Resumo

A questão da técnica ocupa um lugar central na filosofia contemporânea, especialmente em um mundo moldado pela tecnologia e suas implicações sociais, culturais e ontológicas. Martin Heidegger (2002), em A Questão da Técnica, define a técnica moderna como um enquadramento (Gestell) que reduz a realidade a um recurso explorável, subordinando a existência humana a uma lógica utilitária. Essa visão, embora seminal, é essencialista e pode ser complementada por perspectivas processuais que enfatizem a dinamicidade da técnica. Gilles Deleuze e Félix Guattari, em O Anti-Édipo (2010) e Mil Platôs (2012), oferecem uma abordagem alternativa, tratando a técnica como parte de agenciamentos maquínicos que conectam fluxos de desejo, informação, poder e matéria. Para eles, máquinas não são apenas dispositivos mecânicos, mas sistemas relacionais que organizam a produção de realidades, rejeitando determinismos tecnológicos. O conceito de rizoma descreve redes descentralizadas e conectivas, onde múltiplas entradas e saídas desafiam hierarquias; a máquina de guerra representa forças nômades que resistem à codificação por instituições estatais ou capitalistas; e as linhas de fuga são rupturas que escapam de estruturas fixas, criando novas possibilidades de existência.

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