Integra

“Crescei, multiplicai e enchei a Terra”. Está no Gênesis, na Bíblia. Pessoas,
organizações e países querem crescer. Sempre. E isso pode ser um problema. Na
biologia, o “Limite de Hayflick” nos mostrou que as células humanas tem a
capacidade de se dividirem de 40 a 60 vezes, antes de entrarem em senescência.
A exceção são as células cancerígenas, que se multiplicam indefinidamente.
Na infância e na adolescência é comum riscar a parede marcando nossa altura,
registrando o crescimento ano após ano. Sabemos, desde o início, que um dia não
veremos mais esse aumento de estatura e que, na velhice, essa medida irá
diminuir gradualmente. Podemos, entretanto, melhorar como pessoas
indefinidamente.
As empresas têm metas de crescimento anual e visualizam um “tamanho”
(faturamento) sempre maior do que o atual. Tudo bem, não fosse a falta de
definição de um tamanho ideal, a partir do qual a busca seria essencialmente pela
eficiência dos processos e o bem-estar das pessoas.
Os países medem seu crescimento pelo PIB (Produto Interno Bruto) e a
comparação com as demais nações indica se estão entre os mais ou menos
desenvolvidos. Mesmo com a população estabilizada (ou diminuindo), a busca
pelo crescimento contínuo do PIB é uma obsessão. Entretanto, quando se atinge
um nível suficiente de desenvolvimento econômico e bem estar social, a meta
deveria ser a redução das desigualdades e a busca por melhores indicadores de
qualidade de vida.
Sonha, Marcelino (como diria minha Vó).
“Há muita riqueza no mundo, nas mãos de poucos, e o número de pobres
continua aumentando” (Leão XIV). Milhões de pessoas vivem na extrema pobreza
(menos de 3 dólares/pessoa/dia). No Brasil, 3,5% da população (o menor índice na
série histórica). Ainda assim, são quase 8 milhões de brasileiros nessa condição; e,
no mundo, quase um bilhão de pessoas! Estamos falando de sobrevivência, em
níveis muito abaixo do limiar da dignidade humana, quando começa a escala que
mede qualidade de vida.
Devemos crescer até termos o suficiente: dignidade e boa qualidade de vida para
todos! Entretanto, como afirmava o sábio grego Epicuro (270 a.C.); “NADA É
SUFICIENTE PARA QUEM O SUFICIENTE É POUCO”.
Grande abraço.

Markus Nahas