Arte-cultura: o elixir da longa vida
Integra
A arte vista como cultura traduzida em manifestações como a música, a literatura e as artes plásticas, por exemplo é a quase completa tradução da experiência da vida, memorizando os sentimentos e as ideias.
Hoje, para viverem de arte, artistas e admiradores a rotulam como parte da chamada “economia criativa”, que gera produtos, renda e lucros. E isso é verdade, justificando os investimentos. Entendo a estratégia como convivência e sobrevivência no nosso modelo econômico, mas a produção e fruição culturais não precisam de justificativas de mercado ou de qualquer outra natureza. Elas fazem bem a quem faz ou frui. Valem por si só.
Mas, para os que precisam de argumentos utilitaristas, uma notícia recente dá conta que as atividades artísticas podem desacelerar o envelhecimento. Dessa forma ler, ouvir música, ou frequentar museus, por exemplo, podem ter efeitos positivos, ao oferecer estímulos físicos, emocionais e cognitivos.
E não se trata de simples afirmações, sem base. Os dados são resultados de pesquisa liderada pela University College London, e publicado na revista Innovation in Aging, dedicada aos estudos do envelhecimento. Combinando questionários e exames de sangue, o estudo concluiu que as pessoas que participavam regularmente de atividades artísticas variadas apresentaram um ritmo mais desacelerado de envelhecimento.
O estudo faz observações fisiológicos e socioculturais detalhadas e os resultados são comparáveis aos observados nos participantes de exercícios físicos e da prática esportiva.
O levantamento acrescenta uma nova camada às evidencias crescentes de que as artes e a participação cultural em geral contribuem com efeitos positivos à saúde em geral, reduzindo estresse, inflamações e melhorando os indicadores ligados a doenças cardiovasculares.
Observou-se que a variedade das atividades também importa para resultados mais positivos.
Os pesquisadores chegam a dizer que o acesso às atividades artísticas deve ser garantido como estratégia de saúde pública. A ver se novas e mais pesquisas confirmarão os resultados obtidos até aqui.
Seja como bem econômico, e agora, como “elixir da longa vida”, ou outras descobertas que porventura venham se somar as que hoje temos, os benefícios da cultura em geral e da arte, a experiência, a vivência estética, não podem ser menosprezados na vida das pessoas. Nas crianças formam a base da criatividade e da participação sociocultural, nos jovens e nos adultos facilitam a expressão e sociabilidade, e nos idosos podem prolongar a vida, de modo saudável. Em todas as faixas etárias podem contribuir em muito para a qualidade de vida das pessoas, de diferentes culturas e credos.
A contemplação da beleza é talvez a principal meta do bem viver, de explorar as possibilidades da nossa vida, em busca da felicidade, ou para resistir à tristeza e continuar a jornada de esperança na construção de um mundo melhor. Sejamos ratos de biblioteca, vasculhadores de museus, “dedilhadores” ou sopradores de instrumentos musicais, dancemos ainda que sem jeito, artistas ou “arteiros”, como as crianças, na vivência lúdica em qualquer idade, exploradora de cultura, com alegria e muito prazer. E precisa de pesquisa para saber que isso faz bem à saúde, à vida?