Resumo

O estudo sobre o desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) infantil é tema promissor e vem encontrando espaço nas pesquisas científicas, sendo necessária a análise biopsicossocial (BPS) na fase inicial do desenvolvimento. Porém, na realidade brasileira, faltam estudos com intervenção precoce em ambiente aquático para aprimorar o DNPM de bebês e com a sistematização de avaliação aquática. Diante disso, esta pesquisa foi delineada em três estudos e teve como objetivos: identificar o DNPM de crianças de 4 a 18 meses de idade, frequentadoras de creches públicas do município de Curitiba-PR, quanto ao DNPM, vínculo mãe e filho, qualidade de vida (QV) e estimulação recebida no ambiente domiciliar, bem como verificar a associação entre o DNPM e as variáveis neonatais, socioeconômicas e ambientais (Estudo I); elaborar, aplicar e avaliar os efeitos de um Programa de Intervenção Precoce Aquático (PIPA) sobre o DNPM, QV e a estimulação recebida no ambiente domiciliar (Estudo II); e elaborar uma adaptação de avaliação de habilidades aquáticas funcionais para as crianças de 3 a 24 meses de idade (Estudo III). Trata-se de uma pesquisa quantitativa, transversal (Estudo I), quase experimental com avaliação cega (Estudo II) e metodológica (Estudo III). Para avaliação do DNPM foram aplicados os instrumentos Alberta Infant Motor Scale (AIMS) e teste de triagem de Denver II; para avaliação dos contextos da criança foram utilizados questionário da criança, questionário socioeconômico da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa para o Brasil (ABEP), vínculo mãefilho, Inventário Pediátrico sobre Qualidade de Vida do Bebê (PedsQL™) e Affordances no Ambiente Domiciliar para o Desenvolvimento Motor (AHEMD-IS). O PIPA foi elaborado conforme a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) para desenvolver habilidades locomotoras, manipulativas e estabilizadoras esperadas para a idade, realizadas em grupo, com a presença do responsável, com frequência de 2 vezes por semana, durante 4 semanas (8 intervenções), com duração de 45-60 minutos, com progressão semanal, associado a orientações domiciliares. Para análise dos dados aplicou-se testes específicos e análise do tamanho do efeito, realizadas por meio do software Statistica versão 7 e SPSS versão 20. No Estudo I, das 76 crianças participantes, 42,11% apresentaram risco/atraso no DNPM. Houve associação inversa entre o DNPM e aborto prévio (p=0,006) e direta com a variedade de estimulação (p=0,03). No Estudo II 61 crianças participaram, sendo que 37 fizeram parte do grupo controle (GC) e 24 do grupo intervenção (GI). A amostra do GI apresentou melhor DNPM pós-intervenção  (p=0,001) e na retenção (p=0,002), com efeito de intervenção grande (Ƞ2=0,178 e  0,156). O GI teve melhora no domínio capacidade física da QV (p=0,023), com efeito intermediário (d=0,573). Não houve diferenças na estimulação recebida no ambiente domiciliar entre os grupos. No Estudo III, a escala AFAS BABY foi desenvolvida e teve o parecer favorável de seis especialistas da área. Conclui-se que é necessário avaliar o DNPM de crianças em creches e que o PIPA teve efeitos positivos no DNPM e na capacidade física das crianças participantes. Esse estudo contribuiu com a elaboração de um instrumento de avaliação dos comportamentos aquáticos de bebês e com a visão BPS e utilização da CIF para sistematização de avaliação e intervenção, atendendo a abordagem centrada na família e os contextos da criança.

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