes, entende que este conteúdo está desconexo com os propósitos da disciplina. Mesmo quase vinte anos depois do reconhecimento da Educação Física como componente curricular na educação básica, observa-se por parte do professor o desconhecimento da Educação Física como meio de aprendizagem das diferentes formas de manifestação da cultura corporal de movimento.
Corroborando com Neira, (2016, p. 18): [...] se a escola for concebida como ambiente adequado para análise, discussão, vivência, ressignificação e ampliação dos saberes relativos às práticas corporais, ela poderá almejar a formação de cidadãos capazes de desconstruir as relações de poder que historicamente impediram o diálogo entre os diferentes representantes das práticas corporais. O que se tem como pressuposto é que em uma educação democrática não existem brincadeiras, danças, lutas, esportes, ou ginásticas melhores ou piores. (NEIRA, 2016, p.18). Deste modo, assumimos que esta talvez seja a justificativa para a manutenção das aulas de Educação Física escolar como componente curricular, uma vez que ela toma para si juntamente com as demais disciplinas a responsabilidade na formação de cidadão e cidadãs, de forma democrática, autônoma, crítica que respeita a diversidade e pluralidade.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O professor apresentou desconhecimento sobre a Educação Física na perspectiva da cultura corporal de movimento. Ainda subestimou os alunos quanto à falta de interesse sobre a temática. Em seu discurso deixa dúvidas, sobre a abordagem adotada apresentando pragmatismos em relação aos conteúdos abordados. Os achados contribuem para a reflexão das abordagens adotadas por professores de Educação Física e serve como alerta sobre como a disciplina esta sendo mal interpretada na educação básica e talvez nos cursos de formação em nível superior.

Endereço: http://congressos.cbce.org.br/

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