Assimetria estrutural na oferta competitiva do futsal feminino de base no Brasil
Por Ana Beatriz Silva Sena (Autor), Tathyane Krahenbühl (Autor).
Em XXI Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
O futsal é uma das modalidades esportivas mais praticadas no Brasil, sendo reconhecido pela Confederação Brasileira de Futsal (CBFS) como um "esporte genuinamente brasileiro". Contudo, sua organização competitiva ocorre de forma desigual entre os naipes, com oferta tardia de competições para meninas nas categorias de base, reforçando uma lógica historicamente masculinizada e configurando uma assimetria estrutural na promoção da modalidade. Objetivo: Analisar a organização competitiva do futsal de base no Brasil, identificando a categoria inicial de oferta por naipe em âmbito nacional e estadual. Métodos: Pesquisa documental de caráter exploratório, com análise de regulamentos e documentos oficiais das competições nacionais previstas para o ciclo 2025-2026, complementada por levantamento junto às federações estaduais filiadas, a partir de portais institucionais e regulamentos oficiais. Resultados: A análise dos documentos da CBFS demonstrou oferta contínua de competições masculinas desde as categorias iniciais (Sub-08), enquanto o feminino se apresenta de forma fragmentada, restrito às categorias Sub-13, Sub-15 e Sub-17. No âmbito estadual, as competições masculinas iniciam predominantemente entre Sub-06 e Sub-08, enquanto o feminino começa, em geral, entre Sub-11 e Sub-15, sendo ofertado de forma tardia, fragmentada ou inexistente. Em diversos estados, a defasagem entre os naipes ultrapassa cinco anos. Como exemplo, no Amazonas, o calendário de 2026 prevê início masculino no Sub-06 e feminino no Sub-15, estabelecendo defasagem de nove anos na oferta competitiva formal, configurando um padrão de organização que restringe o acesso às experiências competitivas e produz trajetórias esportivas desiguais. Considerações finais: A organização do futsal feminino de base no Brasil evidencia assimetria estrutural na oferta competitiva em relação ao naipe masculino, uma vez que a ausência de competições nas categorias iniciais compromete o acesso ao ambiente competitivo e condiciona as trajetórias esportivas das meninas, indicando que a desigualdade observada decorre da própria organização do sistema esportivo