Resumo

Nas últimas décadas, a investigação académica em Portugal tem sido profundamente marcada pela predominância das métricas bibliométricas. O acesso ao ISI e ao Scopus, inicialmente concebido para aumentar a visibilidade internacional, acabou por fomentar a “inflação académica”, incluindo a fragmentação artificial do trabalho e a proliferação de coautorias estratégicas. O resultado é um aumento exponencial das publicações, mas uma estagnação na inovação genuína e no impacto social. Esta dinâmica mina a integridade científica, enfraquece a formação de jovens investigadores e prejudica a confiança pública. Reverter esta tendência exige restaurar a primazia da qualidade sobre a quantidade e valorizar o ensino e a profundidade académica acima da mera produção numérica.

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