Projetos de Trabalho e Educação Física Escolar: Um Estudo de Caso Etnográfico

Por: Karine de Almeida Müller, Luciana de Oliveira Nunes, Márcio Cardoso Coelho e Samuel Nascimento de Araújo.

XX Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte e VII CONICE - CONBRACE

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.Resumo

INTRODUÇÃO
Os projetos de trabalho constituem-se em uma ação didática de cunho interdisciplinar que busca a ressignificação do processo ensino aprendizagem, partindo de uma situação problema e de um tema de pesquisa, pautada pelas relações complexas para além dos conteúdos conceituais. Segundo Hernandez e Ventura (1998, p.61) “A proposta que inspira os projetos de trabalho está vinculada à perspectiva do conhecimento globalizado e relacional”. O presente estudo consiste em uma dissertação de mestrado desenvolvida em 2016 em uma escola da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre/RS, (RMEPOA) com o objetivo de compreender como a Educação Física se organiza como componente curricular em um currículo orientado por projetos de trabalho. De maneira central, o estudo buscou compreender como essa organização curricular se estabelece na cultura escolar e como suas implicações influem no trabalho realizado na Educação Física escolar. Neste texto apresento a metodologia utilizada na pesquisa, bem como seu processo de análise e seu produto final.
METODOLOGIA
De natureza qualitativa, esta pesquisa, um estudo de caso etnográfico (ANDRÉ, 1995, p. 31), foi realizada em uma escola da RMEPOA, a referida rede, organiza-se por ciclos de formação, contando com três ciclos de três anos cada um, perfazendo os nove anos do ensino fundamental.
O trabalho de campo etnográfico foi realizado de março a dezembro de 2016 junto às três turmas do primeiro ano do ciclo B (B10). O estudo contou com sete professores colaboradores: um professor de Educação Física (EF) (trabalha com as três turmas do ano ciclo estudado), três professoras referência , a supervisora escolar, a orientadora educacional e o diretor da escola. Tais professores foram escolhidos por trabalhar diretamente com o ano ciclo que caracterizou este estudo de caso e por terem condições de trazer informações importantes quanto à origem e constituição da opção por projetos de trabalho na escola.
Os instrumentos para a coleta das informações foram: observação participante, entrevistas semiestruturadas, diálogos, diário de campo e análise de documentos e deram origem a duas categorias de análise: As transformações ocorridas no ethos do coletivo docente de B10 e a construção de um currículo em movimento.

DISCUSSÃO
A RMEPOA é organizada por ciclos de formação, nosso estudo foi realizado com as três turmas do primeiro ano do segundo ciclo (B10), buscando compreender como a organização por projetos de trabalho se constituiu nos aspectos simbólicos compartilhados por esse coletivo docente. Após uma minuciosa revisão nos instrumentos que serviram para a coleta das informações, construíram-se duas categorias com o objetivo de analisar o que foi encontrado. A primeira categoria, emergiu da observação sobre as transformações nas praticas pedagógicas do coletivo docente, principalmente do professor de EF, para que os projetos de trabalho efetivamente ocorressem nas turmas de B10, a segunda categoria versou sobre a construção de um currículo em movimento, que busca transitar entre as teorias sobre projetos de trabalho e a construção que foi possível realizar na escola. A EF esteve presente envolvida em um processo interdisciplinar de “reciprocidade, mutualidade, ou melhor dizendo, um regime de copropriedade, de interação”(FAZENDA,1993,p.31). As relações de poder e hierarquização de componentes e conteúdos que pautam um currículo multidisciplinar, fragmentado e de caráter acadêmico, sofrem uma profunda ressignificação quando inseridos em um currículo interdisciplinar orientado por projetos de trabalho.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Segundo Geertz (1989, p.18), um estudo é um avanço quando é mais incisivo do que os realizados anteriormente a ele. Pode-se considerar que interpretar os aspectos simbólicos compartilhados pelo coletivo docente de B10 em torno das construções que se estabeleceram nas dinâmicas escolares no ano letivo de 2016, através dos projetos de trabalho, trouxe um novo olhar sobre as possibilidades da EF escolar quanto a sua representação na cultura escolar. Segundo Fonseca (2015, p.34), se conseguirmos propor uma prática pedagógica que consiga avançar da lógica do movimento pelo movimento, pode-se então, conseguir a ressignificação da EF como componente curricular. Ademais, os projetos de trabalho podem tornar-se uma alternativa didática viável para que um currículo mais próximo a realidade do aluno, possa constituir-se na cultura escolar.

Endereço: http://congressos.cbce.org.br/

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