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De Olho no Lance! Estudos Sobre árbitros e Arbitragem

Cevnautas,  

Chegamos a ter 270 listas de discussão, menos grupos e, a partir de 2008, juntamos áreas afins nas 154 comunidades. Nesses 20 anos ciscamos a criação da lista, grupo ou comunidade cevárbitragem. Nunca conseguimos, a despeito de termos város arbitros profissionais das diversas modalidades entre os 43 mil cevnautas.  

O artigo do Dr. Rogério Tuma, na Carta Capital, oferece uma chance de voltarmos à carga. Ele relembra a raridade dos estudos sobre arbitragem e cita um artigo que estuda arbitros. Essa é uma boa oportunidade para termos no CEV a nova revista Cognitive Research: Principles and Implications, e o artigo de outubro de 2016.  

Para tanto acionamos a campanha adote a tradução um resumo (com crédito para o tradutor).  Quem encara?

O artigo na Carta Capital, que traz também o endereço da Universidade de Louven onde dá pra fazer testes visuais em jogadas.  

De olho no lance

por Rogério Tuma — publicado 14/11/2016 00h14  

Por que há juízes de futebol que erram muito, enquanto há outros que parecem ter olhos de lince ...  

O artigo completo: http://www.cartacapital.com.br/revista/926/de-olho-no-lance  

O resumo do artigo referenciado para a tradução (que pode ser postada aqui mesmo na comunidade):  

Spitz, J., Put, K., Wagemans, J., Williams, A., Helsen, W. (2016). Visual search behaviors of association football referees during assessment of foul play situations. Cognitive Research: Principles and Implications, 1 (12), art.nr. DOI 10.1186/s41235-016-0013-8.  

Visual search behaviors of association football referees during assessment of foul play situationsIt is well reported that expert athletes have refined perceptual-cognitive skills and fixate on more informative areas during representative tasks. These perceptual-cognitive skills are also crucial to perform... Jochim Spitz, Koen Put, Johan Wagemans, A. Mark Williams and Werner F. Helsen Cognitive Research: Principles and Implications 2016 1:12 Published on: 31 October 2016  

Abstract

It is well reported that expert athletes have refined perceptual-cognitive skills and fixate on more informative areas during representative tasks. These perceptual-cognitive skills are also crucial to performance within the domain of sports officials. We examined the visual scan patterns of elite and sub-elite association football referees while assessing foul play situations. These foul play situations (open play and corner kick situations) were presented on a Tobii T120 Eye Tracking monitor. The elite referees made more accurate decisions and differences in their visual search behaviors were observed. For the open play situations, referees in the elite group spent significantly more time fixating the most informative area of the attacking player (contact zone) and less time fixating the body part that was not involved in the infringement (non-contact zone). Furthermore, the average total fixation time in the contact zone and non-contact zone tended to differ between the e lite and sub-elite referees in corner kick situations. In conclusion, elite level referees have learned to discern relevant from less-relevant information in the same way as expert athletes. Findings have implications for the development of perceptual training programs for sport officials.

Keywords: Expertise, Sports officials, Decision making, Eye-tracking  

FONTE: https://cognitiveresearchjournal.springeropen.com/articles/10.1186/s41235-016-0013-8

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Comentários

Por Roberto Affonso Pimentel
em 24-11-2016, às 07h49.

Antes de falarmos do "Árbitro", é fundamental que se conheça o seu campo de trabalho e em que época se situa. Não creio também que se deva "penalizar" quem quer que seja, uma vez que seu desempenho em campo está íntimamente vinculado ao seu preparo, à sua formação. Tenho certeza que poucas pessoas têm a sensibilidade e o preparo para realizar um julgamento imparcial, pois somos todos movidos pelas "paixões".

 Quanto aos cientistas, falta-lhes o indispensável "entrar em campo" para ter consciência do que se passa na cabeça de um ártibro. Em outras palavras, a PRÁTICA. 

-- Como acham que os agentes encarregados  dessa formação procedem? Indo um pouco mais além, 

-- Como são formados os técnicos esportivos no Brasil, especialmente aqueles que se dedicam às divisões de base?

   

Lembro aos cevenautas que que existe um trabalho único no Brasil sobre Arbitragem no voleibol. Está contido em 57 páginas no livro História do Voleibol no Brasil. Refere-se ao período 1939 a 2000.

Afora um título Evolução das Regras (20 páginas), sem o que fica impossível acompanhar o desenvolvimento da arbitragem.

Poderão recorrer à biblioteca do CEV, ou ao autor. Não está à venda em livrarias.

Falaremos mais adianate sobre condições básicas requeridas para um BOM árbitro. E principalmente, como assiti-lo em sua formação.  

-- Qual a melhor estatégia para elaborar intruções que permitam construir uma máquina capaz de pôr em prática habilidades tremendamente complicadas?

-- O que isso tem haver com atuação de árbitros em geral?

 

Aguardem!

Por Roberto Affonso Pimentel
em 24-11-2016, às 19h11.

Sobre o artigo "De Olho no Lance" mencionado lá em cima, que é examinado aqui. 

Longe de querer esgotar o assunto, podemos resumir neste momento como treinar um árbitro.

Somos seres mielínicos. Quando adquirimos habilidade complexas, estamos utilizando para fins individuais um antiquíssimo mecanismo de adaptação, e isso só é possível porque nossos genes nos permitem, ou melhor, permitem que nossas necessidades e nossas ações determinem de quais habilidades precisamos ou quais delas queremos. Esse sistema é flexível, receptivo e econômico, pois concede a cada membro a capacidade inata de adquirir as habilidades de que precisa. Os resultados obtidos não são acidentes do destino, é a consequência inevitável de um mecanismo evolutivo comum, preparado para reagir a certos tipos de sinal. A habilidade é um isolante (mielina) que recobre os circuitos neurais e que cresce em reação a determinados sinais.

Assim, ainda que o talento nos pareça algo predestinado, temos bastante controle sobre quais habilidades desenvolvemos, e cada um de nós possui mais potencial do que supõe. Todos temos a possibilidade de virar soberanos de nossa própria internet.

Basta descobrir como fazê-lo!

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De Olho No Lance

  • [...] Uma decisão errada pode mudar o destino do jogo e as escolhas são sempre difíceis.[...]
  • Quem julga o que está errado? Se jogadores, depende de que lado estão! Mesmo porque são inúmeros os atletas que se aproveitam e provocam lances nada éticos para se locupletarem. A famosa “malandragem”.

Se espectadores, cronistas e demais experts, não vale a pena ouvi-los, pois estão repletos de paixões e interesses, além da distância e ângulos não propícios a uma análise condizente. Aliás, os apupos são pressões que se exercem especialmente sobre o árbitro, inclusive à sua progenitora.

[...] (as escolhas)... Devem ser feitas em poucos segundos, baseadas em várias informações que o próprio árbitro deve observar durante a jogada, [...]

Como realizam os grandes enxadristas.

Existem muitos estudos que analisam como um bom jogador constrói sua jogada, sua percepção tridimensional, cálculo, análise de risco e planejamento. Todas essas qualidades são importantes para formar um craque. Todas são características genéticas, mas que podem ser aperfeiçoadas com treino. Quanto ao trabalho do juiz, poucos são os estudos, mas se descobríssemos o que é necessário para transformar um árbitro em um expert, poderíamos construir um modelo de aperfeiçoamento da profissão.

  • Todas são características genéticas, mas que podem ser aperfeiçoadas com treino

À luz da novel Neurociência, essa concepção relativa aos genes ficou para trás desde o final do século passado.

Ora vejam só. Só os cientistas pensam dessa forma...Se descobríssemos o que é necessário para transformar um árbitro em um expert poderíamos construir um modelo de aperfeiçoamento da profissão.

Vamos nos ater a esse ponto:

  • Num desses raros estudos, para checar as diferenças entre um juiz de futebol de alta qualidade e os não tão bons assim, pesquisadores da Bélgica e da Inglaterra selecionaram 39 árbitros da Primeira e da Terceira Divisão e lhes apresentaram 20 vídeos, nos quais dez eram cenas de cobranças de escanteio e outros dez, disputas de bola no campo.
  • A descoberta foi interessante. Juízes de elite acertaram em 61% dos casos sobre que sanção deveriam dar aos jogadores, entre falta, cartão amarelo ou vermelho, enquanto juízes da liga inferior acertaram apenas 45% dos veredictos. 

É bem possível que juízes de elite se diferenciem de seus colegas da liga inferior, pela experiência que já possuem, i.e., dedicaram mais tempo envolvidos em sua prática. Mielinizaram suas habilidades.

Tive dificuldades para abri o vídeo. Mas em um deles, percebe-se que a câmera está atrás dos jogadores, uma posição invertida de onde é cobrado o corner.(escanteio). Ora, esta não é a melhor posição de um árbitro para que visualize tudo o que ocorre. Ademais, admitem-se contatos os mais variados nesses momentos, até o ponto em que não prejudique (muito) um dos atletas.

  • O comportamento de procura do olhar foi o fator que mais diferenciou os dois grupos. Juízes de boa qualidade conseguiam, provavelmente por experiência, concentrar seus olhares nas áreas de maior risco de colisão entre os jogadores, enquanto os outros olhavam a cena sem se fixar por muito tempo em locais de risco.

Este é um olhar como se exige dos experts no jogo de xadrez. Os mestres lembram as peças e suas respectivas posições de quatro a cinco vezes melhor do que os jogadores comuns. (jogadores internacionais se lembram de quase 100% do tabuleiro). Conclui-se que há uma diferença de organização entre os níveis dos enxadristas. É uma diferença de organização, entre alguém que compreende uma linguagem e alguém que a desconhece.

A habilidade, então, consiste em identificar elementos importantes e agrupá-los num sistema significativo. Esse tipo de organização em blocos maiores e carregados de sentido é o que os psicólogos chamam de chunking.

  • Para os pesquisadores doutor Jochim Spitz e colaboradores da Universidade de Leuven, na Bélgica, o comportamento de procura do olhar é uma qualidade genética, mas que pode melhorar muito com o treino. Com o tempo, os experts aprendem a checar onde a falta pode ocorrer com maior probabilidade, e não apenas o trajeto da bola.

Creio que o doutor Jochim deve se aprofundar mais em genética e neurociência.

Pena que o doutor Jochim Spitz e seus colaboradores não estivessem dentro da área nesse vídeo!

O trajeto da bola determina o possível ponto de impacto com o jogador. Daí a maior importância do lance.

  • “Com o tempo...” se todos forem bem treinados certamente melhorarão sua observação.
  • Atualmente, os treinos de juízes são feitos com preparo físico e discussões teóricas sobre as regras do jogo. Mas os autores sugerem que vídeos sejam uma ferramenta básica para o aperfeiçoamento da profissão, em que a simulação de jogadas exija tomadas de decisão mais realistas.

Nada substitui a prática. É no campo de jogo que o juiz se desenvolve, isto é, erra, torna a errar, e torna a errar menos.

Como diz antigo provérbio alemão: "É a partir dos seus erros que você se torna mais inteligente."

Por Roberto Affonso Pimentel
em 25-11-2016, às 10h31.

Da série... "COMO TREINAR ÁRBITROS"

Veja verdadeiras pérolas consignadas na reportagem anterior...

"Se todos forem bem treinados, certamente melhorarão sua observação"

"O comportamento de procura do olhar é uma qualidade genética, mas que pode melhorar muito com o treino".

"Com o tempo, os experts aprendem a checar onde a falta pode ocorrer com maior probabilidade, e não apenas o trajeto da bola".

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O velho confilto entre TEORIA e PRÁTICA

Não teria sido melhor entrevistar um árbitro (expert) já com anos de carreira? Melhores conselhos seriam aproveitados.

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A Formação dos Árbitros

Algumas Regras do Treinamento Profundo

      Tente de novo. Erre de novo. Erre melhor. (-Samuel Beckett)

O que nos diz a ciência neural

-- Por que os adolescentes tomam decisões ruins?

-- Porque, embora já tenham todos os neurônios, estes não estão completamente recobertos de isolante (mielina).

Enquanto o circuito neural inteiro não estiver isolado não ficará instantaneamente disponível para alterar um comportamento impulsivo no momento em que este acontece, apesar de ser capaz de fazê-lo. Adolescentes entendem a diferença entre o que é certo e o que é errado, só demoram em descobrir qual é qual.

Teoria & Prática

Coisas que à primeira vista parecem obstáculos terminam se revelando úteis. Um contato real, ainda que só por alguns segundos, é bem mais útil que centenas de observações.

Memória do movimento

Costumamos pensar na memória como um gravador, mas isso é um equívoco. Ela é uma estrutura viva, um conjunto de andaimes de tamanho quase infinito. Quanto mais impulsos geramos ao encontrar e superar dificuldades, mais andaimes construímos. Quanto mais andaimes construímos, mas velozmente aprendemos.

Devagar vai-se mais longe

Quando estivermos treinando profundamente, as regras usuais do mundo ficam suspensas. Devemos usar o tempo de forma mais eficiente. Nossos pequenos esforços produzem grandes resultados: grandes e duradouros. Assumimos assim uma posição na qual temos o poder de agir com eficácia, de identificar nossos erros e transformá-los em habilidade.

Treinar, treinar,...e treinar pouco adianta

O truque é escolher um objetivo um pouquinho além de nossas habilidades presentes, ou seja, fazer do próprio esforço parte da meta. Exaurir-se às cegas de nada adianta; tentar ir além, esforçar-se na direção desse objetivo a princípio inalcançável, SIM.

Busca do ponto ideal

Só é preciso achar o ponto ideal. Há uma distância mais favorável entre o que sabemos e o que estamos tentando fazer. Quando achamos esse ponto ideal, o aprendizado deslancha. Você melhora seu coeficiente de rendimento em um ponto, apesar de ter praticado metade do tempo.

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Depoimento do pesquisador e professor George Bartzokis, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA). Do livro “O código do talento”, Daniel Coyle.

 

Por Roberto Affonso Pimentel
em 25-11-2016, às 15h49.

Para ampliar o nosso conhecimento (e entendimento) no que se refere à busca de uma metodologia que melhor se aplique a cada indivíduo. Em outras palavras, "COMO ENSINAR"

 

Sobre Genética e Neurociência

Conheçam a Mielina

Depoimento do pesquisador e professor George Bartzokis, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA). Do livro “O código do talento”, Daniel Coyle.

 

  • Por que os adolescentes tomam decisões ruins?
  • Porque, embora já tenham todos os neurônios, estes não estão completamente recobertos de isolante.

Enquanto o circuito neural inteiro não estiver isolado não ficará instantaneamente disponível para alterar um comportamento impulsivo no momento em que este acontece, apesar de ser capaz de fazê-lo. Adolescentes entendem a diferença entre o que é certo e o que é errado, só demoram em descobrir qual é qual.

Sopradores de Talento

Desde Darwin, o modo tradicional de conceber o talento é este: os genes (o inato) e o ambiente (o adquirido) se combinam para fazer de nós o que somos. Nessa visão, os genes são as cartas cósmicas que recebemos, cartas essas reembaralhadas a cada nascimento, e o ambiente é o jogo no qual as recebemos. De vez em quando o acaso produz uma perfeita combinação de genes e ambiente, combinação que resulta num talento extremo ou gênio.

O modelo baseado na distinção entre o inato e o adquirido já demonstrou tremenda popularidade. Além de ser claro e de quebrar paradigmas, explica uma grande variedade de fenômenos no mundo material. Mas, em se tratando de explicar o talento humano, esse modelo já não é bem sucedido: aliás, é vago a ponto de não fazer sentido algum.

Acreditar que o talento resulta de fatores genéticos e de fatores ambientais é como acreditar que os biscoitos resultam do açúcar, da farinha e da manteiga. É uma crença verdadeira, porém inútil. Para abandonar o já ultrapassado modelo que impõe o inato e o adquirido, precisamos ter uma ideia clara de como os genes de fato atuam.

Genes

Os genes não são cartas de um baralho cósmico. São manuais de instruções que foram testados pela evolução e que permitem construir as máquinas complicadíssimas que somos nós. Contêm o projeto arquitetônico, inscrito nos nucleotídeos, para construir nossas mentes e corpos, nos mínimos detalhes. A tarefa da construção segundo esse projeto ou design é imensamente complexa, porém muito direta: os genes instruem as células a fazer os cílios desse jeito, a unha do pé daquele outro.

Em se tratando de comportamento, porém, os genes têm de lidar com um desafio diferente no que diz respeito ao design. As máquinas humanas existem e se movimentam num mundo vasto e diversificado. Deparam-se com os mais variados perigos, oportunidades e experiências novas.

As coisas acontecem depressa, e o comportamento – ou seja, as habilidades – precisam mudar depressa. Nisso reside o desafio:

  • Como escrever um manual de instruções para o comportamento?
  • Como nossos genes, em sua pacata existência no interior das células, ajudam nossa adaptação a um mundo em constante mudança e que sempre oferece perigo?

A evolução dos genes

Fomos capazes de enfrentar esse problema porque nossos genes evoluíram para um engenhoso mecanismo: contêm instruções para a construção de nossos circuitos com impulsos predeterminados, tendências, instintos.

Os genes constroem nossos cérebros de tal modo que, ao nos depararmos com certos estímulos – uma refeição saborosa, uma carne estragada, um tigre à espreita, ou um possível companheiro – aciona-se um programa neural previamente instalado, e as emoções são por ele usadas para guiar nosso comportamento numa direção vantajosa. Sentimos fome quando percebemos cheiro de comida, nojo quando o cheiro é de carne podre, medo quando vemos um tigre, desejo quando vemos um possível parceiro sexual. Guiados por esses programas neurais preestabelecidos, navegamos na direção de uma solução.

Essa estratégia funciona bem quando se trata de criar comportamentos adequados em certas situações. E no caso de comportamentos mais complexos, como tocar saxofone ou jogar palavras cruzadas ou xadrez?

Como já sabemos, habilidades mais complicadas envolvem cadeias de milhões de neurônios que trabalham juntos com uma precisão de milissegundo. A aquisição de habilidades complexas é uma questão de estratégia de design.

  • Qual a melhor estratégia para elaborar instruções que permitam construir uma máquina capaz de pôr em prática habilidades tremendamente complicadas?

Uma estratégia de design óbvia seria a de fazer os genes pré-programarem a habilidade. Os genes forneceriam instruções detalhadas, etapa por etapa, para construir os circuitos neurais necessários a uma habilidade específica: tocar música, fazer malabarismo, estudar cálculo. Quando viesse o estímulo certo, todos os circuitos previamente construídos se conectariam e começariam a disparar, surgindo assim o talento. Essa estratégia de design parece acertada (afinal, não poderia ser mais direta), mas apresenta dois grandes problemas:

  1. Seria muito cara em termos biológicos. Construir esses circuitos elaborados exigiria tempo e recursos, dos quais só disporíamos sacrificando outro aspecto de nosso design.
  2. Seria uma aposta com o acaso. Construir previamente os circuitos para criar um gênio da engenharia de software de nada valeria em 1859, assim como não seria de grande utilidade fazê-lo para criar um ferreiro genial nos dias atuais. No espaço de uma geração ou de algumas centenas de quilômetros, habilidades complexas podem passar de cruciais a triviais ou vice-versa.

Noutras palavras, programar previamente o circuito de milhões de neurônios necessários a uma habilidade complexa seria uma aposta tola e dispendiosa demais para que os genes a fizessem. Outros genes talvez fossem mais propensos a isso, mas foram eliminados há tempos, juntamente com as linhagens deles portadoras. 

 

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