Resumo

A cinética do consumo de oxigénio (VO2 ) torna-se complexa a intensidades de exercício superiores ao limiar anaeróbio, podendo surgir uma componente lenta (VO2 SC) que comprometa a eficiência e a tolerância ao exercício. No presente estudo, avaliou-se a VO2 SC em diferentes domínios de intensidade recorrendo a duas metodologias. Doze canoístas de elite realizaram um protocolo incremental intermitente num ergómetro de canoagem, composto por cinco patamares de 4min separados por 1 min de recuperação a 40 - 100% (aumentos de 15% por patamar) da potência de um pré-teste máximo de 4 min. Foram medidos o VO2 respiração-a-respiração (médias de 10 s), a frequência cardíaca e as concentrações de lactato sanguíneo capilar ([La- ]). O limiar anaeróbio foi determinado pelo método Dmax e a VO2 SC pelos métodos dos intervalos pré-determinados (ΔVO2 [final–2min]) e da modelação biexponencial. O limiar anaeróbio ocorreu a 143.39 ± 31.00 W, correspondendo a 78.24 ± 6.04% do VO2 max, com maior potência absoluta nos homens (embora a intensidade relativa fosse semelhante). A VO2 SC obtida pelo ΔVO2 [final–2min] foi de reduzida magnitude, abaixo do limiar anaeróbio (patamares 1-3: 10.00 ± 112.65 -9 5.83 ± 130.76 mL·min- ¹ e 2.06 ± 0.41 - 3.95 ± 0.99 mmol·L- ¹), tendo aumentado acentuadamente acima dessa intensidade (patamares 4-5: 301.67 ± 165.71 - 352.50 ± 285.82 mL·min- ¹ e 8.19 ± 1.47 -13.12 ± 2.58mmol·L- ¹). A modelação biexponencial confirmou um claro efeito da intensidade na VO2 SC sem evidenciar diferenças em relação ao outro método. Os resultados obtidos indicam que a VO2 SC na canoagem é fortemente dependente do domínio de intensidade de exercício, evidenciando valores elevados quando o exercício se realiza acima do limiar anaeróbio. Este facto encerra implicações práticas para a monitorização dos canoístas e para a definição de zonas de treino.

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