Resumo
O objetivo do estudo foi analisar a percepção do desempenho motor de crianças com idade de 6 à 10 anos de idade, segundo três avaliadores -Professor de Sala de Aula (PSA), Professor de Educação Física (PEF) e Pais ou Responsáveis (PR) - em relação à Bateria Motora do Movement Assessment Battery for Children – MABC – second edition. Participaram do estudo 146 crianças com idade de 6 a 10 anos, estudantes de uma escola particular do município de São José, localizado na região da grande Florianópolis - SC. Também fizeram parte do estudo os 146 pais/responsáveis, 11 professores de sala de aula e 2 professores de educação física. Para avaliação motora dos escolares foi utilizado à bateria motora da Movement Assessment Battery for Children – 2 e para identificar a percepção de movimento dos avaliadores em relação às crianças utilizou-se a lista de checagem do mesmo instrumento. Também foi aplicado o questionário da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP), com o objetivo de controlar o nível socioeconômico e nível de instrução dos avaliadores. Os dados foram analisados por meio da estatística descritiva e inferencial, adotando um nível de significância de p<0,05. Para a validade de clareza foi identificado que a menor média das notas foi 8,83 para a questão A.1.2, portanto todas as questões foram claras para os avaliadores da lista de checagem. Na avaliação motora observou-se 86 (58,9%) escolares “Sem Dificuldade de Movimento Detectado”, 23 (15,8%) com “Risco para Dificuldade de Movimento” e 37 (25,3%) com “Dificuldade Significativa de Movimento”. Em relação aos resultados da bateria motora para os sexos, os meninos foram os que apresentaram maiores dificuldades 23 (28,0%), sendo que 14 (21,9%) das meninas obtiveram a mesma classificação. Quanto aos resultados identificados pelos avaliadores a partir do preenchimento da lista de checagem, foi identificado que para as crianças “Sem Dificuldade de Movimento Detectado”, o Professor de Sala de Aula foi o que mais se aproximou 53 (36,3%) do resultado identificado pela Bateria Motora. Para as crianças com “Dificuldade Significativa de Movimento”, classificação mais difícil de ser percebida, repetiu-se a aproximação do Professor de Sala de Aula com 60 (41,1%). Contudo as crianças identificadas com “Dificuldade Significativa de Movimento” pela Bateria Motora podem não ser as mesmas identificadas pela lista de checagem. Para tanto, foi realizado a correlação de Spearman, identificando a consistência entre avaliadores, e para identificar quais os resultados se correlacionaram melhor entre a bateria motora e a percepção dos três avaliadores. Os resultados entre os avaliadores pais e professores de sala de aula foi de rho= 0,300, p < 0,001, entre pais e professores de Educação Física rho= 0,366, p < 0,001 e entre professores rho= 0,438, p < 0,001. Para os resultados da correlação entre a bateria motora e a lista de checagem, verificou-se que os Professores de Educação Física apresentaram uma correlação moderada (rho= -0,409**; p < 0,001), enquanto que os professores de Sala de Aula (rho= -0,190*; p < 0,001) e os pais (rho= -0,182*; p < 0,001), apresentaram uma correlação baixa. Sugere-se para a escola avaliada e para outras que tenham o interesse em melhorar o desempenho motor dos escolares, que realizem reuniões e trabalhos em conjunto vinculando os profissionais da escola com os pais podendo ser uma estratégia para esta identificação precoce de dificuldades motoras em crianças, visto que a interação mútua em diferentes contextos são formas de melhorar o desenvolvimento humano, melhorando a qualidade de vida.