Circo e ginástica: uma análise dos cursos de formação de professores de educação física das universidades públicas do Rio de Janeiro
Por Marcus Vinicius Machado da Silva (Autor), Samuel Luís Santos (Autor), Elizandra Garcia da Silva (Autor).
Resumo
É certo que não podemos perder de vista o quanto a história do fenômeno do circo e da ginástica remonta, diretamente, a história do movimento humano (Silva, 2023). Tendo sua gênese no atendimento às necessidades humanas, imediatas e voltadas para sobrevivência, e que, com o avançar do tempo, que ela foi recebendo significados cada vez mais elaborados, sejam eles lúdicos, estéticos, competitivos e afins (Engel, 2006). É na antiguidade que surgem os primeiros intentos em conceituar esses significados do movimento. Enquanto o circo tem suas raízes na arte de rua, das praças, das festas e dos saltimbancos das feiras, a ginástica passa a ser a qualificação dada a uma categoria de movimentação, um culto à força e ao exercício do corpo nu (Soares, 2005). Adiante, de acordo com Arce (2014), na chamada Era das Revoluções, onde mudanças estruturais ocorreram no modo de produção, que a priori era agrícola e agora se tornará industrial, com a insurgência do capitalismo, surge a necessidade, através da recém tornada classe dominante, de implantar novos valores e códigos de civilidades que se alinhem às novas expectativas de trabalho na indústria. (SOARES, 2005). Desse esforço, surgiu o Movimento Ginástico Europeu, que propunha uma higienização e ressignificação desses movimentos corporais, dando a eles um caráter de adequação às demandas de trabalho fabril (Soares, 2005). Caracterizando assim o maior ponto de ruptura entre ginástica e circo (Silva, 2023).