Resumo
O avanço no uso termografia infravermelha no meio esportivo, enquanto método de monitoramento da carga de treinamento, tem promovido o aumento do número de estudos com a utilização dessa técnica. Porém, os resultados ainda se mostram divergentes quanto ao comportamento da temperatura termográfica da pele, após o exercício. Dessa forma, o objetivo geral desta tese foi de avaliar a utilização da temperatura termográfica da pele como monitoramento de carga de treino. A tese foi dividida em dois estudos. O estudo 1 investigou se a medição da temperatura termográfica da pele (TTP) por meio da termografia infravermelha poderia refletir o acúmulo de carga de treinamento durante o período preparatório de um time profissional de voleibol. Dezesseis atletas (20,1 ± 3,1 anos, 88,1 ± 6,1 kg, 193 ± 0,1 cm e 13,3 ± 2,3% de gordura corporal) foram avaliados ao longo de duas semanas do período preparatório (5 dias de treinamento em cada semana) para a segunda divisão da Superliga Brasileira Masculina de Voleibol. Após uma semana de familiarização com os procedimentos do estudo, a TTP foi medida em oito regiões de interesse (ROI) (partes anterior e posterior do braço, ombro, coxa e perna) no primeiro e no último dia de treinamento de cada semana, juntamente com percepção subjetiva de recuperação (PSR), medido no primeiro e no último dia de treinamento de cada semana. A carga de treinamento para cada sessão e a carga de treinamento semanal total (CTST) foram calculadas usando o método de classificação da percepção subjetiva de esforço da sessão (PSE sessão). Três dias na primeira semana e quatro dias na segunda semana apresentaram cargas de treinamento maiores (χ2 = 89,1, p < 0,001), conforme indicado por uma redução significativa na PSR ao final de cada semana (F = 52,3, p < 0,001). Entre as oito ROI examinadas, cinco (ombro parte anterior e posterior, braço parte posterior e perna parte anterior e posterior) apresentaram diminuição na TTP após dois dias de descanso (fim de semana), enquanto duas ROI (ombro parte anterior e posterior) apresentaram aumento na TTP ao final da semana de treinamento seguinte (p < 0,05). Das 44 associações examinadas entre TTP, PSR e CTST, apenas as associações entre o delta PSR e o delta médio da TTP da perna anterior e posterior foram significativas (β = − 0,20, p < 0,045 para ambos). Como conclusão do estudo 1, os resultados sugerem que a TTP pode ser alterada durante o período pré-competitivo em jogadores profissionais de voleibol; no entanto, não parece estar associado ao PSR e à carga de treinamento avaliada pelo método PSE sessão. O estudo 2, teve o objetivo de avaliar a TTP 24h após uma sessão de treino no voleibol e relaciona-la com variáveis de desempenho e de PSR. Participaram do estudo 10 jogadores de voleibol da categoria sub-19 (18,9±1,1 anos; 185,4±4,5 cm; 70,3±8,6 kg). Antes e 24h após uma sessão de treino no voleibol, os atletas foram avaliados nessa ordem: PSR, TTP de oito ROI (ombro, peitoral, escápula, abdômen, lombar, braço, coxa e perna), desempenho no salto contramovimento e na flexão de braço com repulsão. Houve aumento da TTP máxima da parte anterior da coxa (p<0,05) e da perna (p<0,05) e da TTP média e máxima da parte posterior do ombro (p<0,05) 24h após a sessão de treino. Não ocorreu alteração na PSR, desempenho no salto contramovimento e na flexão de braço com repulsão 24h após a sessão de treino. Foi encontrada relação moderada entre o desempenho no salto contramovimento com as médias e máximas na parte posterior da coxa e da perna (r=0,5; r=0,62; p<0,05) e com a TTP média da parte anterior da perna (r=0,46, p<0,05). Dessa forma, como conclusão do estudo 2 os resultados indicam que o treino de vôlei afetou a TTP em áreas específicas como coxa, perna e ombro em jogadores de uma equipe sub-19. Entretanto, a relação entre as mudanças de TTP e o desempenho físico não foram encontrados.