Resumo

O presente estudo pretendeu investigar, entre 2011 e 2024, as diferenças entre treinadores e treinadoras no número de cédulas emitidas e no número de treinadores inscritos de acordo com a distribuição geográfica, modalidade, idade e grau de certificação. Os dados utilizados são públicos e de acesso livre, tendo sido obtidos a partir do repositório aberto do Instituto Português do Desporto e Juventude, o qual disponibiliza informação estatística e demográfica relativa ao processo de emissão de títulos profissionais de treinadores de desporto em Portugal. Os dados foram analisados através de estatística descritiva e inferencial. Os resultados demonstram que a desigualdade de género, relativamente aos treinadores, persiste. De facto, tanto no número de cédulas emitidas como no número de treinadores inscritos, observou-se um número bastante superior de treinadores, em comparação com o número de treinadoras, em todas as variáveis consideradas. As treinadoras têm menor expressão em todas as regiões do país, sobretudo nas ilhas e na região Sul, completam o grau III de certificação numa proporção substancialmente reduzida e terminam a sua carreira mais cedo. Persistem, portanto, os problemas estruturais do ponto de vista político, social e cultural que parecem continuar a favorecer a hegemonia masculina e o processo de reprodução homóloga. Para contrariar esta tendência, sugere-se a criação de unidades curriculares que abordem temas como o estigma, poder e privilégio, desde as fases mais iniciais da escolaridade obrigatória, bem como o investimento contínuo na valorização do desporto feminino, através da igualdade salarial e da transmissão de competições femininas em canal aberto.

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