Resumo

Este estudo analisa como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) politizou os impactos socioambientais da Stock Car em Belo Horizonte, utilizando o Instagram como espaço de disputa simbólica. O objetivo é compreender como a instituição articula a ecologia decolonial e teorias da politização para desafiar as hierarquias colonial e ambiental. A metodologia qualitativa baseou-se em análise de conteúdo e enquadramento de 39 postagens publicadas entre fevereiro e agosto de 2024, catalogadas em planilha Excel. Os resultados revelam uma evolução discursiva da UFMG, do Tipo 1 ao Tipo 3. Enquanto o Tipo 1 reproduz parcialmente a fratura ambiental ao priorizar soluções técnicas, os Tipos 2 e 3 conectam os impactos à colonialidade do desenvolvimentismo, denunciando a exploração histórica dos espaços urbanos. A defesa da dignidade animal e a rejeição da compensação ambiental sinalizam uma perspectiva decolonial embrionária. Contudo, a ênfase em métricas econômicas e a ausência de vozes além da comunidade acadêmica limitam a pluralidade epistêmica. Conclui-se que a UFMG emerge como ator decolonial ao articular memória institucional, rigor científico e resistência coletiva, mas sua abordagem oscila entre crítica técnica e estrutural. Futuros estudos devem integrar narrativas comunitárias para fortalecer a interseção entre ecologia decolonial e justiça ambiental no Sul Global.

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