Aspectos Psicofísicos da Imagem Corporal e a Sua Relação com a Dismorfia Muscular e a Dependência de Exercício

Por: Carolina Paioli Tavares.

2015 16/11/2015

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Resumo

A percepção que temos do nosso corpo é influenciada por diversos fatores, além dos constantes estímulos visuais que recebemos do ambiente, tais como sexo, idade e cultura. Nos últimos anos a preocupação excessiva com o corpo entre jovens e adultos associou-se a comportamentos obsessivos como a prática exagerada de atividade física, uso de anabolizantes e desencadeamento de distúrbios alimentares. Entre homens, o distúrbio associado com a distorção da imagem corporal é conhecido como vigorexia ou dismorfia muscular. A dismorfia muscular é caracterizada por uma percepção inadequada do tamanho do corpo, ou seja, o homem se percebe menor em tamanho (i.e., dos músculos) do que realmente é. A dismorfia está associada ao uso de anabolizantes e à prática excessiva de atividade física com cargas, como a musculação. Baseado nessas informações e com base na metodologia proposta por Paula e Mauerberg-deCastro (2010), os objetivos do nosso estudo foram investigar: a) se homens apresentam preocupação exagerada com a imagem corporal e se essa esta se reflete nas respostas de escolha ou preferência de imagens do próprio corpo e de um corpo de estranho distorcidas ao longo de uma escala psicofísica (i.e., baseada no IMC dos participantes); b) se o somatotipo do participante está relacionado ao tipo de atividade física escolhida associada frequência e intensidade com que esta é realizada; c) se a tendência atitudinal ou perceptiva em tarefas psicofísicas de distorção de imagem corporal depende da identidade do participante (i.e., utilizando a omissão de face nas tarefas). Para tanto, participaram do estudo 50 homens sendo 25 participantes praticantes de atividade física/esporte alocados no grupo esporte (GE), e 25 participantes com o objetivo de aumentar consideravelmente a massa muscular (i.e., hipertrofia) alocados no grupo fitness (GF). Os participantes responderam a testes e inventários para a alocação nos grupos (Questionário demográfico, MASS, EDS-21); escala de silhuetas para análise do componente comportamental da imagem corporal; e a tarefas psicofísicas de estimação de magnitudes, para análise do componente perceptivo da imagem corporal. Os resultados demonstraram que os participantes de ambos os grupos apresentaram a mesma tendência de respostas em ambos as tarefas, comportamental e perceptiva. O GF apresentou maior nível de insatisfação com a imagem corporal na tarefa comportamental. Ambos os grupos apresentaram consistência entre os subcomponentes da tarefa, sendo que os participantes se perceberam em silhuetas maiores que a real e desejaram estar em silhuetas ainda maiores que a percebida. As variáveis preditoras do nível de insatisfação com a imagem do próprio corpo (IPC) foram o questionário MASS e o IMC. Para a tarefa de estimação de magnitude, ambos os grupos apresentaram tendência semelhante nas respostas para os estímulos do próprio corpo com a face, próprio corpo sem a face e corpo desconhecido. A variável dependente magnitude do erro relativo revelou efeito principal para tarefas, tamanhos dos estímulos e interação entre tarefa e tamanho. O efeito para tarefas residiu no experimento próprio corpo sem a face, onde os participantes apresentaram menor erro comparado aos experimentos próprio corpo com a face e corpo desconhecido. Ainda, os participantes subestimaram os valores dos estímulos inicias (i.e., menores) e superestimaram os valores dos estímulos finais (i.e., maiores) em todas as tarefas. Os resultados do expoente da função psicofísica apontaram diferenças nas respostas perceptivas entre as tarefas com imagens corporais. Os participantes de ambos os grupos apresentaram superconstância perceptual nas tarefas próprio corpo com a face e corpo desconhecido enquanto que para a tarefa próprio corpo sem a face, houve uma tendência de constância perceptual (i.e, melhor acurácia perceptual). Nosso estudo identificou diferentes e importantes formas de estimação de magnitudes para o corpo humano quando este foi avaliado com e sem a face. Esse dado é um interessante indicativo da importância da presença da face versus a sua ausência na acurácia perceptiva. Esse comportamento sugere um processamento mais cognitivo e menos afetivo/somatossensorial acerca do julgamento de vii tamanho do corpo. Consideramos esse achado de fundamental importância para o entendimento do comportamento perceptivo quando a face está presente versus quando a mesma está ausente, uma vez que melhora da acurácia perceptual parece ser fortemente influenciada pela identificação, através da face, do indivíduo. A questão da presença/ausência da face ainda não havia sido investigada nos estudos anteriores com a mesma metodologia, caracterizando um achado inédito para estudos dessa natureza. 

Endereço: http://hdl.handle.net/11449/139402

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