A maturação importa, mas não manda sozinha: desempenho infantojuvenil em competição modificada de velocidade no atletismo feminino e implicações para propostas competitivas
Por Thiago Chaves Camillo (Autor), Lucas Leonardo (Autor).
Em XXI Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
A compreensão do desempenho em provas curtas no atletismo feminino juvenil exige considerar tanto os processos de crescimento e maturação quanto à forma como esses fatores se relacionam com a idade cronológica. Em crianças e jovens, no caso das meninas entre 10 e 14 anos, essa relação é ainda mais complexa devido à grande variabilidade no início e ritmo da puberdade. Justificativa: Compreender como a maturação interfere no desempenho de velocidade é essencial, especialmente em modalidades como o atletismo, que utiliza testes físicos como critério de seleção e acompanhamento de talentos. Objetivo: Investigar as relações entre maturação biológica e desempenho infantojuvenil feminino em uma competição modificada de velocidade de sprint de 50 m, discutindo implicações para propostas competitivas no atletismo feminino. Métodos: Participaram 69 meninas de 10 a 14 anos (13,7 ± 0,9), fisicamente ativas e sem treinamento formal em atletismo. O desempenho foi mensurado pelo melhor tempo em dois sprints de 50 m, registrados por fotocélulas. O estágio maturacional foi estimado por meio do offset maturacional, calculado a partir da equação de Mirwald et al. Foram realizadas análises descritivas, correlações de Spearman, regressões hierárquicas e testes comparativos de formatos competitivos alternativos. Resultados: Os resultados mostraram correlações negativas de baixa magnitude entre tempo de sprint e idade cronológica e entre tempo de sprint e maturação, além de forte associação entre idade e maturação. O offset maturacional não acrescentou explicação substancial ao desempenho além da idade cronológica, e os formatos competitivos testados não produziram maior homogeneidade entre os grupos. Conclusão: A maturação influencia o desempenho no sprint, mesmo com magnitude limitada nesta amostra, predominantemente classificada como antes do pico de velocidade de crescimento. Em meninas com esse perfil, propostas competitivas baseadas exclusivamente em idade ou maturação parecem insuficientes para reorganizar a competição de forma mais homogênea.