Resumo

Esta pesquisa, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), insere-se no campo de pesquisas relativas aos estudos de gênero. Propomos neste trabalho conhecer a dimensão interpretativa de questões relacionadas ao corpo e os seus reflexos culturais nas relações de gênero entre jovens, através da prática da Consciência Corporal, durante aulas de Educação Física e apontar como essa prática pedagógica, conteúdo primeiro da disciplina, pode contribuir para o entendimento da corporeidade e das relações de gênero entre adolescentes, mostrando-nos que a produção do conhecimento e as inevitáveis marcas do saber, desde o período da nossa gestação, vão sendo tatuadas no nosso corpo a todo instante e que ao mesmo tempo vão transmitindo mais saberes. Sob a ótica da pesquisa científica, foram analisados setenta e três relatos escritos em diversos momentos, de quarenta e três alunas/os pré-vestibulandas/os do Colégio Imaculada Conceição em Natal, RN, no ano de 2005, que se dispuseram a revelar uma escrita de si a partir das atividades vivenciadas durante a disciplina de Educação Física, no projeto intitulado Conhecer-se. Para esta dissertação elegemos o Método (Auto)Biográfico ou “Escrita de Si”, trazendo, inicialmente, uma escrita da pesquisadora, ou seja, as minhas memórias e lembranças, compartilhando de autoras/es que acreditam que a vida de educadoras e educadores estão imbricadas com suas práticas pedagógicas e hibridam-se as vidas de seu alunado. Apresentamos reflexões acerca de corpo e gênero num diálogo com outras/os autoras/ras e através dos relatos propriamente ditos, categorizados e analisados. Por fim, pudemos observar uma ampliação da visão pré-conceituosa dos papéis sociais entre homens e mulheres, partindo de uma consciência que vem, fundamentalmente, dos nossos corpos, dos nossos sentidos, sentimentos e emoções, com a proposta de melhor olhar a/o outra/o e as coisas que estão ao nosso redor, o que seria uma educação pautada no amor, como preconiza Paulo Freire.

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