Anos proibidos: veto, resiliência e resistência de mulheres no futebol (1941–1979)
Por Caroline Soares de Almeida (Autor), Carmen Rial (Autor).
Resumo
Este artigo analisa as dinâmicas que envolveram as mulheres diante das restrições ao espaço futebolístico, instituídas moralmente e legalmente no Brasil durante o século XX. A partir das trajetórias de duas figuras fundamentais — a jornalista Cléo de Galsan, a dirigente Carlota Rezende -- e grupos de futebolistas que atuaram antes e durante a vigência da proibição. Investigamos como essas mulheres confrontaram discursos moralizantes, repressão estatal e estruturas patriarcais que buscaram excluí-las do campo esportivo. Com base em fontes hemerográficas, documentais e bibliográficas, argumentamos que a prática do futebol por mulheres não desapareceu durante a proibição: persistiu em circuitos clandestinos, comunitários e periféricos, sustentados por redes locais de apoio e por gestos cotidianos de resistência. A análise mostra como discursos morais, biomédicos e jornalísticos contribuíram para reforçar desigualdades de gênero, ao mesmo tempo em que evidencia as estratégias de subversão mobilizadas por essas mulheres. O artigo busca, assim, contribuir para a história das mulheres brasileiras, destacando trajetórias que foram apagadas da chamada memória oficial desse esporte no país.