Os Lugares das Organizações Comunitárias nas Políticas Públicas de Esporte e de Lazer

Por: Arthur Trojahn, Luis Felipe Silveira e Thiago Milan.

XX Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte e VII CONICE - CONBRACE

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Resumo

1 INTRODUÇÃO
O lugar da participação nas políticas públicas de esporte e de lazer vem sendo discutido em diferentes trabalhos nas últimas décadas. Encontramos, na literatura, alguns estudos que contribuíram no sentido de ampliarmos a compreensão acerca das noções de participação nas políticas públicas de esporte e de lazer e como estas são constituídas a partir das óticas dos cidadãos (STIGGER, 1992; MOLINA, 2004; AMARAL, 2005; FORELL; STIGGER, 2016). Entretanto, identifica-se uma lacuna a ser investigada: olhar, a partir das óticas dos professores/gestores das políticas públicas de esporte e de lazer, como eles percebem a participação da comunidade no cotidiano da gestão destas políticas. 
Porto Alegre conta com certa tradição no que tange à participação da comunidade na gestão de parques e praças (FORELL; STIGGER, 2016). Esta participação se dá por meio de agentes coletivos, podendo ser denominados de associações comunitárias, ligas de futebol, sociedades esportivas, etc. (SILVEIRA e STIGGER, 2007; MYSKYW, 2012; FORELL; STIGGER, 2016). Vamos nos referir a estes agentes coletivos como Organizações Comunitárias. 
Assim, a pergunta norteadora desta investigação é: quais são os lugares das organizações comunitárias nas políticas de esporte e de lazer em Porto Alegre pelo ponto de vista dos professores da Secretaria Municipal de Esporte, Recreação e Lazer (SME)?

2 METODOLOGIA 
Esta investigação constitui uma das ações da Rede CEDES-RS. A partir da temática apresentada, serão realizadas entrevistas com professores e gestores de diferentes unidades recreativas da SME. O estudo também contará com observações participantes, visto que o pesquisador principal também é professor da SME.

3 DESCRIÇÕES E INTERPRETAÇÕES
A relação entre os professores/gestores e as organizações comunitárias, em muitas das situações observadas, ocorrem por meio de questões gerenciais do cotidiano, se configurando como um investimento nas unidades recreativas. Como alguns exemplos temos: conserto de equipamentos como caixas de som, ou conserto de vidros de janelas, aquisição de ar-condicionado, melhoria nos locais de intervenção, etc.
A escolha de quais investimentos devem ser executados partem das ‘negociações cotidianas’ dos agentes envolvidos. Nesse sentido, as políticas públicas ganham contornos que são, em certa medida, dependentes do ‘protagonismo dos professores/gestores’. 
Além disso, verifica-se que há limites na configuração das Organizações Comunitárias como agentes de participação das comunidades nas políticas públicas de esporte e de lazer.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A categoria ‘função da Organização Comunitária’ será construída a partir dos pontos de vista dos professores entrevistados. Assim, pretendemos analisar como as Organizações Comunitárias auxiliam o trabalho cotidiano dos gestores/professores, como essas organizações contribuem para a participação da população na elaboração e execução das políticas públicas de esporte e de lazer e como são as negociações e disputas entre os gestores/professores e as Organizações Comunitárias.

5 REFERÊNCIAS
AMARAL, S. C. F. Avanços e contradições da participação popular na definição de políticas públicas de lazer em Porto Alegre. Movimento, Porto Alegre, v.11, n.3, p.9-26, setembro/dezembro, 2005.
FORELL, L.; STIGGER, M. P. Gestão e Democracia: um estudo etnográfico sobre a apropriação das políticas públicas de esporte e lazer no parque Ararigbóia em Porto Alegre. Licere, Belo Horizonte, v.19, n.2, junho, 2016.
MOLINA, R. M. K. A participação cidadã nos marcos das políticas de lazer: implicações e protagonismos. Movimento, Porto Alegre, v.10, n.2, p.11-37, maio/agosto, 2004.
MYSKIW, M. Nas controvérsias da várzea: trajetórias e retratos etnográficos em um circuito de futebol da cidade de Porto Alegre. 2012. 415 f. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012.
SILVEIRA, R.; STIGGER, M. P. Espaço de jogo – espaço de envelhecimento: sociabilidade lúdica na sociedade esportiva recanto da alegria. Rev. Bras. Cienc. Esporte, Campinas, v.29, n.1, p.177-192, setembro, 2007.
STIGGER, M. P. Administração de Parques Públicos e Democracia: um estudo de caso na área de políticas públicas para um lazer na perspectiva democrática. 1992. 153 f. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Educação Física, Universidade Gama Filho, Rio de Janeiro, 1992.

Endereço: http://congressos.cbce.org.br/

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