Integra

A Educação Física Escolar sempre foi exaltada como parte fundamental do currículo
para a formação geral e integral dos estudantes. Mas essa mesma disciplina é sempre
questionada e “anda com um alvo nas costas” quando se fala em mudanças
curriculares, como se ocupasse um tempo e um espaço que poderiam ser melhor
utilizados pela matemática, língua portuguesa ou ciências em geral.
É, em geral, a EF não anda nada bem nas escolas brasileiras - públicas ou particulares,
por causas externas e da própria Educação Física.
A última edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (IBGE, 2024) teve seu
relatório final divulgado recentemente, e nos ajuda a entender como anda e o que
mudou nos indicadores de saúde de estudantes de 13 a 17 anos nas escolas
brasileiras (https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102266.pdf.. Vou comentar
apenas sobre a oferta de aulas de EF.
Sempre achei que as evidências do papel fundamental da atividade física na saúde,
no desenvolvimento e no bem-estar em todas as faixas etárias fariam da EF nas
escolas o carro-chefe de um movimento global para a promoção de estilos de vida
mais ativos e saudáveis. No mesmo sentido, o aumento do número de escolas em
tempo integral no Brasil parecia favorecer tal movimento por mais espaço para a EF.
Não é o que os dados indicam.
Não se trata apenas de mais aulas por semana. Mais do mesmo não significa melhor.
Mas pode-se começar por aí e melhorar o processo. A PeNSE 2024 mostra que menos
de um terço dos estudantes tiveram duas ou mais aulas de EF
na semana anterior à
pesquisa, como determina a lei brasileira, e longe do que sugere o Guia de Atividade
Física para a População Brasileira – ao menos três aulas de 50 minutos por semana!
Há desigualdades regionais e entre escolas públicas x particulares descritas no
relatório.
PeNSE: fala-se muito sobre a importância da EF nas escolas, mas faz-se pouco para
torná-la efetivamente um componente curricular importante, com tempo e espaços
adequados, conteúdos e métodos culturalmente relevantes, e com a orientação de
professores realmente qualificados!
Grande abraço.

Markus Nahas