Resumo

A Escoliose Idiopática do Adolescente (EIA) pode levar a um maior esforço cardiorrespiratório, mesmo em atividades físicas submáximas devido à gravidade da curva escoliótica. No entanto, ainda existe uma lacuna no conhecimento em relação às diferenças de desempenho, independentemente de os indivíduos serem submetidos a procedimento cirúrgico.

Objetivo: Verificar as respostas hemodinâmicas, respiratórias e metabólicas das trocas gasosas e ventilatórias em pacientes com EIA, por meio do teste de caminhada de 6 minutos (TC6) em tratamento conservador (PRÉ) e submetidos a artrodese vertebral por via posterior (PÓS), comparando os resultados com um grupo saudável (CTL) pareado por sexo e faixa etária.

Métodos: Foram analisados dados de 30 indivíduos com EIA em tratamento conservador (24 mulheres), 30 indivíduos submetidos a artrodese vertebral por via posterior (24 mulheres) e 27 indivíduos saudáveis (21 Mulheres). Medidas de massa corporal total, estatura e composição corporal foram realizadas. A tolerância ao exercício foi avaliada pela distância máxima percorrida no TC6, acompanhada das respostas dos sinais vitais ao esforço realizado. Para avaliar as respostas metabólicas durante o TC6, foi utilizado o ULTIMA CPX-D, realizando o TC6 em esteira rolante, ajustando a velocidade para uma redução de 15% em relação à distância percorrida fora da esteira. Esta redução foi baseada na literatura que demonstrou que quando o TC6 era realizado em esteira rolante, sendo a velocidade ajustada pelo próprio paciente, a distância percorrida era em média 14% menor do que a obtida fora da esteira rolante. Comparações entre os grupos foram feitas com testes t e anovas de modelo misto, com correção de Bonferroni nos testes post-hoc.

Resultados: Diferenças foram reveladas na distância percorrida no TC6 entre os grupos PRÉ, PÓS e CTL (534±67m, 541±69m e 612±70m, respectivamente, p<0,001). No grupo PÓS, foi observado um maior consumo de oxigênio (VO2) em relação ao grupo controle no quarto minuto de teste (p=0,002). Diferenças também foram observadas na relação de trocas respiratórias (R) entre os grupos PRÉ e CTL (p<0,001), PRÉ e PÓS (p=0,001 – 0,030) ao final de todos os minutos e entre o grupo PÓS e CONT ao final do segundo e terceiro minuto de teste (p=0,015 – 0,046).

Conclusão: A cirurgia de correção da coluna vertebral em pacientes com EIA, parece não influenciar o VO2 durante atividades físicas submáximas em comparação com indivíduos PRÉ; Pacientes submetidos à cirurgia, demonstraram uma melhoria na relação das trocas respiratórias, sugerindo uma possível redução do esforço respiratório durante o TC6; Parece que a artrodese vertebral pode contribuir para uma resposta mais eficiente ao esforço em atividades submáximas, embora o VO2 não tenha sido diretamente afetado.