Integra

Leio, com frequência, notícias sobre o acúmulo de riqueza na mão de poucos, e o aumento da pobreza e da desigualdade, até mesmo em países considerados desenvolvidos.

Nesta semana o mundo viu surgir o primeiro trilionário (em dólares!) da história. Elon Musk, sul-africano radicado nos EUA, acumulou um patrimônio líquido de US$ 1,1 trilhão, o equivalente a mais de seis trilhões de reais!

Empresas como a Tesla, Space X, Starlink, xAI e rede social X estão por trás desse acúmulo absurdo de patrimônio e poder em uma só pessoa. Esse trilhão equivale à renda somada de 3,5 bilhões dos habitantes mais pobres do planeta (40% da população). Também supera o PIB acumulado de 120 nações e, se existisse a “República da Elonmáskia” ela seria a 22a nação do planeta com maior PIB! Essa posição é superior à de países considerados ricos, como Taiwan, Bélgica ou Suécia.

Certamente ouviremos argumentos em defesa desse acúmulo de riqueza em algumas mãos apenas, afirmando que são esses empresários que promovem o progresso mundial e abrem milhões de postos de trabalho. Também são “grandes filantropos”, quer dizer, abatem impostos com caridade ou distribuem algumas migalhas de suas fortunas (com honrosas exceções, é claro).  Afinal, estamos num mundo onde “quem pode mais chora menos” e, de uma forma hipócrita, diz-se que “as oportunidades estão abertas para todos”.

Não se trata de uma questão ideológica; também não é uma crítica simplória à forma de capitalismo que favorece a concentração de riqueza e a desigualdade. Afinal, mais ricos e mais pobres existirão em qualquer sociedade, por diversas razões históricas. Trata-se de discutir dignidade humana, equidade, bem-estar, menos privilégios e mais oportunidades para todos.

Maior não significa melhor... Melhor que antes não significa bom... Em termos de qualidade de vida de uma população, valores médios altos significam pouco se o desvio padrão também é grande. Repito o que já disse não sei quando: a morte é a cereja que a natureza colocou no bolo da vida. Neste mundo, chega-se nu, de mãos vazias e parte-se nu, também de mãos vazias, mesmo num mausoléu de diamantes.

Grande abraço.

Markus Nahas