Competições Esportivas Gays no Brasil: o caso da Campinons LiGay e do GayPrix
Por Eduardo Klein Carmona (Autor), Graziela da Silva Suzuki (Autor).
Em XX Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
A competição é elemento do essencial do esporte que busca extrair o melhor desempenho dos atletas a fim de ranqueá-los e classificá-los, bem como, também, é o modo de conferir vitórias, derrotas e até empates nas mais diversas disputas. Tradicional e majoritariamente, as competições esportivas são caracterizadas pela relação binária de gênero entre homens e mulheres, dividindo em masculinas e femininas devido a questões biológicas dos corpos. No entanto, de modo mais recente, podemos ver que outros marcadores sociais da diferença também se fazem presentes na criação de algumas competições. A diversidade no que tange ao padrão cis-hetero-normatividade também se tornou uma característica que marca a criação de competições esportivas no Brasil e no mundo. Tais competições surgem como um modo de luta contra o preconceito no âmbito esportivo e por representatividade nesse segmento, que, por vezes, é machista e homofóbico. Diante desse cenário, este estudo tem como objetivo discorrer sobre duas competições esportivas gays brasileiras: a Campinons LiGay e o GayPrix. Para tanto, na construção deste estudo, o qual se caracteriza como qualitativo, foram utilizados como fontes documentais de informação os regulamentos dos eventos, os sites oficiais e as postagens nos perfis do Instagram de cada evento, as quais foram analisadas de acordo com a análise de conteúdo. Ambas são competições esportivas relativamente recentes, pois foram criadas na última década, que é um período de avanços para a comunidade LGBTQIAPN+ brasileira através do reconhecimento de direitos sociais, como o casamento civil homoafetivo, por exemplo. Em 2017, ocorreu a primeira edição da Campinons LiGay na cidade do Rio de Janeiro, a qual é uma competição de futebol society que nasce junto com a criação de uma liga formada por associações esportivas LGBTQIAPN+ para o fortalecimento da modalidade entre o público gay no Brasil. Em 2018, motivados pelo sucesso do evento de futebol, foi criado o GayPrix de vôlei, o qual aconteceu na cidade de Porto Alegre. Os nomes dos eventos são trocadilhos que unem os nomes de duas competições esportivas mundialmente conhecidas, a Champions League de futebol e o Grand Prix de voleibol, com a palavra gay que representa os homens homossexuais, sendo um modo de confrontar as normas de gênero e sexualidade, visto o contexto opressor que é o esportivo. Ambas as competições ocorrem anualmente e possuem como missão a luta contra o preconceito à comunidade LGBTQIAPN+. Enquanto a Campinons LiGay já conseguiu ter equipe representantes de todas as regiões do Brasil, no GayPrix só houve a participação de equipes do sul e sudeste. As competições mostram-se não apenas puramente para a prática esportiva, mas sim um como espaço da cultura queer, visto que há show de drags e performances das equipes. São competições itinerantes e ocorrem em locais/estados diferentes a cada edição. Seus perfis, além de divulgar informações dos eventos, buscam enaltecer pautas relativas à comunidade. Por fim, considera-se relevante a criação e manutenção dessas competições como forma de valorizar os corpos LGBTQIAPN+ no âmbito esportivo e lutar contra o preconceito nos diversos espaços da sociedade.