300 palavras (26.17). Imobilidade Social no Brasil: as Castas que fingimos não ver
Integra
“Deus ajuda quem trabalha (e quem cedo madruga)! A educação é direito de todos e a base de uma nação próspera! As oportunidades são iguais para todos; os melhores se destacam!” Não dá para levar tudo isso ao pé da letra. O “sonho americano” exportado aos países do sul global está mais para um pesadelo recorrente em populações socialmente “engessadas”.
Nesta semana foi divulgada a mais recente edição do Atlas da Mobilidade Social, desenvolvido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social – IMDS (http://imdsbrasil.org.br), com dados nada animadores para as camadas mais pobres da sociedade brasileira. Se você estudar, aumentam as chances de ascensão social. Se trabalhar com afinco, também. Mas as evidências mostram que as chances de progredir são bem menores do que deveriam ser para quem está na metade de baixo em termos de renda.
À despeito de muitos esforços e algum resultado no combate às desigualdades em nosso país, os dados publicados revelam uma quase imobilidade nos diversos segmentos sociais: é muito pouco provável que alguma criança no quartil inferior (25% mais pobres) chegue a ser um adulto entre os 25% mais ricos. O inverso é quase uma certeza: filho de pais ricos não muda para um vagão de classe inferior, independentemente do que acontecer em suas vidas. Veja os números no Atlas 2026
- https://atlasmobilidadesocial.org.br/.
Esse quadro é ainda pior entre as mulheres e pessoas negras. Estamos carecas (não o do INSS) de saber disso: Além da estratificação perversa em termos gerais, há, ainda, as diferenças por gênero e cor da pele dentro de cada estrato
Apesar das idas e vindas, vários indicadores melhoraram nas últimas décadas no Brasil: IDH, Índice de Gini, desemprego, escolaridade e abandono da escola, pobreza absoluta... Sim, em termos de desigualdade social, pode-se dizer que o Brasil melhorou; mas, como mostrou o último relatório de mobilidade social, ainda está longe do ideal e continuamos sendo um país de extremos e castas disfarçadas.
Grande abraço.
Markus Nahas