Integra

Estou lendo o best seller de Steven Pinker “O Novo Iluminismo”, focado na “defesa da razão, da ciência e do humanismo”.  Oportuno para os tempos em que vivemos.  A única observação a ser feita é de que a obra foi lançada em 2018 – antes da pandemia, das guerras na Ucrânia e Iraque, do terrorismo em Israel e posterior destruição total de Gaza, e, talvez o mais crítico, da era Trump e seus efeitos globais.

Na primeira semana de outubro acompanhamos a realização da Assembleia da ONU, e a constatação é de que mudamos, crescemos, mas pouco evoluímos em termos de relacionamento e equidade entre nações e entre pessoas. A solidariedade parece estar em falta, prevalecendo correntes políticas com visões de mundo enviesadas, egocêntricas, onde os interesses econômicos e de dominação nacionais sobrepõem-se aos interesses internacionais.

A Cruz vermelha registra, hoje, mais de uma centena de conflitos armados no mundo: desde escaramuças regionais até guerras entre Estados. É o maior número desde a segunda guerra mundial. Paralelamente, e também por causa desses conflitos, observam-se crises humanitárias sem precedentes, com o deslocamento forçado de milhões de pessoas, situações de epidemias e fome em muitas regiões do planeta – notadamente no Oriente Médio e na África. A falta de visibilidade de muitos conflitos regionais justifica-se pela “irrelevância” regional em termos geoeconômicos. Onde tem petróleo ou terras raras/minerais críticos certamente tem a atenção das grandes potências e das empresas multinacionais. Já as instituições internacionais de ajuda humanitária - ONU, OMS, Cruz Vermelha, Médicos Sem Fronteira etc. -, sofrem com o desamparo crescente decorrente do negacionismo, do unilateralismo e do egocentrismo que parece predominar entre os líderes de grandes nações.

Quem liga para as escaramuças e epidemias na África? Com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), cujo prazo de consecução (2030) se aproxima e as chances são pequenas de serem alcançados? Água, comida, segurança, saúde e educação de qualidade para todos, redução das desigualdades...

Nesse contexto de conflitos armados, epidemias, fome, intolerância e negacionismo climático, observa-se uma repentina preocupação com a velocidade de crescimento da IA e dos riscos associados a esse fenômeno.

É, Pinker está certo: No mundo nunca precisamos tanto da defesa da razão, da ciência e do humanismo! Aqui também.

Grande abraço.

Markus Nahas