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Houve um tempo em que se você vestisse verde e rosa era chamado de cafona, brega, suburbano ou mocó. Mas, mestre Cartola, um dos fundadores da Escola de Samba Estação Primeira Mangueira tinha razão: verde e rosa combinam. A sugestão veio em homenagem as cores do Rancho do Arrepiado, que seu pai frequentava na infância em Laranjeiras, no Rio de Janeiro.
Qualquer pesquisa na Internet, ou na IA, dá conta que além de harmonizar na Quadra e na Avenida, a combinação de cores hoje é considerada complementar no círculo cromático por fashionistas, que justificam que verde e rosa criam contrastes vibrantes, quando combinadas corretamente: para looks suaves e delicados – românticos- rosa claro e menta; modernos e marcantes – rosa choque e verde esmeralda; ou equilibrados- rosa e verde oliva, ou musgo.
A Copa do Mundo de futebol masculino, de 2026, consagrou a tendência das chuteiras rosa por craques de diferentes países, e uma das razões segundo especialistas, é que a cor dá um contraste bem definido com o verde dos gramados, destacando os pés e chutes dos atletas, principalmente nas transmissões da TV e de outras telas, e nas fotos. Facilitam também o acompanhamento das jogadas em campo.
Outros atribuem a tendência a questões de gênero, quebrando o tabu e o preconceito de que rosa é “cor de menina”.
Crianças e jovens passaram a procurar, nas lojas, as chuteiras da mesma cor que seus ídolos usam, marcas investiram pesado nisso, e o rosa virou tendência nas magazines de materiais esportivos, representando um aumento das vendas, e consequentemente vitrines e promoções.
O rosa já vinha sendo usado em uniformes de equipes profissionais de destaque, do futebol masculino e feminino, em datas comemorativas, ou no cotidiano dos jogos disputados.
Todos esses fatos formam, deste modo, um círculo vicioso que contribui para a quebra das cores associadas aos gêneros. Um resultado reflexo, certamente não previsto, mas que está dando bons frutos. E em termos globais.