Biomecânica da marcha humana ao longo do ciclo de vida: uma revisão narrativa
Por Jerônimo de Freitas Regis (Autor), Francisco Thiago de Oliveira Silva (Autor), Joele de Freitas Regis (Autor), Alyson Kellyson Moura de Freitas (Autor), Diego Remigio Peixoto (Autor), André Wilson de Oliveira Gil (Autor).
Resumo
A marcha humana é um processo dinâmico que reflete a interação entre sistemas nervoso e musculoesquelético, sofrendo modificações significativas ao longo do ciclo da vida. A análise biomecânica desse movimento permite compreender padrões normais e disfuncionais, auxiliando no diagnóstico, prevenção e reabilitação.
OBJETIVO: Apresentar os principais parâmetros biomecânicos da marcha humana e suas variações ao longo do ciclo de vida.
MÉTODOS: Este estudo consiste em uma revisão narrativa da literatura, desenvolvida a partir de buscas nas bases PubMed, ScienceDirect, SciELO e Google Scholar. A estratégia de busca utilizou os termos “marcha”, “biomecânica”, “crianças” e “idosos”, bem como seus correspondentes em inglês e em espanhol. A análise dos dados foi conduzida qualitativamente, por meio de análise temática, contemplando categorias como variáveis temporoespaciais, aspectos cinemáticos e cinéticos, controle neuromuscular, adaptações funcionais e implicações clínicas.
RESULTADOS: Os achados indicam que os parâmetros biomecânicos da marcha variam ao longo do ciclo de vida. Na infância, observa-se desenvolvimento progressivo do padrão locomotor, caracterizado pelo aumento do comprimento do passo, pelo aumento da amplitude de movimento e pela redução gradual da variabilidade. Na vida adulta, esse processo culmina na consolidação de um padrão de marcha mais estável, eficiente e previsível, adotado como referência biomecânica para comparação entre faixas etárias. No envelhecimento identificam-se declínios funcionais, com redução da velocidade de marcha, encurtamento dos passos, aumento do tempo de duplo apoio e menor amplitude de movimento, fatores frequentemente associados à perda de força, alterações ortopédicas e maior risco de quedas.
CONCLUSÃO: Os achados evidenciam que a marcha humana apresenta modificações ao longo do ciclo de vida, com desenvolvimento progressivo na infância, consolidação na vida adulta e declínio funcional no envelhecimento. A sistematização desses parâmetros contribui para a interpretação biomecânica da marcha em diferentes faixas etárias.
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