Resumo

O presente estudo procurou compreender a perceção, por jogadores de voleibol com níveis de rendimento distintos, da influência dos pares no seu desenvolvimento desportivo. Sessenta jogadores de voleibol, 30 de elite e 30 de não-elite (elite: idade ≥23 anos, ≥10 anos de experiência, participação na seleção nacional sénior; não-elite: mesma idade/experiência, competição da 3.ª liga, sem seleção nacional prévia), participaram em entrevistas semiestruturadas nas quais se explorou a influência dos pares ao longo do desenvolvimento desportivo. Os dados foram analisados por meio de procedimentos de análise temática. Os resultados revelaram que os pares exerceram uma influência fundamental, embora existam distinções consoante o nível de rendimento do jogador. Todos os jogadores consideraram os pares como o principal motivo para iniciar a prática da modalidade e manter o envolvimento e a motivação nela ao longo do tempo. Adicionalmente, as amizades exteriores ao contexto desportivo revelaram-se uma influência positiva geral, oferecendo apoio e promovendo um estado psicológico estável. Contudo, os jogadores de elite destacaram a importância do incentivo e das críticas dos colegas de equipa durante as sessões de treino, atitudes que consideram ter impulsionado a competitividade, a coesão do grupo e a melhoria do rendimento. Na fase mais avançada das suas carreiras, os jogadores de elite recorreram a amigos fora do contexto desportivo como uma via de escape vital para aliviar a pressão e o desgaste provocados pelas exigências da competição. Conclui-se que as relações com os pares desempenham papéis vitais e diversificados na trajetória dos jogadores, fornecendo estímulo competitivo e suporte emocional.

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