Praticas Socioculturais, Poder e Diferenciação em Bico, Cuiamucu e Canela-fina - Comunidades Amazonicas

Por: Gláucio Campos Gomes de Matos.

2008 17/12/2008

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Resumo

   A pesquisa foi desenvolvida em três comunidades do Município de Boa Vista do Ramos/ AM, a 270km de Manaus em linha reta ou, como é mais comum, 367km pelas estradas de rios. A viagem em barco de Manaus a Boa Vista é de 16 a 17 horas. Da sede do município à Bicó, Cuiamucu e Canela-Fina, mais duas horas em motor de rabeta. Os nomes fictícios escolhidos às comunidades pesquisadas têm como objetivo resguardar suas identidades. O objeto desta pesquisa foi estudar figuração, poder, diferenciação e redes de interdependência imbricadas às práticas socioculturais do extrativismo animal e vegetal: caça, pesca e produtos da floresta; o cultivo do solo com o plantio da mandioca, a criação de boi e a prática do futebol como espaço de lazer. Os objetivos foram (i) fornecer subsídios para maior compreensão do modo de vida de populações residentes em comunidades do Amazonas, conhecidos por "ribeirinhos", em suas práticas sócio-culturais; (ii) revelar processos de diferenciação socioculturais ocorrendo nas comunidades pesquisadas por interferência do processo de integração, maior monetarização, programas sociais do governo, aumento populacional, monitorização da terra - vigilância via satélite e agentes fiscalizadores - pelo Estado, mudanças na percepção do valor simbólico de produtos naturais e a influência da prática esportiva nacional; (iii) fornecer subsídios que possam a vir contribuir com as discussões ambientais no Amazonas, levando em consideração o modo de vida de sua população. Optamos pelos procedimentos etnográficos, que nos possibilitou descrever as práticas corporais socioculturais a partir de observação participante, entrevistas, conversas, diálogos. O conceito de figuração nos proporcionou compreender a área de pesquisa inserida em redes de interdependências funcionais mais ampliadas. Os conceitos de crescimento extensivo e intensivo foram os critérios utilizados para discutir as práticas socioculturais. O aumento demográfico e geográfico, melhor padrão de vida da população, maior mobilidade espacial e social imbricadas no processo de integração fez notar seus efeitos ao ecossistema da região. O uso do fogo, a força motriz e a incorporação da motosserra empurraram a mata para mais longe. Enquanto a roça equilibra as relações de poder, a criação de boi tornou-se o diferencial social. Ela fez derrubar mais a mata de terra firme e igapó, empurrando a roça, áreas de caça e pesca para mais longe da casa. O boi exige maior organização para obter melhores resultados. Com as redes de interdependências ampliadas e as novas aspirações surgindo nas comunidades pesquisadas, pode-se notar maior pressão sobre a caça, peixe, quelônio e madeira. Nesse contínuo de práticas, a rotina é interrompida no 'jogo de bola'. Embora observado que a excitação prazerosa ocorra em outras atividades, é no jogo de bola que homens e mulheres a compartilham pública e socialmente, desobstruídas de obrigatoriedade.

Endereço: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000436498&opt=1

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