Resumo

O objetivo deste estudo foi identificar e analisar as representações sociais de estudantes sobre a transição do 5º para o 6º ano do ensino fundamental. A pesquisa, de abordagem qualitativa, foi descritiva, envolvendo entrevista com 37 alunos/as de 5º e 6º anos do ensino fundamental de três escolas públicas estaduais do interior de São Paulo. No 5º ano, as representações sociais sobre o 6º ano misturaram percepções desfavoráveis e otimistas. No 6º ano, o ambiente revelou intensas relações pessoais e um convívio desafiador, seja pelo tamanho da escola, a dificuldade de fazer amigos ou de estar no recreio. Sobre a Educação Física, identificamos representações sociais distintas entre as duas escolas de 6º ano. Uma destacou a desvalorização do lúdico e dos jogos; recorrência de aulas livres; uso excessivo de apostila e aulas teóricas desconectadas das práticas corporais. A outra, a aproximação da professora com os alunos e a articulação das aulas teóricas com as vivências em quadra.

Referências

BRACHT, V. Educação Física no 1º grau: conhecimento e especificidade. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, supl. 2, p. 23-28, 1996.

BRASIL. Lei nº 11.274, Diretrizes e bases da educação nacional sobre a duração de 9 (nove) anos para o ensino fundamental. Diário Oficial da União - Seção 1, 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11274.htm. Acesso em: 05 jul. 2018.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2017 Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wp-content/uploads/2018/04/BNCC_EnsinoMedio_embaixa_site.pdf. Acesso em: 03 ago. 2018.

BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Censo Escolar da Educação Básica 2023: resumo técnico. Brasília: INEP, 2024. Disponível em: https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/estatisticas_e_indicadores/resumo_tecnico_censo_escolar_2023.pdf. Acesso em: 20 dez. 2025.

CAMPOLINA, L. O; LOPES DE OLIVEIRA, M. C. S. Aspectos semióticos da transição infância-adolescência: o contexto da escola. Psicologia Argumento, Curitiba, v. 30, n. 70, p. 537-546, jul./set. 2012.

DIAS-DA-SILVA, M. H. G. F. Passagem sem rito: as 5ª séries e seus professores. Campinas: Papirus, Série Pedagógica, 1997.

FARIA FILHO, L. M.; VIDAL, D. G. Os tempos e os espaços escolares no processo de institucionalização da escola primária no Brasil. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 14, p. 19-35, maio/ago. 2000.

GIL, A. C. Métodos e técnicas da pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2008.

GOMES, R. Análise de dados em pesquisa qualitativa. In: MINAYO, M. C. S. (org). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 21. ed. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 67-80.

LANE, S. T. M. Usos e abusos do conceito de representação social. In: SPINK, M. J. (org.). O conhecimento no cotidiano: as representações sociais na perspectiva da psicologia social. São Paulo: Brasiliense, 1999. p. 58-72.

LUCCHESI, F. D. M; FERREIRA, L. A. A transição da 4ª para a 5ª série na Educação Física. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, n. 8, v. 2, p. 111-122, 2009.

LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo, E.P.U., 1986.

MINAYO, M. C. S. (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 21. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.

MOSCOVICI, S. Representações sociais: investigações em Psicologia Social. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 2007.

PAULA, A. P; PRACI, F. C; SANTOS, G. G; PEREIRA, S. J; STIVAL, M. C. E. E. Transição do 5º para o 6º ano no ensino fundamental: processo educacional de reflexão e debate. Revista Ensaios Pedagógicos, v. 8, n. 1, jul./2018.

PRATI, L. E.; ELZIRIK, M. F. Da diversidade na passagem para a 5ª série do ensino fundamental. Estudos de Psicologia, Campinas, n. 23, v. 3, p. 289-298, jul./set. 2006.

RAMOS, G. N. S. Aplicação da pedagogia das condutas motrizes na Educação Física escolar. In: RIBAS, J. F. M. (org.). Praxiologia motriz na América Latina: aportes para a didática na educação física. Ijuí: Ed. Unijuí, 2017. p. 77-92.

SÁ, C. P. A construção do objeto de pesquisa em representações sociais. Rio de Janeiro: UERJ, 1998.

SÃO PAULO. Secretaria da Educação. Currículo do Estado de São Paulo: Linguagens, códigos e suas tecnologias. São Paulo: SE, 2011.

STROHER, J; MUSIS, C. R. As representações sociais dos discentes do curso de licenciatura em Educação Física na Unemat-Cáceres/MT sobre o trabalho com o corpo/aluno na escola: olhares para os conteúdos da Educação Física. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, n. 39, v. 3, p. 233-239, 2017.

TOMÉ, M. C. R. Os sentidos e significados constituídos por alunos do Ensino Fundamental II, a respeito das vivências e saberes deste nível de ensino. 2015. 133f. Dissertação (Mestrado em Educação), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2015.

Acessar