CBF, cadê a coroa da nossa Imperatriz? (Sissi)

Parte de As pioneiras do futebol pedem passagem: conhecer para reconhecer . páginas 201 - 216

Resumo

Como escrever um livro sobre as pioneiras do futebol brasileiro sem mencionar Sissi? Ela é a referência dessa geração. Seu nome é recorrentemente mencionado como a jogadora na qual muitas se inspiravam, seja pelo que exibia em campo, seja pela liderança que exercia fora dele. Sua majestade é reconhecida pelas mulheres que viveram o futebol na mesma época que ela e por muitas jovens que não a viram em campo, mas a conhecem pelas imagens e vídeos que circulam nos meios digitais e por meio dos quais podem observar sua técnica, leitura de jogo e cobranças de falta. Para além de ser lenda dentro do campo, Sissi tem a insurgência escrita em seu corpo: o cabelo raspado, para desespero daqueles que queriam “feminilizar” a modalidade, a postura firme, a ironia inteligente, a crítica acirrada e o desejo de fazer seu melhor para valorizar a presença das mulheres no esporte para o qual dedicou sua vida. Nossa Imperatriz já foi reverenciada por pessoas e instituições mundo afora, menos pela entidade máxima do futebol de nosso país. O silenciamento que recai sobre Sissi pode ser estendido a toda a sua geração. É inadmissível que suas trajetórias não sejam conhecidas nem reconhecidas, inclusive pela CBF, que mantém em sua sede o “Museu Seleção Brasileira” no qual a história do futebol de mulheres é simplesmente ignorada. Esse apagamento é pleno de significados.