Resumo

A Paralisia cerebral apresenta em uma de suas formas clínicas a diplegia espástica, onde as seqüelas neurológicas são predominantes nos membros inferiores e interferem no prognóstico de marcha. Os métodos tradicionais de intervenção fisioterapêutica dão ênfase às técnicas de reeducação neurológica em detrimento dos exercícios de resistência progressiva (ERP). Objetivo: Comparar a efetividade destas técnicas na função motora por meio da escala Gross Motor Function Measure (GMFM) nas dimensões D e E e do torque muscular com uso da dinamometria isocinética. Métodos: A amostra foi composta de 11 crianças com diplegia espástica divididas em dois grupos, submetidas a duas sessões semanais durante nove semanas de treinamento, sendo seis pacientes para aplicação do método Bobath e cinco, para o protocolo no músculo quadríceps. Resultados: Foram observadas mudanças estatisticamente significantes em ambos os grupos (F(1,11) = 17; p<0,001) nos valores do GMFM. A média (± DP) foi de 34 ± 24 para 35 ± 25 na dimensão E e de 62 ± 17 para 67 ± 18 na dimensão D, foi significantemente maior (F(1,11)=45; p<0,001). O teste post hoc TSD mostrou que a dimensão D teve seus valores significantemente maiores (p<0,01). Na correlação entre escore total dimensão D com o pico de torque extensor do joelho (N/m), com velocidade angular de 30º/s, o coeficiente de correlação de Pearson (R=0.38) não foi significante. Discussão: Ao analisar as melhoras dos grupos ERP e Bobath nos escores da dimensão D da escala GMFM, estas podem ter ocorrido devido ao aumento do pico de torque extensor do joelho solicitado nas tarefas dos itens do GMFM. Os escores inferiores no GMFM do grupo Bobath, em comparação com o grupo ERP, podem estar associados a variáveis, como tempo de tratamento e capacidade funcional. Conclusão: Os grupos dos respectivos protocolos ERP e Bobath apresentaram melhoras na função motora grosseira do GMFM na dimensão D e aumento no pico de torque isocinético extensor do joelho durante a intervenção realizada.

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